Só a diversidade pode reinventar a educação como alicerce do futuro da justiça social

Rosa Emilia Moraes, jornalista científica para Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil.

Logo do periódico Educação & SociedadeA diversidade é uma construção histórica atravessada por relações de poder (Gomes, 2007), e não basta reconhecer diferenças sem compreender como foram usadas para excluir e silenciar grupos inteiros. No Brasil, coletivos sociais transformaram esse debate em pauta de direitos, mas o avanço democrático trouxe contradições: a diversidade passou a ser também mercadoria, apropriada pelo mercado para gerar lucro. Entre a banalização e seu potencial transformador, está em jogo o futuro das políticas educacionais.

O volume 46 (2025) do periódico Educação & Sociedade traz a seção especial Políticas Educacionais e Diversidade: Desafios e Perspectivas Contemporâneas, organizada e apresentada por duas grandes vozes que articulam pesquisa, militância e gestão pública na defesa de uma escola inclusiva e social: as professoras Nilma Lino Gomes, ex-ministra da Igualdade Racial e primeira mulher negra a assumir a reitoria de uma universidade pública federal, e Wilma de Nazaré Baía Coelho, professora titular da Universidade Federal do Pará, doutora em Educação e especialista em políticas de diversidade e relações étnico-raciais, com atuação destacada em cargos estratégicos no Ministério da Educação e no Ministério dos Direitos Humanos. Os artigos reunidos analisam as transformações impulsionadas por coletivos sociais e movimentos que têm redefinido as políticas educacionais brasileiras, mostrando como suas vivências culturais, sociais e políticas tensionam práticas institucionais e abrem espaço para reflexões críticas sustentadas pela concepção emancipatória da diversidade.

 

 

A justiça educacional exige que se combine igualdade material com o reconhecimento das diferenças e o combate ao preconceito gerador dessas desigualdades. Como apontado pela filósofa Nancy Fraser (2009), é necessária uma paridade de participação aliada a políticas públicas estruturadas em torno de uma gestão democrática, condições de trabalho dignas para os professores, equidade no acesso e na permanência dos alunos no sistema educacional.

É com essa intenção que, a seção especial Políticas Educacionais e Diversidade: Desafios e Perspectivas Contemporâneas joga uma luz necessária no horizonte desafiador da educação verdadeiramente democrática e inclusiva, fundamentando e encorajando leitores de diversas áreas a refletir sobre a consolidação de práticas libertadoras e a tomar parte ativa nessa discussão tão urgente.

Para ler esta seção especial na íntegra, acesse:

Educação & Sociedade, vol. 46, 2025 

Para ler o artigo de apresentação, acesse:

GOMES, N.L. and COELHO, W.N.B. APRESENTAÇÃO. In: Seção Especial Políticas Educacionais e Diversidade: Desafios e Perspectivas Contemporâneas. Educação & Sociedade [online]. 2025, vol. 46, e302210 [viewed 29 January 2026]. https://doi.org/10.1590/ES.302210. Available from: https://www.scielo.br/j/es/a/pGCBRNK5XPvP6HTDHmmMj8n/

Referências

FRASER, N. Scales of justice: reimagining political space in a globalizing world. New York: Columbia University Press, 2009.

GOMES, N. L. Indagações sobre currículo. In: BEAUCHAMP, J., PAGEL, S. and NASCIMENTO, A. R. (org.). Diversidade e Currículo. Brasília: MEC/SEB, 2007. p. 17-43.

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

MORAES, R.E. Só a diversidade pode reinventar a educação como alicerce do futuro da justiça social [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/01/29/so-a-diversidade-pode-reinventar-a-educacao-como-alicerce-do-futuro-da-justica-social/

 

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