O trilema da sustentabilidade

Suzana Cavenaghi, editora chefe da Revista Brasileira de Estudos da População, Rio de Janeiro, Brasil

rbepop_logo O ano de 2015 marca o septuagésimo aniversário da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a 21ª Conferência do Clima (Conferência das Partes, COP-21), esta com o objetivo de aprovar um novo acordo global para diminuir a emissão de gases de efeito estufa e reduzir o ritmo de aumento do aquecimento global. A questão da sustentabilidade está na ordem do dia. Porém, está ficando cada vez mais difícil conciliar o crescimento econômico com a justiça social e a conservação ambiental. Primeiro, porque surgem sérias dúvidas sobre a continuidade e a extensão do próprio crescimento econômico. Segundo, porque o contínuo aumento da produção mundial e a incessante ampliação das atividades antrópicas fazem crescer duas externalidades preocupantes da economia: o agravamento das desigualdades sociais e a degradação dos ecossistemas com o uso insustentável de recursos não renováveis. Assim, o maior problema da humanidade hoje se resume em como reduzir a pobreza e a desigualdade no mundo sem transgredir ainda mais os limites planetários. O termo desenvolvimento sustentável combina duas palavras de sentido cada vez mais opostos e que tendem a se excluir mutuamente. O tripé da sustentabilidade (economia, sociedade e ambiente) está se transformando em um trilema – termo utilizado para descrever uma proposição formada de três lemas contraditórios ou que reúnem uma escolha difícil entre três opções conflitantes. Estas são as principais conclusões do artigo dos demógrafos George Martine e José Eustáquio Diniz Alves, publicado na Revista Brasileira de Estudos de População (REBEP), de novembro de 2015. Para fundamentar seus argumentos, os autores fazem uma revisão dos grandes embates teóricos sobre população, desenvolvimento e meio ambiente e realizam uma revisão dos estudos empíricos que mostram: a) a fraqueza ambiental dos alicerces do progresso; b) os paradoxos do desenvolvimento tecnológico; e c) a insustentabilidade do desenvolvimento desigual.

Para ler o artigo, acesse:

MARTINE, G. and ALVES, J. E. D. Economy, society and environment in the 21st century: three pillars or trilemma of sustainability?. Rev. bras. estud. popul. [online]. 2015, vol.32, n.3 , pp. 433-460. [viewed 15th December 2015]. ISSN 0102-3098. DOI: 10.1590/S0102-3098201500000027P . Available from: http://ref.scielo.org/kf98yg

Link externo:

Revista Brasileira de Estudos da População – RBEPOP – www.scielo.br/rbepop

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

CAVENAGHI, S. O trilema da sustentabilidade [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/01/12/o-trilema-da-sustentabilidade/

 

One Thought on “O trilema da sustentabilidade

  1. Edmilson Belmont on March 9, 2017 at 09:22 said:

    Excelente texto, traduzindo com clareza a conversão de propostas que seriam complementares em elementos que passam a competir entre si pela condição de prioridade. O fato de se consolidar um problema reflete a desigualdade entre tais pontos, ocasionada pela condição de privilégio concedida (talvez por necessidade momentânea) à economia, em desfavor da sociedade e do ambiente.

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