urbe traz discussões sobre Planejamento Urbano e Regional, Mobilidade e Transportes e Moradia

Demian Barcellos, doutorando no Programa de Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e membro do corpo auxiliar da urbe, Curitiba, PR, Brasil

A urbe (v. 10, n. 3), traz 15 artigos selecionados no fluxo contínuo. Os temas abordados na edição são: Planejamento Urbano e Regional, Mobilidade e Transportes, Moradia, Planejamento Ambiental e Espaços Públicos.

O primeiro grupo de artigos é da temática mais recorrente nesta edição do periódico, referente ao tema “Planejamento Urbano e Regional”, formado por cinco artigos. Em “O caso do Complexo Paraisópolis em gestões: diferenças conceituais em programas de intervenção em favelas em São Paulo”, de Maziviero e Silva, foi possível “perceber dificuldades e fragilidades envolvidas na dinâmica de intervenção em assentamentos precários, uma vez que muitos projetos representam, na prática, despejos forçados por constituírem ações incompletas. Por meio da análise de Paraisópolis, discutem-se os maiores impasses, os limites e as implicações sociais que limitam a eficácia dos programas de intervenção em favelas, o que ainda são questões extraterritoriais, majoritariamente políticas” (MAZIVIERO; SILVA, 2018, p. 500). Foram analisadas as intervenções urbanísticas do poder público da cidade de São Paulo entre 2001 e 2016, as gestões de Marta Suplicy (2001-2004), José Serra (2005-2006), Gilberto Kassab (2006-2012) e Fernando Haddad (2013-2016).

No artigo “Cenários prospectivos para o desenvolvimento regional em Bolivar, Colômbia: estudo de Grande Visão 2014-2064″, de Silva, “sob a premissa de como a política pública pode contribuir para a tomada de decisões sobre a consolidação do sistema urbano-regional, integração físico-produtiva, conectividade e mobilidade social no departamento de Bolivar, Colômbia, desde o planejamento com um horizonte de 50 anos, o estudo determina as recomendações estratégicas necessárias para seu posicionamento competitivo antes das regiões mais desenvolvidas no país” (SILVA, 2018, p. 521). Enquanto o artigo “Planejamento urbano flexível na cidade contemporânea: contribuições a partir da análise do Plano 22@ Barcelona”, de Gadens e Bel, analisou o Plano 22@ de Barcelona, que objetivou a reconversão de um tecido industrial em um setor de inovação, mostrando que este teve importantes contribuições à gestão urbana ao exemplificar a prática de transformação territorial.

Finalizando a temática, “Planejamento Urbano e Regional” apresentam mais dois artigos. O artigo “Desenvolvimento urbano em áreas de fronteira: o caso do Itaim Paulista” de Koury e Cavallari, buscou responder à questão, como a política de adensamento da cidade de São Paulo que propôs o aumento da área construída em regiões específicas da cidade, para aproximar trabalho e moradia, tem funcionado nas áreas periféricas da cidade? Enquanto o artigo de Silva e colaboradores, “Conflitos interescalares: o local e o metropolitano na gestão do território”, buscou entender como a disputa por projetos territoriais tem considerado o conflito interescalar, articulando o Planejamento e a Gestão, na Região Metropolitana de Natal, RN, Brasil, na década (2006-2016).

O próximo grupo de artigos são aqueles que discutem “Mobilidade e Transportes”, composto por quatro artigos. De Bittencourt, Valente e Lobo “Apresentando um novo modelo para controle de acesso de veículos de carga rodoviária em portos brasileiros por meio da tecnologia de identificação por radiofrequência” mostra um possível modelo para controlar acesso e também otimizar o embarque de cargas nos portos brasileiros. Enquanto no artigo de Dias e outros autores, “As cidades brasileiras estão preparadas para desenvolver um plano eficiente de mobilidade urbana de carga?” foi investigado a partir de um significativo levantamento de dados, das cidades do estado de SP, os recursos disponíveis para planejar os Planos de Mobilidade Urbana, as soluções para a movimentação de cargas e as percepções de gestores públicos sobre o transporte de carga.

