Argumentação gráfica na revista Pesquisa Fapesp

Maria Helena Cruz Pistori, Editora executiva da Bakhtiniana, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil

bak_logoEm Argumentação gráfica na prosa ensaística da revista Pesquisa Fapesp, Irene Machado, professora e pesquisadora da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP), apresenta síntese da pesquisa que deu origem a sua tese de livre docência (2011). Rejeitando a ideia de que a divulgação científica seja tão-somente uma forma de tornar acessível o conteúdo da ciência a um público leigo, analisa diversos processos gráficos visuais — desenhos, fotografias e infográficos da revista Pesquisa Fapesp, demonstrando como não apenas ampliam ou complementam (ou ilustram) o texto verbal, mas realizam um raciocínio diagramático que vai além da mera elaboração retórica.

Em seu artigo mostra, com amplitude de exemplos, como se relacionam dois domínios semióticos: o da ciência, com suas linguagens artificiais, e o da comunicação de suas descobertas, ambos envolvendo o engajamento com complexidades e uma comunicação que está longe de ser unívoca, mas que se torna fonte de formação.

A autora fundamenta seus estudos na dialogia do Círculo, especialmente na questão da “prosificação da cultura”, e também na noção de “prosa ensaística” de Max Bense: “um engajamento voltado para a exploração da metalinguagem experimental, para a formação e educação no campo de linguagens específicas flagradas nos diagramas da argumentação gráfica que, por sua vez, sustenta a construção do conhecimento filosófico, científico e até mesmo pragmático, quando se pensa no campo dos processos introduzidos pelas linguagens dos meios de comunicação” (p. 112).

Em sua análise, opera ainda com o conceito semiótico de modelização (Viacheslav V. Ivanov), do campo da informática, na compreensão da diversidade dos signos icônicos e cinéticos do mundo áudio visual dos meios de comunicação; e conceitos retóricos, na compreensão do poder persuasivo da construção midiática. Ressalta que, ao ambientar a comunicação da ciência na revista, o texto a devolve de forma elaborada, exigindo de seus leitores novas competências semióticas: “A força suasória cede lugar à metalinguagem experimental das linguagens gráficas exploradas como diagramas de pensamento em que a prosa emerge como ensaio, sustentada por argumentos gráficos” (p. 112). A heterogeneidade constitutiva de linguagem significa um compromisso com o engajamento educacional e formador do leitor.

A ampla gama de exemplos apresentada no artigo permite ao leitor tanto a compreensão da tese da autora como a compreensão da riqueza do projeto gráfico-editorial da revista Pesquisa FAPESP, que “… consagrou a formação discursiva que oferece a prosa científica como ensaio o que, no contexto do processo de prosificação da cultura, significa interação com os meios e processos desenvolvidos no espaço público da comunicação social mais ampla […]” (p. 134).

É como espaço público que a revista propõe o diálogo com a sociedade, entendida de forma ampla, isto é, não apenas a comunidade científica, buscando fórmulas de interação.

Referência

BENSE, M. L’essai et sa prose. Trad. Pierre Rusch. Trafic, n. 20, p. 134-142, 1996.

Para ler o artigo, acesse

MACHADO, I. Argumentação gráfica na prosa ensaística da revista Pesquisa FAPESP. Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso [online]. 2016, vol.11, n.2, pp.111-136. [viewed 9th June 2016]. ISSN 2176-4573. DOI: 10.1590/2176-457323662. Available from: http://ref.scielo.org/vtrstj

Link externo

Bakhtiniana – BAK: www.scielo.br/bak

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PISTORI, M. H. C Argumentação gráfica na revista Pesquisa Fapesp [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/07/07/argumentacao-grafica-na-revista-pesquisa-fapesp/

 

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