Paulo Nascimento Neto, editor-chefe da revista urbe, Curitiba, Paraná, Brasil.
A ciência aberta se caracteriza como um “constructo inclusivo que combina vários movimentos e práticas” (UNESCO, 2022), voltado à promoção do amplo acesso público ao conhecimento científico e seu aproveitamento pela sociedade. Ao favorecer a socialização do conhecimento produzido, amplia-se a colaboração científica e o compartilhamento de informações em benefício da ciência e da sociedade. Esse conjunto de princípios abrange diversas dimensões, entre elas aquelas relacionadas à disponibilização, ao acesso e à reutilização de dados de pesquisa.
Embora o tema tenha ganhado maior visibilidade recentemente no ambiente brasileiro de editoração científica, a disponibilidade de dados integra há décadas a agenda da ciência aberta. Há quase três décadas,o National Research Council dos Estados Unidos (1997) já recomendava o acesso completo e aberto aos dados científicos como paradigma a ser adotado internacionalmente, especialmente no caso de pesquisas financiadas com recursos públicos.
A Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE), por sua vez, publicou em 2004 sua primeira declaração sobre o tema, enfatizando a importância do acesso a dados provenientes de pesquisa com financiamento público, iniciativa que culminou na edição de diretrizes e princípios em 2007. No Brasil, destaca-se o protagonismo do SciELO na introdução dessa discussão há pelo menos quinze anos (tal como se exemplifica em postagem de 2013 nesse mesmo blog), ao promover reflexões sobre dados abertos e sua relevância para a ciência aberta.
Nesse contexto, merece destaque o SciELO Data, repositório de dados lançado em 2020 e em operação regular desde janeiro de 2022. A iniciativa utiliza a plataforma de código aberto Dataverse, atualmente empregada na operação de 110 repositórios de dados no mundo. Cada periódico da coleção SciELO que adota essa plataforma possui seu próprio dataverse, no qual são organizados os conjuntos de dados (datasets) associados aos artigos, acompanhados dos respectivos metadados e de um identificador persistente único (DOI).
Apesar dessa trajetória, o tema não foi plenamente incorporado à agenda dos periódicos brasileiros. Levantamento recente realizado pelo SciELO (2023) indica que apenas cerca de 30% dos periódicos da coleção mencionam “dados” em suas políticas editoriais. Neste subconjunto, menos de 6% exigem o depósito de dados associados aos artigos publicados, o que corresponde a menos de 2% do total da coleção.
A disponibilização e o amplo acesso aos dados, pois, permanecem como agenda relevante para reflexão e avanço. A urbe, como parte de seu compromisso com os princípios da ciência aberta, adota desde 2021 a obrigatoriedade de depósito dos dados associados a todos os artigos. Atualmente, registra-se 171 bases de dados disponibilizadas, publicadas por meio de licença CC-BY, com indicadores persistentes (DOI) e vinculadas aos artigos publicados por meio de seção específica de declaração de disponibilidade de dados.
Essa medida busca atender a dois objetivos complementares. De um lado, reforçar a transparência e a reprodutibilidade das pesquisas, ampliando a integridade científica e a verificabilidade dos resultados publicados. De outro, permitir a reutilização dos conjuntos de dados mediante a citação da fonte original, ampliando o alcance das pesquisas e favorecendo a integração entre diferentes bases de dados, com potencial para estimular novos avanços na produção de conhecimento no campo dos estudos urbanos.
A abertura dos dados de pesquisa responde, assim, aos princípios da ciência aberta ao ampliar as possibilidades de replicabilidade e reutilização dos dados, racionalizando os recursos empregados no financiamento das pesquisas e potencializando novos achados a partir de dados já coletados.
Este compartilhamento deve se orientar pelos princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable and Reusable), que estabelecem diretrizes para garantir que as bases de dados sejam localizáveis, acessíveis, interoperáveis e passíveis de reutilização. Tais princípios vêm sendo progressivamente incorporadas ao cotidiano editorial. Em recente edição do relatório The State of Open Data (2025), que consultou 3.932 pesquisadores de diversos países (incluindo Brasil), observou-se um crescimento expressivo no conhecimento sobre essas diretrizes, com 40,6% dos respondentes declarando familiaridade com os princípios FAIR (figura 1).
