Educação integral: versões, tensões e contradições

Maria Celeste Reis Fernandes, Docente do programa de pós-graduação stricto sensu Gestão Integrada do Território da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale), Governador Valadares, MG, Brasil

edreal_logoEntre as divergências sobre Educação integral, firmam-se posições em prol de uma relação aluno-professor saudável e que busque resultados concretos, atendendo às necessidades e especificidades de adaptação a esse modelo.

No cenário atual brasileiro, diversas expressões têm comparecido no repertório linguístico dos debates sobre Educação integral: “Educação integral”, “Jornada ampliada”, “Escola em tempo integral”, “Escola integrada”, “Tempo integral”. Embora guardem diferenças, o mais tempo de jornada escolar diária deve significar um outro tipo de escola, e não somente a ampliação de um tempo no qual se repete as mesmas práticas do tempo parcial. Nesse cenário, os argumentos mobilizados organizam-se entre dois polos: o da educação integral e o do mais tempo para as aprendizagens. Em cada um desses polos, porém, encontram-se várias versões, tensões e até contradições.

No primeiro polo, a própria expressão “Educação integral” atrai simpatias ao recusar o modelo do aluno preso em uma cadeira, copiando, decorando, em prol do desenvolvimento da sua Razão. Por sua vez, mesmo que se considere as diferenças de significados, concepções, tendências, decisões políticas, diferenças sociais e culturais, a expressão Educação integral, como tem sido discutida hoje no Brasil, e em diferentes países, de modo geral, se relaciona a um tempo a mais na escola associada à multidimensionalidade da formação do sujeito.

O princípio de multidimensionalidade da formação pode ser interpretado em, no mínimo, três versões. Uma primeira versão foca uma ideia ampla da cultura, incluindo, em especial, o que a escola atual negligencia: o corpo, o imaginário, a arte. Por sua vez, a segunda versão destaca a socialização, com a qual a escola contemporânea pouco se preocupa. Por fim, a terceira versão remete à ideia de proteção dos alunos vulneráveis.

O outro polo, o do “mais tempo para as aprendizagens”, tampouco escapa às tensões e contradições. Por um lado, o tempo integral disponibiliza mais tempo para aprender mais coisas, de forma mais aprofundada, e contribui para a democratização da escola.  Por outro lado, os docentes precisam de mais tempo para sair de uma pedagogia memorizar-decorar-esquecer ou de uma pedagogia da fotocópia. Requerem mais tempo as disciplinas que exigem mais explicações, as que demandam o exercício de habilidades, as que precisam de mais tempo de leitura, ou de criação. Cabe refletir que a escola em tempo integral, seja qual for a versão implantada, só pode produzir efeitos (positivos ou negativos) através da relação que os/a alunos/as estabelecem com essa inovação que muda, profundamente, seu ritmo cotidiano, suas rotinas de vida, suas atividades.

Confira a pesquisa na íntegra publicada no periódico Educação & Realidade, volume 41, número 4, intitulado “Relação com o saber na escola em tempo integral”.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, M. C. R. F., CHARLOT, B. Relação com o saber na escola em tempo integral. Educ. Real., Porto Alegre, v. 41, n. 4, pp.1071-1093. [viewed 21th December 2016]. ISSN 0100-3143. DOI: 10.1590/2175-623659843. Available from: http://ref.scielo.org/nx97q5

Link externo

Educação & Realidade – EDREAL: www.scielo.br/edreal

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

FERNANDES, M. C. R. Educação integral: versões, tensões e contradições [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/01/17/educacao-integral-versoes-tensoes-e-contradicoes/

 

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