A avaliação e as políticas públicas em Educação começam a ocupar seu espaço nas mídias digitais: A semana da Ensaio no Blog SciELO em Perspectiva |Humanas

Fátima Cunha, Editora-chefe da Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação e Marilia Nogueira dos Santos, Editora executiva da Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Criada em 1993, a Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, em seu primeiro editorial, assinado pelo Professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio e então editor do periódico, apresentava uma proposta editorial bastante modesta. Dizia Serpa, à época, que não estavam incluídos entre os propósitos e finalidades imediatos da Ensaio a eleição de um plano intelectual de índole predominantemente acadêmica. No entanto, 23 anos se passaram e, já sob o comando da Professora Fátima Cunha, a Ensaio é, atualmente, um dos principais periódicos acadêmicos da área de Educação. Com escopo bem definido – Avaliação e Políticas Públicas Em Educação – sustenta conceito A1 no Qualis da Capes, além de ser indexada nas principais bases, tais como Scopus, Redalyc, Educ@ e SciELO, nesta última, tendo ingressado, em 2006.

Com publicação trimestral, a Ensaio, a cada número, publica dez artigos frutos de pesquisa e que busquem, na medida do possível, contemplar as cinco regiões brasileiras. Além, é claro, das contribuições internacionais, destacadamente as da América Latina, de Portugal e da Espanha. Buscando se modernizar, no início de 2016, a Ensaio lançou sua versão eletrônica sem, no entanto, abandonar a versão impressa. É muito importante destacar que, desde a sua criação, a Ensaio tem distribuição gratuita. Seguindo a tendência de modernização, o periódico tem avançado na sua profissionalização, principalmente no que tange à formação de sua equipe permanente, que conta com três doutores além de um profissional formado em tecnologia da informação, um especialista em mídias digitais, responsável pela administração dos perfis da Ensaio nas principais redes sociais – Twitter, Facebook e blog – e uma secretária executiva com nível superior que cuida de todo o expediente do periódico há mais de 12 anos. Tudo relativo ao periódico é produzido por essa equipe, exceto serviços como a marcação do texto em XML – exigência do SciELO –, que foi terceirizado para uma empresa certificada. A Ensaio avança também em relação à internacionalização, buscando publicar cada vez mais artigos em língua inglesa, mas também em espanhol. Afinal, por se tratar de um periódico da área das Ciências Humanas, a Ensaio entende que se internacionalizar não é simplesmente traduzir todo o seu conteúdo para o inglês. A internacionalização que o periódico persegue diz respeito também às temáticas abordadas. Nesse sentido, não podemos fechar os olhos para os nossos vizinhos da América Latina, que enfrentam dilemas bastante próximos aos nossos e, assim como nós, também têm uma população que em sua maioria não domina a língua inglesa.

Outra novidade da Ensaio diz respeito aos eventos que, desde 2014, vêm sendo organizados regularmente. Os Colóquios e as Conversas Com o Autor foram criados com o intuito de serem um espaço para o debate de temas relevantes para a Educação brasileira. Espaço também importante e que a Ensaio tem a honra de ocupar entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro: é a Semana Especial no Blog SciELO em Perspectiva Humanas. Nesse sentido, cabe percorrer, brevemente, a Ensaio de número 92 – a estrela dessa semana especial.

Os artigos que compõem a Ensaio 92 buscam trazer ao leitor a pluralidade de perspectivas no que tange à abordagem das temáticas privilegiadas pelo periódico. A avaliação educacional é tema de pelo menos três artigos. “Evidence of a School Composition Effect in Rio de Janeiro Public School” de autoria dos Professores Tiago Lisboa Bartholo e Marcio Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa o impacto dos modelos avaliativos estandardizados que, em geral, fortalecem a hipótese de que se obtêm melhores resultados em grupos ou cursos de pares homogêneos como fatores determinantes desses resultados. O artigo da Professora portuguesa Leonor Santos, uma das contribuições internacionais desse número para o número, “A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio?”busca abordar, como o título explicita, um tipo específico de avaliação: a avaliação somoativa. Ana Maria Eyng, Thais Pacievtch e Maria de Lourdes do Prado K. D’Almeida e Maria Lourdes Gisi por sua vez, em “Evaluation and human rights educational policies: contradictions between regulation and emancipation in basic education in Brazil”, buscam relacionar a avaliação com os direitos humanos expondo a tensão entre os aspectos antropológicos e teológicos da avaliação e os direitos humanos nas políticas educativas para a Educação Básica no Brasil.

Outra temática recorrente nesse número é a educação superior que aparece tanto no artigo de autoria de Ivar César Oliveira de Vasconcelos e de Candido Alberto Gomes, quanto no de Tárcia Rita Davoglio, Bettina Steren dos Santos e Carla da Conceição Lettnin. Enquanto o primeiro privilegia a análise das implicações das políticas de expansão do Ensino Superior, levantando a importante questão acerca da efetividade dessas políticas quanto à democratização do Ensino Superior; o segundo analisa o importante rol da motivação em estudantes universitários do Brasil, mediante a validação de um instrumento orientado a esse objetivo.

