Sílvia de Souza Leão, jornalista

Com análise voltada para políticas editoriais de periódicos com escopo semelhante ao do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (BGOELDI), o estudo Análise de políticas editoriais de periódicos científicos nacionais: contribuições para o Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, publicado nas Perspectivas em Ciência da Informação (vol. 25, no. 3, 2020), comparou critérios como idiomas aceitos, formato de publicação, estrutura das seções, processo de avaliação por pares, autoria, origem dos manuscritos, acesso ao conteúdo, indexação e política de detecção de plágio (Beltrão & Silva, 2020).
A análise permitiu não apenas mapear boas práticas editoriais e identificar pontos de aprimoramento para fortalecer a atuação do Boletim no cenário nacional e internacional. A partir de uma abordagem qualiquantitativa, a pesquisa conduzida por Taíse da Cruz Silva em associação à editora do periódico, Jimena Felipe Beltrão, analisou as políticas editoriais de periódicos científicos nacionais nas áreas de Antropologia, Arqueologia e Linguística, com o objetivo de propor melhorias à política editorial do BGOELDI.
Com 130 anos de história, o BGOELDI é um dos periódicos científicos mais antigos do Brasil. Em 2016, migrou para o formato exclusivamente digital, otimizando o processo editorial e reduzindo custos operacionais. A adoção da plataforma ScholarOne também contribuiu para maior fluidez nas submissões e para a integração com ferramentas internacionais de publicação científica. A automatização e a sustentabilidade dessa nova configuração editorial revelam o compromisso do Boletim com a ciência aberta e a democratização do acesso ao conhecimento.
Um dos aspectos discutidos no estudo se refere ao idioma das publicações. Embora o Boletim aceite textos em português, inglês, espanhol e francês, 82% das publicações nos últimos anos foram em português, o que pode limitar sua internacionalização. As autoras recomendam, portanto, estratégias para incentivar submissões em outros idiomas, especialmente em inglês, como forma de ampliar o alcance e a visibilidade do periódico. Essa medida está alinhada com estudos que consideram a publicação multilíngue como critério essencial para a qualificação internacional dos periódicos.
O processo de avaliação por pares adotado pelo BGOELDI segue o modelo de avaliação duplo-anônimo, considerado o mais ético e confiável. Todos os artigos passam por pelo menos dois pareceristas e, em caso de avaliações divergentes, um terceiro avaliador é acionado. A avaliação por pares é destacada como elemento essencial para a assegurar a qualidade e a legitimidade dos conteúdos científicos, atuando como filtro contra práticas editoriais questionáveis.
Quanto à autoria, o Boletim não exige titulação mínima dos autores, ao contrário de alguns periódicos analisados, que priorizam mestres ou doutores. Essa política inclusiva é vista como uma forma de fomentar a diversidade de vozes na produção acadêmica, valorizando o mérito e a originalidade do conteúdo submetido. Além disso, o Boletim aceita artigos derivados de teses e dissertações, desde que atendam aos critérios de ineditismo e adaptação editorial.
Quanto ao acesso, o BGOELDI mantém política de acesso aberto, sem cobrança de taxas para leitura ou submissão, o que fortalecendo seu compromisso com a ciência cidadã e a equidade na difusão do saber. O periódico está indexado em plataformas de prestígio como SciELO, Scopus, Redalyc (Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal) e DOAJ (Directory of Open Access Journals), garantindo ampla disseminação do seu conteúdo. Tais estratégias reforçam o papel do Boletim como canal qualificado de divulgação científica sobre a Amazônia e áreas correlatas das Ciências Humanas.
A política de detecção de plágio é outro ponto de destaque. O Boletim utiliza softwares como o iThenticate (via Crossref Similarity Check) para garantir a originalidade dos textos. A atenção à ética editorial se estende também ao combate ao autoplágio, cada vez mais recorrente nos periódicos acadêmicos. As autoras enfatizam que a responsabilidade pela integridade do conteúdo é compartilhada entre autores e editores, sendo essencial manter critérios claros de avaliação e normas transparentes.
Por fim, o estudo conclui que a política editorial do BGOELDI é sólida e compatível com padrões internacionais, mas recomenda maior detalhamento do escopo do periódico, especialmente em relação às áreas correlatas como Sociologia, Museologia, História, Comunicação, entre outras. Uma descrição mais precisa dos temas aceitos e das diretrizes para submissões derivadas de pesquisas acadêmicas pode tornar o periódico ainda mais acessível e atrativo para autores em formação.
O Boletim, ao investir continuamente na qualificação de suas práticas editoriais, consolida-se como referência na comunicação científica da região amazônica e no Brasil.
Para ler o artigo, acesse
BELTRÃO, J.F. and SILVA, T.C. Análise de políticas editoriais de periódicos científicos nacionais: Contribuições para o Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas. Perspect. ciênc. inf. [online]. 2020, vol. 25, no. 03, pp. 03-21 [viewed 09 September 2025]. https://doi.org/10.1590/1981-5344/3301. Available from: https://www.scielo.br/j/pci/a/Sk9ZCHsMdn78gzV8vWp8q3S
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