Diversidade sexual e de gênero no contexto do capitalismo mundializado

Mariangela Belfiore Wanderley, Professora associada e Docente da Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil

Maria Inês Souza Bravo, Doutora e Pós-doutora em Serviço Social, Professora aposentada da UFRJ, Professora associada da UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Maria Lucia Martinelli, Doutora em Serviço Social, Docente da Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-SP, São Paulo, SP, Brasil

Pensar o gênero é um desafio que se coloca tanto para produção acadêmica resultante de pesquisas, quanto para o exercício profissional, num constante diálogo com o serviço social. Os autores que estão presentes neste número de Serviço Social & Sociedade (n. 132), trazem essa dupla dimensão expressa em seus vários artigos.

A partir da ampla temática da diversidade sexual e de gênero, são abordados diversos temas. Para Mirla Cisne, em “Feminismo e marxismo: apontamentos teórico-políticos para o enfrentamento das desigualdades sociais” a discussão ocorre por meio da relação entre feminismo e marxismo. Em seu artigo, Cisne informa que o feminismo marxista oferece o método de análise para desvelar com criticidade e em uma perspectiva de totalidade, a construção histórica das opressões e explorações consubstanciada pelas relações sociais de classe, raça e sexo, condição fundamental para fundamentar a teoria e a ação revolucionárias. A defesa do feminismo marxista é premente em um momento em que as transformações contemporâneas exigem organização política para fazer frente à barbárie capitalista e a agudização da questão social. Além disso, tem crescido o chamado “feminismo culturalista”, rejeitando-se “uma análise sistêmica, anticapitalista e a relação entre a história da cultura e a construção de significados em um sistema social de classes” (HENNESY et al apud CASTRO; LAVINAS, 1992, p. 102). A relação entre feminismo e marxismo, fundamental para o Serviço Social, uma vez que a profissão possui o compromisso com a emancipação humana contra todas as formas de opressão, preconceitos e explorações. A autora vem se destacando pelas suas pesquisas sobre o feminismo, marxismo, consciência de classe, gênero, divisão sexual do trabalho e Serviço Social (CISNE, 2014).

No artigo “O movimento feminista na produção acadêmica dos cursos de pós-graduação em Serviço Social” de Maria Lúcia Duriguetto e Verônica Medeiros Alagoano, apresenta-se o debate feminista desenvolvido no campo da tradição marxista. Tendo em vista as divergentes correntes teóricas que sustentam o feminismo, a escolha do marxismo se deu pela fundamental contribuição, desta tradição, para a emancipação das mulheres, perspectiva que não é constatada no feminismo liberal e pós-moderno (e outras correntes). As autoras constatam que apesar da recorrência e do desenvolvimento dos conceitos e categorias que balizaram e vem balizando o debate do feminismo constatamos, ainda, uma fragilidade e/ou imprecisão teórica na maioria das produções acadêmicas. Assim, faz-se necessária a ampliação da produção que aborda o movimento feminista, suas lutas e desafios contemporâneos, preocupação que também pode ser observada no planejamento das atividades do Grupo temático de Pesquisa.

Os textos que seguem vão abordar outros aspectos como o movimento feminista na produção acadêmica dos cursos de pós-graduação em Serviço Social, como a análise nos documentos do CFESS sobre as lutas feministas; a mediação de conflitos relacionados à violência doméstica de gênero tem sido uma opção inovadora no tratamento das questões de violência, o direito reprodutivo como um direito específico da mulher, a coisificação da mulher revelam a multiplicidade de facetas que devem ter cada vez maior visibilidade. Além disso, este número conta com uma brilhante entrevista do professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Paulo Netto – professor, intelectual marxista, comunista e assistente social em reconhecimento e celebração aos seus 70 anos de vida e 50 anos de trajetória e produção intelectual, militância e de uma vida intensa de lutas.

Por fim, esta edição é dedicada à temática das mulheres que faz uma homenagem à Marielle pela sua trajetória de luta que foi assassinada quando o editorial deste periódico estava sendo elaborado. Sua morte teve uma repercussão nacional e internacional pela violência como aconteceu e pelas características de o crime indicarem ter sido uma execução, num momento em que o Rio de Janeiro está sob intervenção militar.

Referências

CASTRO, M. G. and LAVINAS, L. “Do Feminino ao Gênero: a construção de um objeto” In: COSTA, Albertina de Oliveira; BRUSCHINI, Cristina. Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

CISNE, Mirla. Feminismo e consciência de classe no Brasil. São Paulo: Cortez, 2014.

Para ler os artigos, acesse

Serv. Soc. Soc.  no.132 São Paulo May/Aug. 2018

Link externo

Serviço Social & Sociedade – SSSCO: www.scielo.br/sssco

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BRAVO, M. I. S., MARTINELLI, M. L. and WANDERLEY, M. B. Diversidade sexual e de gênero no contexto do capitalismo mundializado [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/07/24/diversidade-sexual-e-de-genero-no-contexto-do-capitalismo-mundializado/

 

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