Prof. Juliana C. Pasqualini, Faculty of Education, Monash University, Melbourne, Victoria, Australia/ Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar, Unesp, Araraquara, São Paulo, Brasil.
Do que brincam as crianças? Que temas e modelos de relações sociais reconstituem ludicamente nas situações imaginárias que constroem coletivamente? O artigo A unidade conteúdo-forma na Psicologia do Jogo, ora publicado pelo periódico Educação em Revista (vol. 40, 2025), focaliza o problema do conteúdo social das brincadeiras infantis.
O texto resulta da articulação de dois projetos de iniciação científica realizados por Amanda Marques Ramalho e Marina Nascimento de Sousa sob minha orientação. Ambas foram bolsistas PIBIC durante a graduação em Psicologia na Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus Bauru, e desenvolveram estudos de natureza teórico-conceitual e bibliográfica debruçando-se sobre a brincadeira de papéis como atividade-guia do desenvolvimento psíquico na idade pré-escolar, à luz da psicologia histórico-cultural.
Considerando que a pesquisa contemporânea sobre o brincar tende a focalizar a forma lúdica, dedicando tratamento secundário à dimensão do conteúdo, o manuscrito resgata e destaca a centralidade do conteúdo do jogo, evidenciando que o princípio da unidade conteúdo-forma se mostra estruturante da abordagem científica sobre o brincar sintetizada por D.B. Elkonin em sua obra máxima: “Psicologia do Jogo”.

Imagem: Pexels
O objetivo do estudo foi investigar, na obra em questão, o tratamento dado à problemática do conteúdo da brincadeira protagonizada infantil, examinando como se dá a articulação entre a forma (estrutura) da atividade de jogo protagonizado e os conteúdos históricos das relações sociais reconstituídos na ação lúdica infantil, tendo em vista a formação ético-política da atividade-consciente.
Uma síntese dos resultados do trabalho de análise sistemática da obra em questão é apresentada o artigo com base em quatro eixos de análise: i) contexto histórico e projeto de sociedade; ii) método de conhecimento da realidade; iii) concepção de formação humana (relação indivíduo-sociedade); e iv) práxis pedagógica. Advoga-se a centralidade do conteúdo como premissa que se evidencia a partir dos quatro eixos analíticos, trazendo importantes implicações para o trabalho educativo na infância.
Uma das contribuições centrais do artigo consiste em explicitar a dimensão dos valores ético-políticos que se reconstituem na atividade lúdica infantil, refletindo sobre suas implicações no processo de desenvolvimento da consciência e da personalidade. A problemática fundamental reside na compreensão de que o desenvolvimento da brincadeira de papéis está condicionado à assimilação, por parte da criança, de regras de conduta social e modelos de relação humana vigentes em seu entorno.
No entanto, tais relações estão, em grande medida, atravessadas por regras que expressam formas de alienação características da sociabilidade capitalista. O papel da mediação educativa diante dessa contradição é um dos objetos de reflexão das autoras no artigo.
Para ler o artigo, acesse
RAMALHO, A.M., PASQUALINI, J.C. and SOUSA, M.N. A unidade conteúdo-forma na psicologia do jogo. Educação em Revista [online]. 2026, vol. 41, e49129 [viewed 03 August 2026]. https://doi.org/10.1590/0102-469849129. Available from: https://www.scielo.br/j/edur/a/qvqBCv5PYwNHJrXNMLdkJgd/?lang=pt
Referências
ELKONIN, D.B. Sobre el problema de la periodización del desarrollo psiquico en la infancia. In: DAVIDOV, V.; M. SHUARE, M. (Org.) La psicologia evolutiva e pedagógica en la URSS. Moscou: Progresso, 1987a.
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