As ‘lidas’ de mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a metáfora do trabalho na atividade docente

Paulo Guanaes, Editor Executivo da Revista Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

tes_logoTalvez a relevância do debate sobre movimentos sociais esteja na possibilidade de se pensar em ações sociais coletivas, de traços sociopolíticos e culturais que permitam novas formas de organização dos indivíduos, numa espécie de resistência à exclusão e luta pela inclusão social. Um estudo sobre mulheres em assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra abordando gênero, educação, saúde e trabalho indicou que o trabalho, ou as ‘lidas’ da mulher assentada são amplas e nem sempre reconhecidas. No que se refere à saúde, de acordo com a pesquisadora Beatris Diniz Ebling, “constatou-se que as cidadãs na condição de assentadas estão expostas a vulnerabilidades, pois vivem em um espaço no qual o trabalho é eminentemente braçal, expostas aos fenômenos e instabilidades da natureza”. Outra constatação da pesquisa foi a ampliação do espaço de participação da mulher nos negócios da família, inclusive com linhas de crédito específicas para agricultoras, o que na opinião de Ebling “contribui para a emancipação feminina”. O artigo As mulheres e suas ‘lidas’: compreensões acerca de trabalho e saúde, de autoria de Sandra Beatris Diniz Ebling et al., conclui que é necessária a união de esforços para ampliar ações que subsidiem a elaboração de políticas públicas que possam abranger o contexto da realidade em que essas mulheres se inserem.

Em um ensaio que põe no centro de suas reflexões os limites e as consequências da metáfora do trabalho para a atividade do professor, o pesquisador Gideon Borges dos Santos, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, afirma que a docência foi modelada a partir do trabalho industrial, o que lhe conferiu objetivação e reconhecimento social. “Entretanto”, diz ele, “despreza-se cada vez mais aquilo que se constitui em seu cerne e que dificilmente se deixará apreender por metas e mensurações universais: a autoformação humana.” Para o autor de Trabalho docente: a cristalização de uma metáfora, a exigência de objetividade dos processos escolares, por exemplo, sempre será precária e provisória, não definindo nem esgotando a tarefa de educar. Em consequência, a prática docente deve ser entendida como ação, como um ‘não saber’, cada vez mais apresentada como projeto de construção comum, de certa forma longe do alcance da metáfora do trabalho.

A última edição do ano de Trabalho, Educação e Saúde traz também um editorial sobre avaliação de artigos científicos, além de textos sobre formação de trabalhadores da saúde, como “Metodologias participativas e educação permanente na formação de agentes comunitários/as de saúde”, “Educação permanente em saúde como prática avaliativa amistosa à integralidade em Teresópolis, Rio de Janeiro, Brasil”, “Políticas curriculares na formação médica: aproximações e distanciamentos entre Brasil e Portugal” e “Integração academia-serviço na formação de enfermeiros em um hospital de ensino”.

Na área de nutrição, dois artigos sobressaem: “Análise crítica de saberes e práticas sobre alimentação de profissionais de saúde e de educação” e “Promoção do consumo alimentar sustentável no contexto da alimentação escolar”, enquanto na de enfermagem destacam-se “Prática gerencial do enfermeiro na Estratégia Saúde da Família” e “O trabalho em equipe de enfermeiros na Estratégia Saúde da Família”.

Para ler os artigos, acesse:

SANTOS, G. B. Trabalho docente: a cristalização de uma metáfora. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 565-580. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sol00004. Available from: http://ref.scielo.org/f3gc4w

EBLING, S. B. D. et al. As mulheres e suas ‘lidas’: compreensões acerca de trabalho e saúde. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 581-596. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00065. Available from: http://ref.scielo.org/gjwszx

ROCHA, N. H.N., BEVILACQUA, P. D., and BARLETTO, M. Metodologias participativas e educação permanente na formação de agentes comunitários/as de saúde. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 597-615. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00056. Available from: http://ref.scielo.org/kkw7ch

YAMAMOTO, T. S., MACHADO, M. T. C., and SILVA JUNIOR, A. G. Educação permanente em saúde como prática avaliativa amistosa à integralidade em Teresópolis, Rio de Janeiro. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 617-638. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00058. Available from: http://ref.scielo.org/mv428t

FERREIRA, M. K. M. et al. Criança e adolescente cronicamente adoecidos e a escolarização durante a internação hospitalar. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 639-655. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sol00001. Available from: http://ref.scielo.org/k3zc6w

FISCHBORN, A. F., and VIEGAS, M. F. A atividade dos trabalhadores de enfermagem numa unidade hospitalar: entre normas e renormalizações. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 657-674. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00060. Available from: http://ref.scielo.org/swy6wy

SALES, P. R. S., MARIN, M. J. S., and SILVA FILHO, C. R. Integração academia-serviço na formação de enfermeiros em um hospital de ensino. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 675-693. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00057. Available from: http://ref.scielo.org/69w44c

XAVIER-GOMES, L. M. et al. Prática gerencial do enfermeiro na estratégia saúde da família. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 695-707. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00067. Available from: http://ref.scielo.org/kjmb5g

DUARTE, M. L. C., and BOECK, J. N. O trabalho em equipe na enfermagem e os limites e possibilidades da estratégia saúde da família. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 709-720. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00054. Available from: http://ref.scielo.org/vkxddw

RIBEIRO, G., PIRES, D. E. P., and FLOR, R. C. Concepção de biossegurança de docentes do ensino técnico de enfermagem em um estado do sul do Brasil. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 721-737. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sol00002. Available from: http://ref.scielo.org/w2m8r9

SOUZA, T. S. N., and FONSECA, A. B. C. Análise crítica de saberes e práticas sobre alimentação de profissionais de saúde e de educação. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 739-756. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00066. Available from: http://ref.scielo.org/88gfwd

TRICHES, R. M. Promoção do consumo alimentar sustentável no contexto da alimentação escolar. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 757-771. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00061. Available from: http://ref.scielo.org/v5n4jb

MENEZES JUNIOR, A. S., and BZREZINSKI, I. Políticas curriculares na formação médica: aproximações e distanciamentos entre Brasil e Portugal. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 773-796. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00059. Available from: http://ref.scielo.org/gfgycc

FREITAS, M. A. L., and SILVA, A. S. Modelo de equações de diferenças finitas aplicado ao sistema de saúde suplementar. Trab. educ. saúde [online]. 2015, vol.13, n.3, pp. 797-818. [viewed 03rd December 2015]. ISSN 1981-7746. DOI: 10.1590/1981-7746-sip00055. Available from: http://ref.scielo.org/5285xk

Link externo:

Revista Trabalho, Educação e Saúde – TES – www.scielo.br/tes

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

GUANAES, P. As ‘lidas’ de mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a metáfora do trabalho na atividade docente [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2015 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2015/12/18/as-lidas-de-mulheres-do-movimento-dos-trabalhadores-rurais-sem-terra-e-a-metafora-do-trabalho-na-atividade-docente/

 

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