Terceirização e precarização do trabalho na política de Assistência Social

Mariana Prioli Cordeiro e Leny Sato, professoras do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil

estpsi_logoPesquisadoras da Universidade de São Paulo publicaram no periódico Estudos de Psicologia (Campinas), volume 34, número 1 de 2017, estudo sobre as condições de trabalho no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A partir de depoimentos de psicólogos que atuam em serviços socioassistenciais, concluíram que, sob a justificativa de impedimentos fiscais e legais para a realização de concursos públicos, prefeituras de diversos municípios brasileiros delegam a contratação de profissionais a entidades privadas, sendo que tal processo de “terceirização” favorece a precarização das condições de trabalho na política de Assistência Social, afetando tanto a qualidade do serviço ofertado quanto a saúde de seus profissionais. Afinal, muitas vezes, esse processo é marcado por contratos temporários, alta rotatividade, atraso no pagamento de salários, demissão em massa, ausência de supervisão e de formação continuada.  Essa precarização das condições de trabalho – aliada à necessidade de grande envolvimento emocional – faz com que, hoje, o trabalho na Assistência Social frequentemente seja visto por psicólogos apenas como a possibilidade de um primeiro emprego, como uma espécie de “ponte” para um trabalho melhor.

Para chegar a essas conclusões, as pesquisadoras realizaram entrevistas semiestruturadas com psicólogos contratados por organizações privadas para atuar em serviços do SUAS, localizados em três estados do sudeste brasileiro (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), que atuam tanto na proteção básica quanto na especial.

Além da discussão ensejada pelos depoimentos dos psicólogos entrevistados, nesse estudo, as pesquisadoras realizaram uma discussão conceitual, ao problematizar os termos mais utilizados para se referir a organizações privadas que prestam serviços públicos – como, por exemplo, “organizações não governamentais”, “entidades sem fins lucrativos”, “organizações sociais” e “organizações do terceiro setor”.

A Pesquisa foi realizada com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para ler os artigos, acesse

CORDEIRO, M. P.  and  SATO, L. Psicologia na política de assistência social: trabalho em um “setor terceirizado”. Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2017, vol.34, n.1, pp.41-52, ISSN 1982-0275 [viewed 27 March 2017]. DOI: 10.1590/1982-02752017000100005. Available from: http://ref.scielo.org/92cmbv.

Link externo

Estudos de Psicologia (Campinas) – ESTPSI – www.scielo.br/estpsi

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

Cordeiro, M. P. and Sato, L. Terceirização e precarização do trabalho na política de Assistência Social [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/04/07/terceirizacao-e-precarizacao-do-trabalho-na-politica-de-assistencia-social/

 

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