Sexualidade infantil é tema de formação de educadores de creche

Por Gabriela Silveira, Psicologia: Ciência e Profissão, Estagiária e Thayse Dantas, Analista Técnica, Gerência Técnica do Conselho Federal de Psicologia, Brasília, DF, Brasil

pcp_logoAdriane Costa e Rocha Ciaffone e Marivete Gesser discutem a Sexualidade na Infância no relato de experiência “Integração Saúde e Educação: Contribuições da Psicologia para a formação de Educadores de uma Creche em Sexualidade Infantil”, destacado no periódico Psicologia: Ciência e Profissão, volume 34 número 3, do Conselho Federal de Psicologia. O artigo relata uma experiência de formação de educadores em uma creche de um município do Sul do Brasil. Após um levantamento de possíveis demandas, verificou-se que havia uma necessidade de discussão de temas relacionados à sexualidade infantil. Esses assuntos foram encaminhados a um grupo de estudantes de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) os quais, com auxílio pedagógico de um professor, trabalharam a temática com os educadores por meio de oficinas. O trabalho realizado pelos estudantes teve vinculação com um Centro de Saúde (CS) do munícipio, por meio do Programa de Educação para a Saúde da Família.

As oficinas aconteceram em sete encontros que tiveram as atividades baseadas no recurso teórico-metodológico dos Círculos de Cultura de Paulo Freire. Estes podem ser definidos como espaços de aprendizagem onde os participantes fazem reflexões sobre questões que lhes são significativas, problematizando situações de suas próprias experiências (SIMÃO, ZURBA and NUNES 2012). Participaram dos encontros nove educadoras com idades entre 25 e 47 anos, sendo três professoras, cinco auxiliares de sala e a diretora da creche.

Segundo as autoras, trabalhar em prol de facilitar a compreensão das expressões relacionadas à sexualidade como inerente ao desenvolvimento humano comprofissionais de uma creche pode contribuir para a quebra do processo de patologização e, como consequência, promover a saúde de crianças e professores, bem como a abordagem do sujeito em sua totalidade, levando em consideração o modo como pensa, sente e age. O relato evidencia que vários profissionais emitiam julgamento moral em relação a algumas preferências das crianças e demais pessoas da comunidade, como, por exemplo, músicas do estilo funk. Para eles, essas músicas contribuem para a erotização precoce na infância. Notou-se que as educadoras da creche compreendiam as crianças como assexuadas, demostrando muita dificuldade para lidar com essas expressões no contexto escolar.

Análogos às etapas do método psicodramático, os encontros estruturaram-se principalmente em três momentos: aquecimento, atividade principal e compartilhamento. Essas estratégias foram utilizadas com o objetivo de melhor acolher as demandas do grupo, favorecendo a participação dos profissionais nas atividades de forma participativa. A técnica psicodramática, baseada na representação do papel de um personagem, provoca a pessoa para entrar em contato com outras possibilidades, outras formas de pensar, sentir e perceber situações (Dias, 1996). As dramatizações realizadas pelos profissionais apontaram os preconceitos que estavam presentes na maneira como elas significavam a sexualidade infantil, considerando as crianças como seres desprovidos de desejos e possibilidades de erotização.

A partir das demandas identificadas junto aos educadores, o trabalho propôs promover um espaço de debate e reflexão acerca dos diversos assuntos ligados à sexualidade na infância de acordo com as questões vivenciadas dentro do contexto escolar. Os resultados encontrados indicam que ocorreu a ressignificação da forma que os profissionais da creche entendiam esse aspecto da constituição dos humanos. A partir dessa ressignificação, as educadoras conseguiram produzir novos significados para essas expressões, percebendo a sexualidade como inerente ao processo de desenvolvimento humano, evitando patologizar às manifestações da sexualidade e as interpretar de forma que acabassem por rotular a criança.

Referências

DIAS, V.R.C.S. Sonhos e psicodrama interno na análise psicodramática. São Paulo: Ágora, 1986.

SIMÃO, C.R.P., ZURBA, M.C., and NUNES, A.S.B. Educação popular em saúde: o círculo de cultura como ferramenta de promoção de participação popular no SUS. In: ZURBA, M.C., org. Psicologia e saúde coletiva. Florianópolis, SC: Tribo da Ilha, 2012.

Para ler o artigo, acesse:

CIAFFONE, A.C.R., and GESSER, M. Integração Saúde e Educação: Contribuições da Psicologia para a Formação de Educadores de uma Creche em Sexualidade Infantil.Psicol. cienc. prof. [online]. 2014, vol. 34, n° 3, pp. 774-787. [viewed February 12th 2015]. ISSN 1414-9893. DOI: 10.1590/1982-3703000392013. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932014000300774&lng=pt&nrm=iso

Link externo:

Psicologia: Ciência e Profissão – http://www.scielo.br/pcp/

Sobre as autoras:

Adriane Costa e Rocha Ciaffone é graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC. Brasil.E-mail: arciaffone@gmail.com

Marivete Gesser é doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC e Docente da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC. Brasil.E-mail: marivete@yahoo.com.br

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

Sexualidade infantil é tema de formação de educadores de creche [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2015 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2015/02/23/sexualidade-infantil-e-tema-de-formacao-de-educadores-de-creche/

 

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