Dança, performance e gênero

Marcelo de Andrade Pereira, Professor, editor associado, Santa Maria, RS, Brasil

Se há dois aspectos, dentre tantos outros, fundamentais para se compreender a pesquisa em artes cênicas e a temática decolonial, podemos dizer que o primeiro deles diz respeito ao fato de que boa parte da pesquisa na área se auto intitula “pesquisa em poéticas” (BRITES; TESSLER, 2002). Isso significa que estamos diante de um tipo de pesquisa na qual o pesquisador coincide com o artista. Dizendo de outra forma, é a partir de seu próprio processo de criação que a pesquisa se concretiza. Assim, não estamos diante de uma pesquisa “sobre” arte, mas “em” arte, ou seja, o próprio modo de criação é a pesquisa. Essa perspectiva está ligada à perspectiva decolonial, pois, uma vez mais, coloca os artistas no lugar de fala (e de ação/intervenção) da produção de conhecimento e não mais (ou não apenas) como objetos de estudo por especialistas não artistas.

O segundo aspecto diz respeito aos temas caros ao processo de resistência, à subalternidade e aos preconceitos de todos os tipos (QUIJANO, 2005). Aqui, nas pesquisas por este campo, as relações e questões de gênero têm sido centrais. Elas mostram, por exemplo, que gênero, entre outras possibilidades, não é categoria naturalizada e como construção social pode e deve ser tomado como dispositivo político do corpo.

Esses dois aspectos e alguns outros são centrais no estudo “Representando o hífen”, publicado na Revista Brasileira Estudos da Presença (v. 8, n. 4), da pesquisadora e artista neozelandesa Miki Seifert, que trabalha especificamente com a dança Butô. Na sequência, ela apresenta seu trabalho de pesquisa e mostra imagens do espetáculo, objeto de seu artigo.

Referências

BRITES, B. and TESSLER, E. O meio como ponto Zero. Porto Alegre: UFRGS, 2002.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 116-142.

Para ler o artigo, acesse

SEIFERT, M. Performing the Hyphen. Rev. Bras. Estud. Presença [online]. 2018, vol.8, n.4, pp.691-718. ISSN 2237-2660. [viewed 11 October 2018]. DOI: 10.1590/2237-266078758. Available from: http://ref.scielo.org/5ndj5n

Link externo

Revista Brasileira de Estudos da Presença – RBEP: www.scielo.br/rbep

Sobre Marcelo de Andrade Pereira

Marcelo de Andrade Pereira

Marcelo de Andrade Pereira

Marcelo de Andrade Pereira é doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professor permanente do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria, RS, atuando na área de artes e filosofia. Tem experiência na área de Filosofia — com ênfase em Estética — e Educação. Atua nos seguintes temas: educação estética, pedagogia crítico-performativa, dança-teatro e performance. É bolsista de Produtividade do CNPq. E-mail: marcelo.pereira@ufsm.br

 

Sobre Miki Seifert

Miki Seifert

Miki Seifert

Miki Seifert é diretora artística de With Lime (companhia interdisciplinar de artes de Wellington). Bolsista da New Zealand International Doctoral Research Scholarship e recebedora do Victoria Postgraduate Research Excellence Award, concluiu seu doutorado na Te Kawa a Māui/School of Maori Studies da Victoria University de Wellington em 2011. Cresceu em Bethlehem, Pensilvânia, tendo sido atleta de ginástica e trapezista de circo. E-mail: mikiseifert@withlime.co.nz

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PEREIRA, M. A. Dança, performance e gênero [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/10/25/danca-performance-e-genero/

 

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