Cultura ancestral para entender a Amazônia de ontem e de hoje

Jimena Felipe Beltrão, Editora-chefe do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, PA, Brasil

Herança e conhecimento juntos em número do periódico do Museu Paraense Emílio Goeldi que, em 2018, comemora 124 anos.

Arqueologia e saúde indígena são tema de dois dos artigos em destaque da primeira edição do ano do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas. Com uma trajetória centenária, o Boletim publica resultados de pesquisas com foco em Antropologia, Arqueologia e Linguística na Amazônia.

Santarém e Konduri são culturas ancestrais da Amazônia brasileira distintas, mas não distantes como demonstram elementos comuns que se revelam nas peças arqueológicas que Marcony Alves (2018), autor de “Para além de Santarém: os vasos de gargalo na bacia do Rio Trombetas”, analisou. Sugestões prévias indicavam semelhanças no uso de elementos dos conhecidos vasos de gargalo da cultura Santarém em peças da cerâmica Konduri. As ocorrências são indicativas de interações de produtores cerâmicos do Tapajós e do Trombetas, localizados na porção oeste do estado do Pará.

Com argumento e evidências contundentes, Daniel Scopel et al. (2018), dentre as quais, a também antropóloga Esther Langdon, aponta que as políticas públicas que investem consideráveis recursos na atenção à saúde indígena são as mesmas que permitem agressões a território indígena. Em “A cosmografia Munduruku em movimento: saúde, território e estratégias de sobrevivência na Amazônia Brasileira”, a autoria destaca a contradição e a desatenção das ações do Estado brasileiro no trato da saúde indígena. Como parte do argumento, Scopel e coautoras discutem o significado do ambiente na visão integrada de saúde dos Munduruku.

Em pesquisa que alia arqueologia e representação feminina, Andreia Torres (2018) trata da construção de corpos das mulheres do século XVI ao início do XX. Através de material encontrado em edifício religioso, a autora discute o poder simbólico de adornos na vida de mulheres da América do Norte sob domínio hispânico. “As mulheres novo-hispanas do Convento da Encarnação (Cidade do México) por meio de suas contas de vidro” está dentre a mais de uma dezena de artigos da primeira edição do Boletim em 2018.

Para além das áreas dos tradicionais temas da Antropologia, da Arqueologia e da Linguística a edição traz ainda contribuições da fotografia e da história da economia extrativista a partir das observações de naturalistas.

Com 240 submissões desde que inaugurou, em 2016, o uso de plataforma online para recepção de artigos, o Boletim Ciências Humanas ganhou agilidade e, hoje, o tempo médio do processo editorial é de até 90 dias. A esse cronograma mais curto uniu-se um alto grau de segurança no controle do ineditismo das contribuições. Uma ação de divulgação sistemática, com abertura de novos canais para atender à diversidade de públicos, permitiu que o Boletim ganhasse a marca de mil seguidores em seu perfil no Facebook. Ciência aberta é o que pratica o periódico centenária do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Para ler os artigos, acesse

ALVES, M. L. Para além de Santarém: os vasos de gargalo na bacia do rio Trombetas. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. [online]. 2018, vol.13, n.1, pp.11-36. ISSN 1981-8122. [viewed 8 June 2018]. DOI: 10.1590/1981.81222018000100002. Available from: http://ref.scielo.org/7m5956

SCOPEL, D., DIAS-SCOPEL, R. and LANGDON, E. J. A cosmografia Munduruku em movimento: saúde, território e estratégias de sobrevivência na Amazônia brasileira. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. [online]. 2018, vol.13, n.1, pp.89-108. ISSN 1981-8122. [viewed 8 June 2018]. DOI: 10.1590/1981.81222018000100005. Available from: http://ref.scielo.org/wnypsf

TORRES, A. M. As mulheres novo-hispanas do Convento da Encarnação (Cidade do México) por meio das suas contas de vidro. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. [online]. 2018, vol.13, n.1, pp.37-68. ISSN 1981-8122. [viewed 8 June 2018]. DOI: 10.1590/1981.81222018000100003. Available from: http://ref.scielo.org/txz3d4

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

BELTRÃO, G. F. Cultura ancestral para entender a Amazônia de ontem e de hoje [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/06/13/cultura-ancestral-para-entender-a-amazonia-de-ontem-e-de-hoje/

 

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