André Luiz dos Santos Paiva, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró, RN, Brasil1
Uma experiência de aprendizado ético e social, voltada à reflexão sobre a subjetividade gay e os limites impostos pela homofobia, nasce da análise do filme Amarelo manga (2002), de Cláudio Assis. A partir da narrativa intensa e disruptiva da personagem Dunga, o artigo Subjetividade gay, educação ética e reconhecimento desde Amarelo manga propõe pensar o cinema queer como espaço formativo — não escolar, mas profundamente educativo.
Inspirado pela genealogia foucaultiana, o estudo analisa cenas específicas do filme, compreendendo-o como uma produção social que revela os jogos de poder e as tensões éticas contemporâneas. A proposta não é fazer uma leitura técnica da obra, mas evidenciar como a arte pode ser instrumento de transformação — não por ensinar diretamente, mas por afetar, provocar e possibilitar novos modos de pensar o outro e a si. Parte do entendimento de que o cinema queer não apenas representa vivências dissidentes, mas tensiona os limites do que se espera ver e sentir diante de histórias sobre corpos, afetos e desejos marginalizados. Longe de reforçar padrões normativos, propõe uma outra lógica: a da subversão, da visibilidade não assimilada, da potência do desvio.
Dunga não é apenas uma figura caricata ou marginalizada — ele encarna uma “bicha maldita” que afronta a normatividade não só com sua existência, mas com sua afetividade, sua dor e seus desejos. Sua presença escancara os mecanismos de exclusão, violência simbólica e injúria, e ao mesmo tempo mobiliza perguntas: como reconhecer a diferença sem apagá-la? Como produzir uma ética que não normalize, mas acolha a pluralidade?
Nesse sentido, “Amarelo manga” é um dispositivo que convida a pensar o reconhecimento para além das estruturas tradicionais. O que se propõe aqui é uma educação ética que nasce do encontro com o desconforto, com o deslocamento, com aquilo que rompe o que se espera. É uma aprendizagem social que se dá na fruição da arte — nas salas de cinema, nas casas, nas discussões que atravessam corpos e afetos que se veem representados (ou interpelados) nessas imagens. A conclusão a que se chega é simples e poderosa: o cinema queer tem força para operar uma ética do reconhecimento. Não se trata de ensinar com métodos ou programas, mas de permitir que, por meio do contato com essas narrativas, as pessoas possam experimentar outras formas de olhar e de se relacionar com as diferenças. Um gesto educativo, sim, mas feito de estética, política e afeto.
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PAIVA, A.L.S. and CARVALHO, M.F. Subjetividade gay, educação ética e reconhecimento desde Amarelo manga. Pro-Posições [online]. 2025, vol. 36, e2025c0501BR [viewed 16 September 2025]. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2023-0083BR. Available from: https://www.scielo.br/j/pp/a/fJYvQdnhSHBgHG8x3dSGLRy
Nota
1. Esse texto foi gerado por IA a partir do artigo original, com a validação do autor.
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