Pesquisa analisa a visão dos jovens acerca dos partidos ecológicos brasileiros

ANTONIO TEIXEIRA DE BARROS, CEFOR – Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação do Centro de Formação da Câmara dos Deputados, Brasília-DF, Brasil.

ISABELE MITOZO, Professora da Universidade Federal do Maranhão, Imperatriz-MA, Brasil.

O artigo “A Percepção e o Discurso de Jovens Brasileiros sobre os Partidos Ecológicos” escrito por Antonio Barros (CEFOR-Câmara dos Deputados) e Isabele Mitozo (UFMA) apresenta um estudo exploratório acerca das percepções e dos discursos da juventude sobre os partidos políticos de orientação ecológica, no Brasil, buscando compreender como essas legendas são vistas pelos jovens e como essa parcela da sociedade se caracteriza em relação ao voto nessas agremiações. Nesse sentido, a pesquisa tem como base a discussão da relação entre juventude, meio ambiente e política, e realiza um panorama sobre os partidos ecológicos no Brasil. A agenda política orientada pelo pós-materialismo tornou-se muito relevante nos países europeus mais desenvolvidos e essa agenda contribuiu para fortalecer posteriormente os partidos verdes em vários países, como o Brasil. Desse modo, os pesquisadores identificaram que haveria uma lacuna na literatura quanto ao conhecimento e à visão dos jovens, tradicionalmente mais conectados com pautas ambientais, em relação às legendas intituladas ecológicas, no Brasil.

O material empírico é constituído de um survey aplicado a mais de 700 jovens eleitores, entre 16 e 29 anos. Para chegar a esses indivíduos, os pesquisadores recorreram, inicialmente, aos professores constantes de suas redes de contato. Esses professores foram solicitados a indicar até dez outros professores de suas respectivas redes, e assim sucessivamente. No total, foram arregimentados como colaboradores cerca de 150 professores de 85 instituições, das cinco regiões geográficas do país. Na sequência, os professores colaboraram com a divulgação do link da pesquisa entre seus alunos. Cada docente foi convidado a solicitar respostas de até quatro estudantes de sua turma, com perfis variados. A limitação em até quatro discentes por turma teve como objetivo evitar a concentração geográfica da amostra, permitindo, assim, maior abrangência de perfis dos respondentes.

Imagem: Mika Baumeister.

Os resultados da análise mostram que, dentre os respondentes, 29,15% afirmaram não conhecer os três partidos em foco (PV, PEN, REDE), ao ponto que 29,72% responderam que os identificam. Mais do que isso, 40% dos respondentes afirmaram que sabem da existência dos partidos, embora não lembrassem os nomes das legendas. Quanto às propostas desses partidos, elas são relativamente conhecidas entre os jovens, pois 69,58% responderam que as conheciam “sim” ou “em parte”; todavia, essa percentagem reduziu significativamente quando foi pedido que eles avaliassem as propostas das legendas. Nesse sentido, era natural que a identidade dos partidos fosse reconhecida com mais dificuldade pelos participantes: apenas 53% deles conseguiram apresentar sua percepção acerca de semelhanças e diferenças entre os partidos. Isso acaba levando ainda menos jovens a votarem nesses partidos, ação realizada por 43,24% dos respondentes. Quando cruzadas variáveis socioeconômicas com o conhecimento dos partidos, das propostas e voto nas legendas, percebe-se que quanto mais se conhecem os partidos e as propostas, maior a tendência a direcionar votos a essas legendas. Entretanto, quanto às características socioeconômicas, apenas faixa etária e escolaridade estão significativamente associadas de forma direta ao voto em partidos ecológicos.

Pode-se concluir a partir da investigação apresentada no artigo que os jovens informantes tomam conhecimento sobre as propostas dos partidos ecológicos por meio de outros jovens de seu ciclo de amizades que divulgam e compartilham informações sobre os partidos nas redes sociais digitais. Além disso, os jovens respondentes destacam o papel dessas legendas no estímulo ao debate político sobre a agenda ambiental, mas identificam um debate dissociado de um plano de ação, que seria, portanto, vazio, e só apresentaria finalidade estratégica de conquistar votos. Tais percepções indicam uma rejeição ao ambientalismo acidental ou circunstancial, isto é, quando partidos ou candidatos mostram-se interessados em questões ambientais, mas sem coerência com sua trajetória ou atuação na política.

Para ler o artigo, acesse

BARROS, A.T. and MITOZO, I. A Percepção e o Discurso de Jovens Brasileiros sobre os Partidos Ecológicos. Dados [online]. 2021, vol.64, no.01 [viewed 24 September 2021]. https://doi.org/10.1590/dados.2021.64.1.226. Available from: http://ref.scielo.org/7bsrkp

Links externos

Antonio Teixeira de Barros: https://inctdd.org/pesquisador/antonio-teixeira-de-barros/

Dados – Revista de Ciências Sociais – DADOS: www.scielo.br/dados

Isabele Mitozo: https://sigaa.ufma.br/sigaa/public/docente/producao.jsf?siape=3156782&lc=pt_BR

Página Institucional do Periódico: http://dados.iesp.uerj.br/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BARROS, A. T. and MITOZO, I. Pesquisa analisa a visão dos jovens acerca dos partidos ecológicos brasileiros [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2021 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2021/09/27/pesquisa-analisa-a-visao-dos-jovens-acerca-dos-partidos-ecologicos-brasileiros/

 

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