Qual olhar geográfico poderá ser lançado sobre alimentos, comidas e sabores?

Maria Geralda de Almeida, Professora Doutora do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil

mercator_logoMaria Geralda de Almeida discorre em seu estudo que, por meio da comida, acentua-se a função social do alimento na manifestação dos sentimentos que contribuem para socializar os indivíduos como membros de sua comunidade. Neste caso, sua função principal é contribuir na manutenção da estrutura social e, em consequência, do sistema, de forma que o seu valor é mais social que nutritivo. É, também, simbólico.

Diferenciando a comida da alimentação, esta também figura como uma via privilegiada para se refletirem as manifestações do pensamento simbólico e, em dadas ocasiões, como uma forma de simbolizar a realidade. Criamos categorias de alimentos: saudáveis e não saudáveis, convenientes e inconvenientes, ordinários e fes­tivos, bons e ruins, quentes e frios, puros e impuros. E, mediante essas classificações, construímos as normas que regem nossa relação com a comida e, inclusive, nossas relações com as demais pessoas, de acordo, também, com suas diferentes categorias. Aliás, o mecanismo que impede servir arroz com feijão em uma festa de casamento é o mesmo que normatiza ser adequado oferecer cachaça para homens e licor para mulheres.

Fonte: Percepção da Natureza e sua relação com os alimentos. (Adaptado de Brandão, 1981, p. 97)

Esse mecanismo está pautado por um sistema de crenças e valores existentes em qualquer cultura e pode determinar que alimentos fossem objetos de aceitação ou de rejeição em cada situação e por cada tipo de pessoa. Presentemente, o açúcar, conforme relatado, passou de medicamento a condimento de luxo entre a elite, para depois se tornar extremamente popular. Nos últimos anos, entretanto, assiste-se a uma sacarofobia crescente. Para além dos valores simbólicos e econômicos atribuídos a certos alimentos, os homens, na relação com a comida, desfrutam da capacidade de superar suas primeiras reações e de se adaptar a determinados alimentos cujo sabor, inicialmente, os desagrada.

Feito com base na etnogeografía, o conteúdo instiga o leitor a considerar o sentido do paladar como meio de percepção e conhecimento da natureza. Igualmente, a refletir nos significados culturais do que e como comemos e, que nos fazem sermos diversos e plurais, portadores de identidade alimentar singular.

O artigo “Para além das crenças sobre alimentos, comidas e sabores da natureza” publicado no periódico Mercator é vinculado ao Projeto Identidades territoriais e políticas de desenvolvimento territorial e ambiental na Reserva da Biosfera Cerrado – Goiás. Bolsa CNPq/PQ Produtividade e ao Projeto Ambiente, mulher e cidadania nas comunidades tradicionais no território da cidadania do Vão do Paranã e da RVS Veredas do Oeste Baiano. CHAMADA MCTI/CNPQ/MEC/CAPES Nº 22/2014 – CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E SOCIAIS APLICADAS.

Para ler o artigo, acesse

ALMEIDA, M. G. Beyond beliefs about food and the flavors of nature. Mercator (Fortaleza) [online]. 2017, vol.16, 16e006. [viewed 10 April 2017]. ISSN 1984-2201. DOI: 10.4215/rm2017.e16006. Available from: http://ref.scielo.org/dcjjhg

Links externos

Mercator (Fortaleza) – MERCATOR: www.scielo.br/mercator

Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais: https://laboter.iesa.ufg.br/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ALMEIDA, M. G. Qual olhar geográfico poderá ser lançado sobre alimentos, comidas e sabores? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/04/10/qual-olhar-geografico-podera-ser-lancado-sobre-alimentos-comidas-e-sabores/

 

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