Qual a prevalência do consumo de álcool e tabaco em idosos?

Rafael Vera Cruz de Carvalho, assistente editorial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Barbosa e colaboradores, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), no artigo “Prevalência e fatores associados ao consumo de álcool e de tabaco em idosos não institucionalizados”, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RBGG, v. 21, n. 2), encontraram uma prevalência de 5,4% no uso de álcool, de 9% para tabaco e de 3,2% para o uso de ambos, pelos idosos. Pouco mais de um quarto (26,7%) ingerem bebidas alcoólicas e 78,6% usam de uma a duas doses. Mais da metade dos idosos (58,3%) fuma há cerca de 30 a 50 anos, 70% diz que o primeiro cigarro da manhã é o mais satisfatório (para 40%, esse primeiro é fumado entre seis e 30 minutos depois de acordar). Apresentaram alto grau de dependência da nicotina 23,3% dos participantes.

Associado a esses hábitos em geral, o perfil do idoso que se apresentou foi do sexo masculino, mais jovem e frágil. Especificamente, para o tabagismo, foi mais frequente o idoso homem, na faixa dos 60 a 70 anos. Para o consumo de bebidas alcoólicas, houve distribuição nas faixas etárias e a maioria se encontra fora da faixa de risco para consumo nocivo. Este estudo contribui para a literatura por investigar esses dados especificamente em idosos. Além disso, há evidências de forte associação entre o consumo de ambas drogas lícitas por idosos (SENGER et al., 2011), no entanto, são poucas pesquisas sobre as tendências e consequências. O consumo de ambas predispõe o indivíduo a alterações visuais e cognitivas, levando a sofrimento pessoal e familiar.

A amostra utilizada foi representativa da região da Zona Norte da cidade de Juiz de Fora (MG), com 400 idosos. Além de outras questões relacionadas às características sociodemográficas (ex.: sexo, idade, escolaridade etc.), à saúde do idoso (morbidades auto referidas, fragilidade, sugestão de ansiedade e/ou depressão e quedas) e ao serviço de saúde (uso do Sistema Único de Saúde, plano de saúde, satisfação com o serviço médico de saúde,realização de consulta médica / internação / atendimento de emergência nos últimos três meses), os autores usaram os testes Fagerstrom e Audit-C para avaliar o consumo de tabaco e álcool, respectivamente.

Os pesquisadores sugerem que haja planejamento para que políticas de prevenção e intervenção abordem de forma integral a saúde dos idosos, com o objetivo de diminuir o tabagismo e o alcoolismo e evitar seus malefícios.

Esperamos que a leitura deste e dos demais artigos do número 2 de 2018 seja muito proveitosa e suscite reflexões sobre os cuidados relativos à dependência de álcool e tabaco por idosos.

Referências

SENGER, A. E. V. et al. Alcoolismo e tabagismo em idosos: relação com ingestão alimentar e aspectos socioeconômicos. Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]., v. 14, n. 4, p. 713-719, 2011. ISSN 1809-9823. [viewed 8 August 2018] DOI: 10.1590/S1809-98232011000400010. Available from:  http://ref.scielo.org/ks8v9m

Para ler os artigos, acesse

BARBOSA, M. B., PEREIRA, C. V., CRUZ, D. T. and LEITE, I. C. G. Prevalence and factors associated with alcohol and tobacco use among non-institutionalized elderly persons. Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2018, vol.21, n.2, pp.123-133. ISSN 1809-9823. [viewed 8 August 2018].  DOI: 10.1590/1981-22562018021.170185. Available from: http://ref.scielo.org/9rgcf3

Link externo

Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia – RBGG: www.scielo.br/rbgg

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

CARVALHO, R. V. C. Qual a prevalência do consumo de álcool e tabaco em idosos? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/08/qual-a-prevalencia-do-consumo-de-alcool-e-tabaco-em-idosos/

 

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