Sílvia de Souza Leão, jornalista
O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (BMPEG.CH) é um dos periódicos científicos mais longevos do Brasil, com uma história que remonta a 1894. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um veículo relevante para a disseminação de estudos sobre a Amazônia, especialmente nas áreas de Antropologia, Arqueologia, Linguística e disciplinas correlatas.
A partir da análise de 12 documentos oficiais localizados no Arquivo Guilherme de La Penha, o estudo De um sistema nacional à adoção de padrões internacionais: por uma nova norma bibliográfica (Beltrão & Silva, 2019a)1 destaca dois momentos-chave: a política editorial de 1988, voltada exclusivamente ao Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, e a de 1997, mais abrangente, voltada a todas as publicações científicas da instituição. Ambas as políticas mantinham a avaliação por pares como pilar do processo editorial e definiam as áreas de interesse, normas de submissão e os tipos de artigos aceitos, como artigos originais, notas preliminares e resenhas.
O processo de avaliação adotado — duplo-anônimo — é apontado como central para a manutenção da qualidade científica, reforçando o anonimato e a isenção nas avaliações. Essa prática é sustentada pela seleção criteriosa dos pareceristas e pelo compromisso com a clareza e precisão nos textos, como destacou o editor associado de Linguística, Hein van der Voort: “uma das principais funções do avaliador é […] ajudar que o artigo, em sua forma final, seja plenamente compreendido pelo leitor.” Esse procedimento é coerente com os princípios da ética científica e da ciência aberta, que vêm se tornando cada vez mais prioritários para periódicos acadêmicos de excelência.
Hein van der Voort, editor associado para a área da Linguística, foi também editor científico do BGOELDI
Outro ponto relevante abordado no estudo diz respeito à composição e qualificação da equipe editorial. Os documentos indicam esforços sistemáticos para consolidar um conselho editorial qualificado, com papéis bem definidos entre editores-chefes, associados, bibliotecários e equipe técnica.
A normatização dos manuscritos também foi alvo de revisão. Inicialmente baseada em diretrizes da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a política editorial passou a considerar a adoção de normas internacionais, como o estilo APA (American Psychological Association), mais aceitas em ambientes acadêmicos globais.
Logos da APA e da ABNT
A mudança proposta facilitou a internacionalização do periódico e agilizou o processo editorial, uma vez que ferramentas automáticas de citação e referência podem ser utilizadas tanto pelos autores quanto pela equipe técnica. Segundo a editora Jimena Felipe Beltrão, essa adaptação contribui para tornar o periódico “mais acessível, moderno e alinhado às práticas internacionais”.
Publicado em forma de artigo, o estudo apresenta um panorama das transformações editoriais e das estratégias de qualificação implementadas ao longo do tempo, com ênfase no período de 1985 a 2003, buscando evidenciar a importância da profissionalização editorial como fator de sustentabilidade e excelência científica.
O estudo revelou que a trajetória editorial do BMPEG.CH é marcada por um esforço contínuo de profissionalização e adequação às exigências da ciência contemporânea. As recomendações apontadas — como a publicação contínua, o uso de normas bibliográficas simplificadas e o fortalecimento do escopo temático — visam manter o periódico como referência na divulgação científica da Amazônia.
A história editorial do periódico demonstra que a tradição, aliada à inovação e ao rigor técnico, é capaz de garantir relevância nacional e internacional a uma publicação científica.
Para ler o artigo, acesse
BELTRÃO, J.F. and SILVA, T.C. De um sistema nacional à adoção de padrões internacionais: por uma nova norma bibliográfica. Biblionline [online]. 2019, vol. 15, no. 1, pp. 136-147 [viewed 09 September 2025]. https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2019v15n1.43743. Available from: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/43743
Nota
1. A partir de 2006, o periódico passou a ter duas versões: Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (BMPEG.CH) e Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais (BMPEG.CN). ↩
Links externos
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas – SciELO
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