Márcio André Leal Bauer, professor associado (PPGA/FURG), Rio Grande, RS, Brasil.
Marcos André Soares Farias, (PPGA/FURG), Rio Grande, RS, Brasil.
O artigo Desafios à Inclusão Substantiva nas Organizações: Um Estudo Fenomenológico com Surdos publicado na Revista de Administração Contemporânea (RAC, vol 29, no. 2, 2025), procurou compreender o processo de inclusão/exclusão de trabalhadores surdos nas organizações. O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Márcio André Leal Bauer e Marcos André Soares Farias, da Universidade Federal de Rio Grande/RS (FURG) a partir da análise fenomenológica das experiências vividas por trabalhadores surdos em uma indústria do Rio Grande do Sul.
No campo da diversidade, os estudos desenvolvidos têm gerado mais conhecimento acerca das experiências de exclusão do que dos mecanismos, processos ou práticas que promovem a igualdade e a inclusão (Bendl et al., 2024; Nkomo et al., 2019). No caso dos surdos, alguns pontos, gizados em forma de metáfora, chamam atenção para esse problema: o teto de vidro, utilizado para problematizar as dificuldades dos surdos em relação a promoções e oportunidades, bem como a subestimação de capacidades (Irigaray & Vergara, 2011; Reis et al., 2017; Viana & Irigaray, 2016); a prisão da qual receiam sair por medo de não conseguirem outro emprego (Jammaers & Zanoni, 2021; Loxe et al., 2019; Viana & Irigaray, 2016; Wells et al., 2009); e o sentimento de ser um estrangeiro no próprio país (Viana & Irigaray, 2016), por não fazer parte do sistema de signos daquela comunidade, experimentando o isolamento social (Correia, 2005; Schutz, 2012). Daí, decorrem barreiras invisíveis e sutis, como a falta de convite para momentos de comunhão social (o cafezinho, o jogo de futebol, a festa), e a resistência passiva de alguns ouvintes, que esperam a adaptação do surdo à comunicação falada, mas pouco se interessam pelo aprendizado, ainda que elementar, de algumas palavras em LIBRAS (intercâmbio).

Imagem: Via Marcos André Soares Farias
Indo além da crítica aos processos de exclusão, a pesquisa apontou algumas possibilidades de inclusão a partir de três essências extraídas das narrativas dos surdos. Estas guardam profunda relação com as dimensões substantivas da análise organizacional de Guerreiro Ramos (1989; 2022). Em primeiro lugar, o trabalho, para além de uma perspectiva funcional, representa a expressão de igualdade entre surdos e ouvintes. Em segundo lugar, a importância do intercâmbio cultural sustentado por uma comunicação intersubjetiva em LIBRAS. Em terceiro, a necessidade de pertencimento e aceitação dentro da organização social cotidiana.
Para os autores, o artigo oferece subsídios teóricos e práticos para avançar nas políticas de diversidade, em direção a uma inclusão substantiva que supere a formalidade das cotas, desafiando a ideia de inclusão baseada apenas em acordos racionais. “Em situações marcadas por diferentes realidades simbólicas […] somente a igualdade de condições comunicativas não é suficiente para a inclusão. No contexto das relações que se estabelecem e são carregadas de sentido, a ação comunicativa se estabelece na medida em que laços, relações, vínculos e afetos são construídos” (Farias e Bauer, 2025, p. 14).
Para ler o artigo, acesse
FARIAS, M.A.S. and BAUER, M.A.L. Desafios à Inclusão Substantiva nas Organizações: Um Estudo Fenomenológico com Surdos. Revista de Administração Contemporânea [online]. 2025, vol. 29, no. 2, e240134 [viewed 18 June 2026]. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2025240134.por. Available from: https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2025240134.por
Referências
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