A qualidade do ensino é privilegiada em pelo menos dois trabalhos publicados nesse número. No artigo de autoria de André Haguette, Márcio Kleber Morais Pessoa e Eloísa Maia Vidal – “Dez escolas, dois padrões de qualidade. Uma pesquisa em dez escolas públicas de Ensino Médio do Estado do Ceará” – os autores realizam um estudo em escolas da rede estadual do Ceará, a fim de verificar os níveis de exclusão e equidade das mesmas. Géssica Priscila Ramos, por sua vez, é a autora do artigo que tem por título “Racionalidade e Gerencialismo na Política Educacional Paulista De 1995 A 2014: Muito Além Das Conjunturas”, e analisa a gestão das políticas educacionais do governo de São Paulo.

A Educação infantil é abordada em “Políticas públicas educacionais: vozes que emergem no trabalho docente na Educação Infantil”. Nele, as professoras Verônica Belfi Roncetti Paulino e Valdete Côco analisam a relação entre o cuidado infantil e a educação. Intitulado “Educação profissional e tecnológica: análises e perspectivas da LDB/96 À CONAE 2014″, de autoria de Anthone Mateus Magalhães Afonso e Wânia Regina Coutinho Gonzalez,  artigo analisa o conceito de Educação Profissional e Tecnológica no Brasil, considerando os recentes documentos de grande importância na definição das políticas públicas de educação. Fechando o número, a Página Aberta é a nossa segunda contribuição internacional. Trata-se do artigo dos professores espanhóis Rafael González-Palencia e Carmen Jiménez Fernández, que analisa os avanços da presença feminina no sistema educativo e mercado profissionais espanhóis, especialmente no tocante às áreas de Tecnologia da Informação.

A Ensaio 92 é o penúltimo número do ano. No entanto, nossa equipe editorial já trabalha para dar conta dos desafios que 2017 nos reservam. Dentre eles, está a consolidação da Ensaio nas novas mídias e a busca pela internacionalização do periódico. No entanto, cabe deixar aqui registrado que, no que pese a predominância do inglês como idioma da divulgação do conhecimento científico, a Ensaio entende como internacionalização a publicação de todo e qualquer artigo em língua estrangeira, especialmente espanhol. Somos um periódico de excelência na área de Educação e o nosso público-alvo – assim como a maioria da população – não é fluente em inglês. Não podemos, portanto, apenas para atender a um critério bastante discutível e polêmico, adotar indiscriminadamente o inglês e excluir, de certa maneira, aqueles que mais precisam da Ensaio.

Dito isso, aproveitem a nossa semana no blog da SciELO e boa leitura!

Para ler os artigos, acesse

BARTHOLO, T. L. and COSTA, M. Evidence of a school composition effect in Rio de Janeiro public schools. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.498-521. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300001. Available from: http://ref.scielo.org/s25k9z

DAVOGLIO, T. R., SANTOS, B. S. and LETTNIN, C. C. Validação da Escala de Motivação Acadêmica em universitários brasileiros. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.522-545. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300002. Available from: http://ref.scielo.org/4k9h3n

RAMOS, G. P. Racionalidade e gerencialismo na política educacional paulista de 1995 a 2014: muito além das conjunturas. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.546-578. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300003. Available from: http://ref.scielo.org/fg22ff

VASCONCELOS, I. C. O. and GOMES, C. A. Pedagogia dialógica para democratizar a educação superior. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.579-608. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300004. Available from: http://ref.scielo.org/7psmhm

HAGUETTE, A., PESSOA, M. K. M. and VIDAL, E. M. Dez escolas, dois padrões de qualidade. Uma pesquisa em dez escolas públicas de Ensino Médio do Estado do Ceará.Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.609-636. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300005. Available from: http://ref.scielo.org/wrkd6q

SANTOS, L. A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio?. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.637-669. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300006. Available from: http://ref.scielo.org/dk6chw

EYNG, A. M., PACIEVTCH, T., D’ALMEIDA, M. L. P. K. and GISI, M. L. Evaluation and human rights educational policies: contradictions between regulation and emancipation in basic education in Brazil. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.670-696. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300007. Available from: http://ref.scielo.org/9ktjdj

PAULINO, V. B. R. and COCO, V. Políticas públicas educacionais: vozes que emergem no trabalho docente na Educação Infantil. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.697-718. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300008. Available from: http://ref.scielo.org/yns5h4

AFONSO, A. M. M. and GONZALEZ, W. R. C. Educação Profissional e Tecnológica: análises e perspectivas da LDB/1996 à CONAE 2014. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2016, vol.24, n.92, pp.719-742. [viewed 22th August 2016]. ISSN 0104-4036. DOI: 10.1590/S0104-40362016000300009. Available from: http://ref.scielo.org/v5mf9f

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CUNHA, F. A avaliação e as políticas públicas em Educação começam a ocupar seu espaço nas mídias digitais: A semana da Ensaio no Blog SciELO em Perspectiva |Humanas [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/08/29/a-avaliacao-e-as-politicas-publicas-em-educacao-comecam-a-ocupar-seu-espaco-nas-midias-digitais-a-semana-da-ensaio-no-blog-scielo-em-perspectiva-humanas/

 

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