Valores de consumo, identidades e aspectos espaciais na Feira de São Cristóvão

Rafael Cuba Mancebo, Pesquisador do Grupo Pesquisa Histórica em Administração, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Rio de Janeiro – RJ, Brasil.

“Um pedaço do nordeste no Rio de Janeiro”. Imagem: Rafael Cuba Mancebo.

De que forma os lugares que frequentamos, gostamos e chamamos de nossos se conectam com as nossas identidades individuais? E mais, quais valores e significados são articulados nesse processo e podem ser compreendidos por quem gerencia esses espaços? Essas foram algumas das reflexões feitas durante as pesquisas na Feira de São Cristóvão, Centro Cultural de Tradições Nordestinas, localizado na cidade do Rio de Janeiro. Patrimônio imaterial do Brasil e lugar de acolhimento aos que vinham do Nordeste na década de 1940 fugindo da crise social, econômica e ambiental que assolava a região nordeste do país, a Feira de São Cristóvão nasceu dessa relação de acolhimento, mas principalmente, da necessidade de filiação e de reforço das identidades individuais e coletivas dos que chegavam a nova cidade e dos que aqui estavam.

Por outro lado, durante as visitas à Feira, chamou a atenção os diferentes propósitos e significados atribuídos ao lugar por aqueles que eram nordestinos, e moravam ou estavam no Rio de Janeiro, daqueles que eram de outras regiões do país. Dessa forma, no artigo “Eu, meu lugar e eu mesmo: explorando a ligação entre consumidores e lugares com um tempero do Nordeste brasileiro”, publicado no periódico Cadernos EBAPE.BR (vol. 18, no. 3), buscou-se explorar a conexão consumidor-local, as narrativas de consumo e como os valores atribuídos a feira se manifestavam nos espaços físicos.  Para isso, utilizamos o aporte epistemológico e metodológico da Semiótica Discursiva Francesa para analisar as narrativas dos entrevistados e a relação deles com o espaço físico da Feira.

Os valores de consumo atribuídos à feira foram organizados em quatro categorias de consumo, baseadas na axiologia de consumo de Floch (1988): os consumidores com valores práticos, representado por aqueles que frequentam a feira por causa da sua localização, estacionamento e segurança; os valores utópicos, representados por aqueles que frequentam a feira para matar a saudade do nordeste; os valores críticos, por aqueles que buscam na feira ingredientes típicos e específicos ou preços melhores; e valores lúdicos, representado pelo consumo dos espaços de dança e karaokê.

A compreensão dos diferentes valores e significados atribuídos pelos consumidores aos lugares contribui para o desenvolvimento de diferentes estratégias para a jornada do consumidor, considerando o vínculo que se estabelece entre as identidades individuais e os locais comerciais. Além disso, ficou evidente que os aspectos simbólicos e espaciais da Feira de São Cristóvão desempenham um papel significativo na representação de identidades, nas diferentes realidades que se constroem ali e a contribuição do espaço para o processo de construção do self estendido.

Referências

BELK, R. W. Possessions and the extended self. Journal of Consumer Research [online]. 1988, vol. 15, no. 2, pp. 139-168. e-ISSN: 1537-5277 [viewed 2 December 2020]. https://doi.org/10.1086/209154. Available from: https://academic.oup.com/jcr/article/15/2/139/1841428

FLOCH, J. M. The contribution of structural semiotics to the design of a hypermarket. International Journal of Research in Marketing [online]. 1988, vol. 4, no. 3, pp. 233-252. ISSN: 0167-8116 [viewed 2 December 2020].
https://doi.org/10.1016/S0167-8116(88)80007-7
. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0167811688800077

RISHBETH, C. et al. Place attachment and memory: Landscapes of belonging as experienced post-migration. Landscape Research [online]. 2013, vol. 38, no. 2, pp. 160-178, 2013. e-ISSN: 1469-9710 [viewed 2 December 2020]. https://doi.org/10.1080/01426397.2011.642344. Available from: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01426397.2011.642344

Para ler o artigo, acesse

LIMA, V.M., et al. Eu, meu lugar e eu mesmo: explorando a ligação entre consumidores e lugares com um tempero do Nordeste brasileiro. Cad. EBAPE.BR [online]. 2020, vol. 18, no. 3, pp. 609-622. ISSN: 1679-3951 [viewed 28 November 2020]. https://doi.org/10.1590/1679-395120190151x. Available from: http://ref.scielo.org/654v9f

Links Externos:

Cadernos EBAPE.BR – CEBAPE: www.scielo.br/cebape

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MANCEBO, R. C. Valores de consumo, identidades e aspectos espaciais na Feira de São Cristóvão [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2021 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2021/01/05/valores-de-consumo-identidades-e-aspectos-espaciais-na-feira-de-sao-cristovao/

 

One Thought on “Valores de consumo, identidades e aspectos espaciais na Feira de São Cristóvão

  1. Obrigado por este artigo incrível. Obrigado por compartilhar conosco.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post Navigation