Amélia Silva, professora, Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Porto, Portugal
Isabel Maldonado, professora, Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Porto, Portugal
Luis Silva, professor, Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Porto, Portugal
As empresas do principal índice bolsista português — o PSI — têm vindo a reforçar a divulgação das suas práticas ambientais, sociais e de governação. Mas estarão preparadas para cumprir os padrões internacionais cada vez mais exigentes? O estudo Análise das Práticas de Divulgação de Sustentabilidade nas Empresas Portuguesas do PSI, publicado pela Revista de Administração Contemporânea (vol. 29, No. 5, 2025), desenvolvido por uma investigadora do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP-P.PORTO), analisou os relatórios de sustentabilidade de 14 empresas do PSI, utilizando uma grelha construída com base nas principais referências internacionais, como a Global Reporting Initiative – GRI (Iniciativa de Relatórios Globais), a Sustainability Accounting Standards Board – SASB (Conselho de Normas de Contabilidade de Sustentabilidade) e o Integrated Reporting Framework – IRF (Estrutura Conceitual Internacional para Relato Integrado). Os resultados mostram progressos importantes, mas também lacunas que continuam a limitar a transparência do reporte em Portugal.
A investigação recorreu a uma metodologia qualitativa suportada numa ferramenta desenvolvida no âmbito do projeto europeu STAMP – Smart Teaching in Accounting (Ensino de Contabilidade Inteligente). Esta ferramenta permitiu avaliar, de forma sistemática, as práticas de reporte em áreas essenciais como governação, gestão ambiental, responsabilidade social, diversidade e anticorrupção. A motivação do estudo assenta numa questão central para o contexto português: como é que empresas de menor escala, relativamente a outros mercados europeus, respondem às novas exigências regulamentares da União Europeia, nomeadamente à Corporate Sustainability Reporting Directive – CSRD (Diretiva de Relatório de Sustentabilidade Corporativa)?

Imagem: Casey Horner via Unsplash
Os resultados revelam elevados níveis de divulgação nas dimensões ambiental e social, nomeadamente em políticas de segurança e saúde no trabalho, gestão de recursos naturais, transição energética e diversidade. Contudo, as práticas relacionadas com anticorrupção e suborno surgem como o ponto fraco mais frequente, com níveis de conformidade significativamente inferiores. Esta assimetria entre áreas de reporte demonstra que, apesar do esforço das empresas, a dimensão da governação ainda carece de maior robustez. Para a sociedade, estes resultados sugerem que a transparência ambiental e social evoluiu, mas a confiança dos investidores e demais partes interessadas exige um reforço substancial nas políticas e indicadores de integridade institucional.
Num momento em que a CSRD e os European Sustainability Reporting Standards (ESRS) (Normas Europeias de Relatórios de Sustentabilidade) irão tornar o reporte de sustentabilidade mais detalhado, auditado e comparável, o estudo identifica desafios futuros relevantes. As empresas portuguesas terão de investir em sistemas de informação mais robustos, integrar métricas financeiras e não financeiras, e operacionalizar o princípio da dupla materialidade. Estas mudanças representam uma oportunidade para elevar a qualidade do reporte, reforçar a credibilidade das empresas portuguesas e consolidar o seu contributo para os objetivos de sustentabilidade nacionais e europeus.
Para ler o artigo, acesse
Silva, A., et al. Análise das Práticas de Divulgação de Sustentabilidade nas Empresas Portuguesas do PSI. Revista de Administração Contemporânea [online]. 2025, vol. 29, no. 5, e240307 [viewed 19 January 2026]. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2025240307.en. Available from: https://www.scielo.br/j/rac/a/4JMgfwfyD8kGLh8t5yhmGkP/
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