Estudo sobre a unidade afeto cognição no ensino superior durante a pandemia

Dra. Ana Paula Barbosa, pedagoga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Sociedade e Políticas Públicas (GEPESPP) e do Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico (LEDEP), São Paulo, SP, Brasil.

Profa. Dra. Maria Eliza Mattosinho Bernardes, docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH/USP) e da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), pesquisadora da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do Instituto de Estudos Avançados da USP e líder do GEPESPP e do LEDEP, São Paulo, SP, Brasil.

Logo do periódico Educação e PesquisaA migração emergencial do ensino presencial para o remoto durante a pandemia de COVID-19 transformou o cotidiano das universidades e as formas de ensinar e aprender. Realizado por pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), o estudo analisou, entre março e abril de 2021, como professores e estudantes do ensino superior vivenciaram essa mudança por meio de grupos focais on-line, questionários, relatos escritos e análise documental.

A investigação buscou compreender como emoções, pensamentos e ações que emergiram diante das novas condições pedagógicas mediadas por tecnologias digitais. Os resultados mostram que os principais desafios do ensino remoto não foram apenas técnicos, mas relacionados à organização da atividade pedagógica, evidenciando a indissociabilidade entre afetividade e cognição nos processos de ensinar e aprender. O artigo intitulado Estudo da relação entre afeto e cognição na migração do ensino presencial para o remoto foi publicado no periódico Educação e Pesquisa (vol. 52, 2026)

A pesquisa integra estudos voltados à compreensão da atividade pedagógica como processo formativo e relacional. Fundamentado no enfoque histórico-cultural, o trabalho parte do princípio de que as dimensões afetiva, cognitiva e volitiva são inseparáveis no processo pedagógico e no desenvolvimento humano. O interesse investigativo emergiu das tensões vividas por docentes e estudantes durante o período pandêmico, quando a mera transposição do ensino presencial para o on-line mostraram-se insuficientes para responder às demandas educacionais — questão amplamente discutida em pesquisas realizadas no Brasil e em outros países.

 

 

Os resultados indicam que o ensino remoto intensificou desafios já presentes na educação superior, tornando mais evidente a centralidade das relações sociais nos processos educativos. Professores relataram insegurança, sobrecarga e dúvidas sobre a própria eficácia pedagógica, enquanto estudantes apontaram sentimentos de isolamento e dificuldades para manter o engajamento nos estudos. Ao mesmo tempo, emergiram estratégias colaborativas, adaptações didáticas e novas formas de interação que favoreceram a continuidade da aprendizagem.

Para a área da Educação, o estudo reforça que processos pedagógicos não se sustentam apenas na disponibilidade tecnológica, mas da organização intencional do ensino e da qualidade das relações interpessoais entre sujeitos em atividade. Em termos sociais, os achados ajudam a compreender por que experiências educacionais mediadas por tecnologias exigem políticas institucionais, formação docente e condições coletivas que considerem simultaneamente dimensões cognitivas, volitivas e afetivas.

As análises realizadas permitem compreender que as transformações vividas por professores e estudantes durante a pandemia não constituem apenas uma experiência excepcional, mas revelam desafios permanentes para a educação superior contemporânea. A pesquisa aponta a necessidade de fortalecer a formação docente voltada à organização da atividade pedagógica no ensino superior, ampliar o planejamento institucional dos processos educativos digitais e reconhecer que ensinar envolve dimensões técnicas, cognitivas e afetivas inseparáveis.

Como projeção futura, o estudo sugere aprofundar investigações sobre a organização da atividade pedagógica em contextos híbridos e tecnologicamente mediados, considerando não apenas a inovação tecnológica, mas as condições humanas que sustentam a aprendizagem. Nesse sentido, a experiência do ensino remoto deixa como legado a compreensão de que o desenvolvimento educacional depende da organização consciente da atividade pedagógica e da construção de relações formativas capazes de integrar rigor acadêmico e sensibilidade humana.

Para ler o artigo, acesse

BARBOSA, A.P. and BERNARDES, M.E.M. Estudo da relação entre afeto e cognição na migração do ensino presencial para o remoto. Educação e Pesquisa [online]. 2026, vol. 52, e.301667 [viewed 26 June 2026]. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202652301667por. Available from: https://www.scielo.br/j/ep/a/xNW5cS3krMWFtrLQMcr3Dkq/

Links externos

Educação e Pesquisa – EP

Educação e Pesquisa – Revista da Faculdade de Educação da USP

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Grupos de pesquisa das pesquisadoras:  GEPESPP – LEDEP

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BARBOSA, A.P. and BERNARDES, M.E.M. Estudo sobre a unidade afeto cognição no ensino superior durante a pandemia [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/06/26/estudo-sobre-a-unidade-afeto-cognicao-no-ensino-superior-durante-a-pandemia/

 

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