Exclusão digital amplia desigualdades e reduz notas no Enem entre alunos de baixa renda

Daielly Mantovani, Docente da FEA-USP, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Cidades Inteligentes e Sustentáveis (NECIS), São Paulo, SP, Brasil.

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Pesquisa inédita analisou, entre 2015 e 2023, a relação entre o acesso à Internet e computador no ambiente domiciliar e o desempenho de 1,5 milhão de estudantes de baixa renda do 3º ano do ensino médio no Enem. O estudo Exclusão digital e seus impactos sobre a proficiência no ENEM: um estudo com concluintes do ensino médio de baixa renda entre 2015 e 2023, publicado na Educação em Revista (vol. 41, 2025), revela que ter apenas internet em casa gera pequeno aumento na nota, mas a combinação de internet e computador eleva a proficiência em até 23 pontos, com impacto ainda maior durante e após a pandemia de COVID-19. A exclusão digital, portanto, aprofunda as barreiras de acesso à educação superior e ameaça o cumprimento da meta de educação de qualidade prevista no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) quatro da Organização das Nações Unidas (ONU).

O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), utilizou dados públicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e modelos estatísticos para isolar o efeito do acesso domiciliar à internet e ao computador. A investigação evidencia que, mesmo controlando variáveis como renda, gênero, escolaridade dos pais e tipo de escola, o efeito da inclusão digital sobre a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) permanece significativo ao longo dos nove anos analisados.

 

 

Entre os principais achados, destaca-se que, no período pós-pandemia, o ganho médio para estudantes com internet e computador em casa chegou a 21 pontos, contra apenas 6 pontos para quem tinha somente internet. A pesquisa também mostra que meninas, obtêm em média notas mais baixas e têm menos acesso às tecnologias, revelando a sobreposição de desigualdade de gênero e exclusão digital.

Os autores alertam que políticas públicas devem ir além da ampliação da banda larga escolar, garantindo também equipamentos adequados no ambiente domiciliar. Somente assim será possível reduzir as desigualdades educacionais e preparar jovens de baixa renda para uma sociedade cada vez mais digital e impactada pela Inteligência Artificial (IA), reforçando o compromisso brasileiro com a Agenda 2030.

 

 

Para ler o artigo, acesse

RUBIM, J.A.O., MANTOVANI, D. and ALAVARSE, O.M. Exclusão digital e seus impactos sobre a proficiência no enem: um estudo com concluintes do ensino médio de baixa renda entre 2015 e 2023. Educação em Revista [online]. 2025, vol. 41, e59221 [viewed 16 December 2025].  https://doi.org/10.1590/0102-469859221. Available from: https://www.scielo.br/j/edur/a/nsqKRZkLZPtLJgc8yzxR9Hm/

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

MANTOVANI, D. Exclusão digital amplia desigualdades e reduz notas no Enem entre alunos de baixa renda [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2025 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2025/12/16/exclusao-digital-amplia-desigualdades-e-reduz-notas-no-enem-entre-alunos-de-baixa-renda/

 

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