Como a qualidade na pesquisa científica em Administração afeta o desenvolvimento do país?

Andréa Cerqueira Souza é especialista em marketing, atua com comunicação e marketing científico em publicações da Fundação Getulio Vargas, São Paulo, SP, Brasil

Prevendo o crescimento econômico e a demanda de profissionais do Brasil capacitados, a Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN), criou em 1941 na cidade de São Paulo o primeiro curso destinado à formação de administradores do país. As décadas seguintes foram marcadas pelo surgimento de novas escolas oferecendo cursos de graduação e também de pós-graduação em Administração, além da criação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em 1972, o MEC regulamentou os cursos de pós-graduação stricto sensu para todas as áreas do conhecimento, chamando-os de mestrado e doutorado. Em linhas gerais, Ikeda, Campomar e Veludo-de-Oliveira (2005), afirmam que no mestrado se discute as técnicas de Administração, ao passo que no doutorado se avança no conhecimento dessas técnicas.  Para os autores, a pós-graduação e seus respectivos cursos, enfrentam desafios inerentes ao cenário da educação do País: carecem de políticas e práticas governamentais para elevar a qualidade e avançar no conhecimento científico, bem como na qualificação dos profissionais para o mercado de trabalho.

Em matéria publicada pela revista Galileu, Tanji (2015) apresentou uma análise dos cursos de mestrados e doutorados, comparando-os com o nível de desenvolvimento humano do país, que está diretamente relacionado com a qualidade da educação promovida pelas instituições de ensino. Com base nos dados do Censo de 2010, a matéria mostra que o Brasil aparece em 27º no ranking de títulos de doutor concedidos por milhão de habitantes, que tem Suíça, Suécia e Finlândia, Alemanha e Reino Unido nas cinco primeiras posições, respectivamente. Na comparação com a Alemanha, os dados mostram que o país germânico tem 18,6 doutores a cada mil habitantes e exporta US$ 183,4 bilhões anuais em tecnologia de ponta, enquanto o Brasil, com pouco mais de 1,4 doutor a cada mil habitantes, exporta apenas US$ 8,8 bilhões.

Ely Laureano Paiva

Ely Laureano Paiva

Apesar da necessidade de aumentar o número de pessoas formadas com mestrado e doutorado, o número de cursos oferecidos mais que dobrou em 13 anos: de 1439 programas em 2000 para 3486 cursos disponíveis em 2013.  Ainda assim, a quantidade não está necessariamente relacionada à qualidade, em 2015, apenas 145 programas atingiram o conceito sete, maior pontuação concedida pela Capes. Tonelli (2016) afirma que a consequência da baixa qualidade nos programas de pesquisa afeta também as publicações acadêmicas brasileiras, bem como como diversas outras atividades no Brasil. Segundo a professora, essa deficiência é consequência de uma história que tratou conhecimento como fonte de poder, e não como benefício para a comunidade. Nesse contexto, o que tem sido feito para solucionar esse problema? A RAE-Revista de Administração de Empresas convidou o professor Ely Laureano Paiva, da FGV EAESP, para falar a respeito. Argumentando que a carreira de professor é composta pelo ensino, pesquisa e orientação de alunos, Paiva destaca a pesquisa como elemento central na carreira do pesquisador e lembra que, nos países desenvolvidos, a qualidade da pesquisa é um dos fatores determinantes para a ascensão na carreira acadêmica.

No vídeo, o professor fala sobre a carreira de professor, as iniciativas nacionais para avaliar a qualidade dos programas de pós-graduação, como o ranking Qualis da Capes, além dos rankings internacionais, como o UT Dallas e a lista ABS.

Referências

IKEDA, A. A.; CAMPOMAR, M. C.; VELUDO-DE-OLIVEIRA, T. M. A pós-graduação em administração no Brasil: definições e esclarecimentos. Revista Gestão e Planejamento, ano 6, n. 12, p. 33-41, jul./dez. 2005.

TANJI, T. Analisamos cursos de pós-graduação no Brasil [online]. Revista Galileu, 2016 [visitado em 10 de agosto de 2017]. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Multimidia/Infograficos/noticia/2015/06/analisamos-os-cursos-de-pos-graduacao-no-brasil2.html

TONELLI, M. J. RAE debate qualidade de pesquisas científicas e periódicos acadêmicos [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed 21 August 2017]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/09/16/rae-debate-qualidade-de-pesquisas-cientificas-e-periodicos-academicos/

Link externo

Revista de Administração de Empresas – RAE: www.scielo.br/rae

Sobre Andréa Cerqueira Souza

Andréa Cerqueira Souza

Andréa Cerqueira Souza

Publicitária (Claretiano Faculdade) e especialista em marketing (FGV), atua com comunicação e marketing científico em publicações da Fundação Getulio Vargas. E-mail: andrea.csouza@fgv.br

 

 

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SOUZA, A. C. Como a qualidade na pesquisa científica em Administração afeta o desenvolvimento do país? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/08/31/como-a-qualidade-na-pesquisa-cientifica-em-administracao-afeta-o-desenvolvimento-do-pais/

 

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