Ainda na temática de “Mobilidade e Transportes”, o artigo “Índice de acessibilidade para comparação dos modos de transporte privado e coletivo”, de Bracarense e Ferreira, apresenta e verifica a aplicabilidade de um índice para comparar a acessibilidade dos modos de transporte privado e coletivo, elaborado pelos autores pela análise de índices de estudos anteriores. E finalizando esta temática o artigo “Entropia na periurbanização: desigualdade no acesso às infraestruturas de transportes em Tonalá, México”, de Lara, Pérez e Quevedo, sugere que há falta de concepção sistêmica no processo de planejamento, o que está gerando custos e tempo excessivos na mobilidade periurbana.

O próximo grupo de artigos discutem a questão da “Moradia”, compostos por três artigos. No artigo a “Financeirização da moradia e segregação socioespacial: Minha Casa, Minha Vida em São José dos Campos, Taubaté e Jacareí/SP”, de Alvarenga e Reschilian, é abordado o processo de internacionalização do capital financeiro no Brasil posterior a 1990, o período chamado de neoliberal, e a política habitacional da fase neodesenvolvimentista, de 2002 à 2016, por intermédio da produção de moradia pelo Programa Federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Já o artigo de Rodríguez, Rodríguez e Zapata “Mulheres, imigrantes e jovens: meios informais de acesso à habitação na cidade”, buscou avaliar a hipótese, se os perfis sociais mais vulneráveis e excluídos do acesso à habitação são aqueles que configuram o mercado informal de alugar quartos em favelas. Isso por meio da análise do perfil socioeconômico do arrendatário, às condições de permanência nos locais alugados e às características assumidas pela dinâmica comercial dos envolvidos, no caso da Cidade Autônoma de Buenos Aires. E o último artigo que discute a questão da Moradia é “Análise teórica para desvendar o lento aceite da recente verticalização residencial em San José, Costa Rica”, de autoria de Acosta. Nele é analisado o surgimento e evolução do mercado imobiliário costarriquenho concluindo que apesar de existirem outros fatores, o forte vínculo com a terra é um dos motivos principais do lento aceite dos novos empreendimentos verticais.

Ainda são publicados dois artigos referentes a temática de “Planejamento Ambiental” e um sobre o “Espaços Públicos”. Em “Áreas de inundação no trecho paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul e nascentes do Cadastro Ambiental Rural”, de Coutinho e colaboradores foram associadas e avaliadas as áreas de risco de inundações urbanas e nascentes, propondo ações para a mitigação das inundações na região estudada. No artigo “Planejamento e orçamento municipal de Teresina para o crescimento econômico e meio ambiente no período de 2014 a 2016”, de Nascimento e Gomes, foi analisada a incorporação do paradigma da sustentabilidade urbana aos instrumentos de planejamento urbano por meio diretrizes do plano diretor e da provisão e a execução orçamentária. E, finalizando, o artigo “Da acumulação à apropriação: uma reflexão sobre o espaço público na cidade contemporânea”, de autoria de Morente, traz uma importante reflexão sobre o espaço público das cidades. O artigo “intenta uma contribuição teórica conectando território, cidade e espaço público, a fim de aprofundar o conhecimento sobre esse último. Para fazer isso, passamos por três escalas diferentes: começamos a partir da instrumentalização global do território em busca da acumulação, falamos da fragmentação da cidade e da dissolução da identidade urbana e, finalmente, das pressões sobre o espaço público” (MORENTE, 2018, p. 650).

Para ler os artigos, acesse

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.10 no.3 Curitiba Sept./Dec. 2018

Links externos

urbe – URBE: www.scielo.br/urbe

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

BARCELLOS, D. urbe traz discussões sobre Planejamento Urbano e Regional, Mobilidade e Transportes e Moradia [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/09/17/urbe-traz-discussoes-sobre-planejamento-urbano-e-regional-mobilidade-e-transportes-e-moradia/

 

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