Rosa Emilia Moraes, jornalista científica para Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil.
Capaz de analisar e associar rapidamente uma enorme quantidade de dados para gerar novas informações, a Inteligência Artificial (IA) generativa revolucionou os mecanismos de busca, as ferramentas de comunicação e os métodos de educação e aprendizado, mas também levantou questões éticas, sociais, epistemológicas e regulatórias que clamam por um debate profundo e multidisciplinar.
Com essa visão, os professores Antônio Zuin da Universidade Federal de São Carlos e Cláudio Almir Dalbosco da Universidade de Passo Fundo, organizaram o dossiê Inteligência Artificial, Ética e Formação, publicado no periódico Educação & Sociedade (vol. 46, e301731, 2025). A coletânea reúne dez artigos assinados por pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras de referência com forte atuação nas áreas de educação, ética e tecnologia, que investigam em vários níveis e sob diversos pontos de vista, o impacto da inteligência artificial generativa na formação humana
Os textos abordam temas como autoria, racionalidade técnica, epistemologia, formação crítica e ética na era da plataformização do ensino, explorando algumas das questões fundamentais a respeito desse novo mecanismo algorítmico: Quais são os riscos e oportunidades trazidos pela IA generativa? Como ela está, de fato, influenciando a maneira como aprendemos, ensinamos e nos relacionamos?

Imagem: Gerada pelo Microsoft Copilot
Sendo a IA uma espécie de tecnologia, ela constitui, como aponta Marcuse (1999), um processo social que reflete os valores, relações e estruturas da sociedade que a produz e utiliza. Não é, portanto, intrinsecamente boa nem ruim: seus efeitos dependem do uso em que será empregada. Se, por um lado, pode ampliar o acesso ao conhecimento e contribuir para a descoberta de novas soluções em áreas como medicina, educação, preservação ambiental e planejamento social, por outro, também pode desumanizar, automatizar relações e propagar ideias preconceituosas que comprometem a emancipação do pensamento humano.
Nesse cenário, o contexto educacional surge como um dos pilares centrais para o uso da IA, que idealmente deve funcionar como ferramenta de formação crítica, capaz de preservar a autonomia intelectual e resistir à lógica da automatização. Como defende Adorno (1971), educar para a emancipação exige cultivar a capacidade de julgamento, a sensibilidade ética e a consciência histórica. Porém, como lidar com esse dispositivo, de modo a evitar que ele se torne um substituto da experiência humana?
Ao reunir múltiplas perspectivas sobre os impactos da inteligência artificial generativa, o dossiê oferece um levantamento crítico abrangente dos caminhos que essa tecnologia vem abrindo na educação, na ética e nas relações humanas. Mais do que entregar respostas prontas, os artigos aprofundam o debate e convidam o leitor a refletir, entre o otimismo e o alerta, sobre o futuro que estamos construindo no presente. Talvez a pergunta mais inquietante seja: o que significa formar seres humanos em um mundo onde máquinas aprendem mais depressa do que nós?
Para ler o dossiê temático, acesse:
Educação & Sociedade, Vol. 46, 2025
Para ler o artigo de apresentação, acesse:
ZUIN, A.A.S. and DALBOSCO, C.A. APRESENTAÇÃO. In: Dossiê Inteligência Artificial, Ėtica e Formação. Educação & Sociedade [online]. 2025, vol. 46, pp. e301731 [viewed 12 December 2025]. https://doi.org/10.1590/ES.301731. Available from: https://www.scielo.br/j/es/a/XNhx4Ffr4vrKcSg4zC7YPKQ/
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