Ilda Renata Andreata Sesquim, Editora de Mídias e Comunicação da Revista História da Historiografia, doutoranda e mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.
O artigo História da Historiografia da Amazônia: os Institutos Históricos e Geográficos do Pará e do Amazonas na construção de um campo historiográfico regional (1917-1951), publicado no periódico História da Historiografia (vol. 18, 2025), analisa como o Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) e o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) atuaram na institucionalização do conhecimento histórico na Amazônia. A pesquisa, conduzida por Lucilvana Ferreira dos Santos Barros, doutora em História Social da Amazônia e professora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), baseou-se em uma análise detalhada de estatutos, decretos, atas, discursos, relatórios de atividades e revistas institucionais, assim como artigos e livros produzidos pelos intelectuais dessas instituições. O estudo, derivado da tese de doutorado defendida em 2023, investigou como os institutos regionais consolidaram uma historiografia própria entre 1917 e 1951, buscando integrar a Amazônia à narrativa nacional e conferir visibilidade à região no contexto pós-crise da borracha.
Lucilvana Ferreira dos Santos Barros utilizou conceitos de Pierre Bourdieu, para compreender a formação do microcosmo intelectual amazônico, e de Michel de Certeau, para analisar o “lugar social” de produção das narrativas. A autora articula a História da Historiografia com a história social regional, explorando como o pensamento histórico produzido no Pará e no Amazonas refletia a atuação da elite letrada diante da crise econômica e dos desafios de afirmar uma identidade amazônica no cenário nacional.
Os resultados mostram que o IHGP e o IGHA não apenas reproduziram modelos nacionais, como o do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas desenvolveram características próprias, criando um campo historiográfico regional e profissionalizando a produção histórica. As revistas institucionais funcionaram como veículos de legitimidade e especialização disciplinar, permitindo a difusão de narrativas de origem, mitos de fundação e heróis locais, como Pedro Teixeira e Ajuricaba. O estudo revela ainda que esses institutos atuaram como espaços de poder político e reconhecimento intelectual para as elites amazônicas, influenciando a forma como a região passou a ser percebida pelos centros intelectuais do Sul do país.
Entre as conclusões, a pesquisa destaca que a história produzida pelos institutos visava fornecer exemplos cívicos e morais à sociedade, consolidando a Amazônia como parte integrante da nação e estabelecendo marcos cronológicos e personagens que ainda hoje definem sua identidade histórica. O estudo evidencia o legado duradouro dessas instituições na construção do pensamento social regional e aponta para novos caminhos de pesquisa sobre a história e historiografia da Amazônia, considerando as relações entre poder, memória e produção intelectual.
Para ler o artigo, acesse
BARROS, L.F.S. História da Historiografia da Amazônia: os Institutos Históricos e Geográficos do Pará e do Amazonas na construção de um campo historiográfico regional (1917-1951). História da Historiografia [online]. 2025, vol. 18, e2151 [viewed 02 April 2026]. https://doi.org/10.15848/hh.v18.2151. Available from: https://www.scielo.br/j/hh/a/47xmqvgCWctcYYr66WBGZpD/
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História da Historiografia (HH) – SciELO
História da Historiografia – Site institucional
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