Polícia e intelectuais na disciplinarização do espectador teatral contra a pateada

Luiz Paulo Pimentel de Souza, Pesquisador em Artes Cênicas e História Social, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

Logo do periódico Revista Brasileira de Estudos da PresençaO artigo Da Pateada: ecos de uma prática extinta, mas ruidosa, publicado pela Revista Brasileira de Estudos da Presença (vol. 14, no 4, 2024), também traduzido para o inglês, investiga o impacto da pateada nas plateias brasileiras oitocentistas. A pateada foi uma manifestação ruidosa do público teatral ao longo do século XIX e início do século XX que consistia na combinação entre espectadores de bater os pés de modo a causar barulho e a interrupção do acontecimento cênico.

O estudo investiga a relação do desaparecimento dessa prática com processos de disciplinarização do espectador e policiamento dos interiores dos teatros, revelando como a tentativa de regular essa prática resultou em novas normas de conduta para o público teatral. O estudo foi conduzido por Luiz Paulo Pimentel de Souza, da Universidade de São Paulo (USP) e analisa documentos históricos, críticas teatrais e regulamentações oficiais da época.

A pesquisa destaca como a pateada foi gradualmente reprimida por discursos moralizantes publicados na imprensa da época, por intelectuais, críticos teatrais e medidas policiais que buscavam transformar o espectador em um sujeito disciplinado e obediente às regras comportamentais definidas para os interiores dos teatros. A interdição desse tipo de manifestação coincidiu com a ascensão da crítica teatral e da normatização da experiência estética, consolidando o espectador como um ente educado, moderado e sem intervenção direta na cena, a não ser que essa intervenção fosse proposta pelos próprios artistas, ou seja, tutelada por eles.

Pintura "O Drama", de Honoré Daumier. Feita com tons amarronzados, mostra uma encenação em palco de um homem morto caído no chão, outro homem de pé apontando para ele e uma mulher com as mãos na cabeça, enquanto tem várias pessoas espantadas na plateia.

Imagem: Honoré Daumier (1808–1879), O Drama (1860), óleo sobre tela, 98 x 90 cm, Neue Pinakothek, Munique. Wikimedia Commons

Os resultados apontam que, embora a pateada tenha sido extinta, seus resquícios podem ser observados em debates contemporâneos sobre comportamento do público nos teatros e na resistência a normas excessivamente rígidas de apreciação artística. O estudo propõe reflexões sobre o papel do espectador e as fronteiras entre conduta e contra conduta na experiência teatral.

Para o futuro, o pesquisador pretende expandir a análise para investigar outras formas de protesto e escândalo teatral, suas implicações sociais e políticas.

Para ler o artigo, acesse

SOUZA, L.P.P. Da Pateada: ecos de uma prática extinta, mas ruidosa. Revista Brasileira de Estudos da Presença [online]. 2024, vol. 14, no. 4, e138216, ISSN: 2237‐2660 [viewed 3 April 2025]. https://doi.org/10.1590/2237-2660138216vs01. Available from: https://www.scielo.br/j/rbep/a/s9ftW3B3t3XTttZVT8ZgjyH/

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SOUZA, L.P.P. Polícia e intelectuais na disciplinarização do espectador teatral contra a pateada [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2025 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2025/04/03/policia-e-intelectuais-disciplinarizacao-espectador-teatral-contra-pateada/

 

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