Figura 1. Nível de familiaridade com os princípios FAIR para dados
A ciência aberta se caracteriza como um “constructo inclusivo que combina vários movimentos e práticas” (UNESCO, 2022), voltado à promoção do amplo acesso público ao conhecimento científico e seu aproveitamento pela sociedade. Ao favorecer a socialização do conhecimento produzido, amplia-se a colaboração científica e o compartilhamento de informações em benefício da ciência e da sociedade. Esse conjunto de princípios abrange diversas dimensões, entre elas aquelas relacionadas à disponibilização, ao acesso e à reutilização de dados de pesquisa.
Embora o tema tenha ganhado maior visibilidade recentemente no ambiente brasileiro de editoração científica, a disponibilidade de dados integra há décadas a agenda da ciência aberta. Há quase três décadas,o National Research Council dos Estados Unidos (1997) já recomendava o acesso completo e aberto aos dados científicos como paradigma a ser adotado internacionalmente, especialmente no caso de pesquisas financiadas com recursos públicos.
A Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE), por sua vez, publicou em 2004 sua primeira declaração sobre o tema, enfatizando a importância do acesso a dados provenientes de pesquisa com financiamento público, iniciativa que culminou na edição de diretrizes e princípios em 2007. No Brasil, destaca-se o protagonismo do SciELO na introdução dessa discussão há pelo menos quinze anos (tal como se exemplifica em postagem de 2013 nesse mesmo blog), ao promover reflexões sobre dados abertos e sua relevância para a ciência aberta.
Nesse contexto, merece destaque o SciELO Data, repositório de dados lançado em 2020 e em operação regular desde janeiro de 2022. A iniciativa utiliza a plataforma de código aberto Dataverse, atualmente empregada na operação de 110 repositórios de dados no mundo. Cada periódico da coleção SciELO que adota essa plataforma possui seu próprio dataverse, no qual são organizados os conjuntos de dados (datasets) associados aos artigos, acompanhados dos respectivos metadados e de um identificador persistente único (DOI).
Apesar dessa trajetória, o tema não foi plenamente incorporado à agenda dos periódicos brasileiros. Levantamento recente realizado pelo SciELO (2023) indica que apenas cerca de 30% dos periódicos da coleção mencionam “dados” em suas políticas editoriais. Neste subconjunto, menos de 6% exigem o depósito de dados associados aos artigos publicados, o que corresponde a menos de 2% do total da coleção.
A disponibilização e o amplo acesso aos dados, pois, permanecem como agenda relevante para reflexão e avanço. A urbe, como parte de seu compromisso com os princípios da ciência aberta, adota desde 2021 a obrigatoriedade de depósito dos dados associados a todos os artigos. Atualmente, registra-se 171 bases de dados disponibilizadas, publicadas por meio de licença CC-BY, com indicadores persistentes (DOI) e vinculadas aos artigos publicados por meio de seção específica de declaração de disponibilidade de dados.
Essa medida busca atender a dois objetivos complementares. De um lado, reforçar a transparência e a reprodutibilidade das pesquisas, ampliando a integridade científica e a verificabilidade dos resultados publicados. De outro, permitir a reutilização dos conjuntos de dados mediante a citação da fonte original, ampliando o alcance das pesquisas e favorecendo a integração entre diferentes bases de dados, com potencial para estimular novos avanços na produção de conhecimento no campo dos estudos urbanos.
A abertura dos dados de pesquisa responde, assim, aos princípios da ciência aberta ao ampliar as possibilidades de replicabilidade e reutilização dos dados, racionalizando os recursos empregados no financiamento das pesquisas e potencializando novos achados a partir de dados já coletados.
Este compartilhamento deve se orientar pelos princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable and Reusable), que estabelecem diretrizes para garantir que as bases de dados sejam localizáveis, acessíveis, interoperáveis e passíveis de reutilização. Tais princípios vêm sendo progressivamente incorporadas ao cotidiano editorial. Em recente edição do relatório The State of Open Data (2025), que consultou 3.932 pesquisadores de diversos países (incluindo Brasil), observou-se um crescimento expressivo no conhecimento sobre essas diretrizes, com 40,6% dos respondentes declarando familiaridade com os princípios FAIR (figura 1).
Links externos
Levantamento recente realizado
urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana – SciELO
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Como citar este post [ISO 690/2010]:
















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