Entrevista com o Prof. Dr. Sadao Omote sobre a Revista Brasileira de Educação Especial – RBEE

Aline Maira da Silva, Editora-adjunta da Revista Brasileira de Educação Especial, Professora e Pesquisadora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados, MS, Brasil

Logo da Revista Brasileira de Educação EspecialO Prof. Dr. Sadao Omote é um dos mais prestigiados pesquisadores brasileiros no campo da Educação Especial. Tem experiência na área de Educação e Psicologia, com ênfase em Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: educação especial, inclusão, construção social da deficiência, atitudes sociais frente à inclusão, família da pessoa com deficiência, percepção social, formação de professores e produção do conhecimento. Faz parte do corpo editorial da Revista Brasileira de Educação Especial (RBEE) desde 1992.

Sua atuação como docente e pesquisador influenciou algumas gerações de estudantes, professores e profissionais e ainda inspira todos aqueles que estão envolvidos com o campo da Educação Especial. Recentemente, o professor presenteou os seus leitores com a publicação da Coleção Sadao Omote, organizada por ele e pelo Prof. Dr. Leornardo Santos Amâncio Cabral, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Entre os mais de 70 artigos científicos nos quais o Prof. Dr. Sadao Omote tem autoria, 19 foram publicados pela RBEE ao longo dos 33 anos de história do periódico. Foi convidado para esta entrevista não apenas por sua contribuição para o fortalecimento da RBEE, mas também por sua importância para o campo da Educação Especial no Brasil.

 

Fotografia do Professor Dr. Sadao Omote

 

[Aline Maira da Silva – AMS] Qual foi o contexto que propiciou a criação da RBEE?

[SADAO OMOTE – SO] Na verdade, é preciso iniciar o relato destacando a criação da Revista Educação Especial, à época denominada Cadernos de Educação Especial, da Universidade Federal de Santa Maria (USFM), no ano de 1986, que é o periódico científico mais antigo da área aqui no Brasil. Nós tínhamos dois periódicos na época, um editado pela Federação Nacional de Associações Pestalozzi e o outro pela Federação Nacional das APAEs, mas não eram considerados periódicos científicos. Então a Revista Educação Especial foi pioneira na publicação de textos científicas sobre Educação Especial.

Antes disso, os pesquisadores do campo da Educação Especial publicavam seus artigos em periódicos da área da Psicologia e da Educação, pois não havia um periódico específico. No entanto, acreditávamos que, como campo específico, com características particulares, precisávamos de um periódico especializado para divulgar as nossas pesquisas.

[AMS] Qual foi o processo de criação da RBEE?

[SO] Em 1992, a RBEE foi criada a partir de um esforço coletivo. O objetivo era ter um veículo por meio do qual os estudos dos pesquisadores do campo da Educação Especial pudessem ter seus trabalhos publicados e divulgados. A criação da Associação Brasileira de Educação Especial (ABPEE) foi no ano seguinte. O processo, na verdade, foi inverso ao que geralmente ocorre, pois, o mais comum, é haver a fundação de uma entidade e, posteriormente, a criação do periódico. No nosso caso aconteceu o processo contrário. A ABPEE foi fundada em 1993, no Rio de Janeiro, para dar suporte operacional para a RBEE. A proposta de criação da Associação foi feita em um dos Seminários de Educação Especial, evento realizado periodicamente entre os pesquisadores da área. Eu não estava presente na oportunidade, razão pela qual não faço parte da lista de sócios fundadores da ABPEE.

[AMS] Qual é a importância da RBEE para o campo da Educação Especial?

[SO] A ABPEE e a RBEE estão cumprindo muito bem o seu papel, no sentido não apenas de disseminação do conhecimento científico, mas também no sentido de fortalecimento da área de Educação Especial. Trata-se de um periódico científico, cuja publicação depende da aprovação de um conselho editorial. Em vista disso, não é um espaço simplesmente de compartilhamento de experiências. A RBEE tem o papel de promover cientificidade ao campo da Educação Especial.

[AMS] Quais são os desafios a serem enfrentados?

[SO] Eu vejo alguns desafios para a RBEE. Um deles diz respeito aos pareceristas. A avaliação por pares é fundamental. No entanto, nem sempre os pareceristas conhecem a fundo o tema abordado pelo artigo que estão avaliando. Além disso, por trás do anonimato, alguns pareceristas abusam um pouco de sua autoridade, tratam o autor com um certo descaso e destacam apenas os aspectos mais negativos do texto. É por isso que precisamos valorizar o papel da equipe editorial. A função não deve ser a de fazer meramente uma mediação, ou seja, receber os originais, encaminhar aos pareceristas e conduzir o fluxo editorial para a publicação dos artigos. Mais do que isso, a equipe editorial precisa ler o texto para refletir sobre quais pesquisadores teriam condições de avaliar o manuscrito, respeitando a hierarquia de titulação. Por exemplo, um artigo escrito por um professor titular, deve ser avaliado apenas por outros professores titulares, com maior experiência e percurso na área.

Além disso, muitas vezes, os artigos suscitam polêmicas. Neste caso, precisamos inovar. No campo da Educação Especial, temos uma tendência à inovação, costumamos fugir um pouco da tradição. Em vista disso, eu proponho que, nos casos em que exista algum tipo de polêmica quanto à publicação, o manuscrito seja divulgado acompanhado das avaliações recebidas. Por exemplo, eu já tive artigos que foram rejeitados. Eu contestei, mas não tive retorno. Seria interessante publicar o texto com os argumentos para a rejeição, o meu posicionamento como autor, assim como a tréplica dos pareceristas. A ação possibilitaria a criação de um espaço acadêmico maduro de aprendizado e tornaria o processo de avaliação extremamente transparente. Sobretudo os leitores menos experientes poderiam se beneficiar desse debate público.

Por sua vez, os pesquisadores mais experientes da área precisam se comprometer com a avaliação dos artigos para eles encaminhados, principalmente nos casos em que há divergência sobre o aceite ou não do texto submetido. Destaco, finalmente, que a RBEE deve enfrentar os desafios impostos e seguir ampliando a divulgação do conhecimento científico da área em âmbito nacional e internacional.

Links externos

Revista Brasileira de Educação Especial – RBEE

Associação Brasileira de Educação Especial

Coleção Sadao Omote

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SILVA, A.M. Entrevista com o Prof. Dr. Sadao Omote sobre a Revista Brasileira de Educação Especial – RBEE [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2025 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2025/10/13/entrevista-com-o-prof-dr-sadao-omote-sobre-a-revista-brasileira-de-educacao-especial-rbee/

 

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