O Quiet Quitting como face do esgotamento no Trabalho

Dra. Ludmila de Vasconcelos Guimarães, professora e pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Administração do CEFET-MG e do Centro de Pesquisas e Pós Graduação em Administração da UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil.

1Logo da Revista de Administração ContemporâneaO artigo Quiet Quitting: A Resignação do Sujeito e os Efeitos do Confinamento no Trabalho, publicado pela Revista de Administração Contemporânea (vol. 30, no. 2, 2026), examina o fenômeno do quiet quitting enquanto prática de trabalhadores que se limitam a cumprir o mínimo exigido sem se envolver emocionalmente e a sua relação com a perda de sentido no/do trabalho. Realizado por pesquisadoras (es) nacionais e internacionais de orientação lacaniana, recorremos a materiais clínicos e crítica social, além de situar o fenômeno a partir das transformações neoliberais intensificadas pela pandemia de Covid-19.

A tese desta discussão é que a resignação silenciosa dos trabalhadores deve ser compreendida como um sintoma social, expressando menos uma perda de engajamento e mais uma suspensão do trabalho de significação. O quiet quitting revela uma forma específica de resignação subjetiva, marcada pela melancolia e pela erosão das mediações simbólicas que historicamente sustentaram o trabalho como espaço de reconhecimento e desejo.

 

 

O impacto deste estudo para os debates no campo da administração e áreas afins, é de oferecer uma leitura ético-política do trabalho contemporâneo, mostrando como a resignação silenciosa está associada a processos mais amplos de precarização, erosão simbólica e transformação dos laços sociais. Como contribuição para a sociedade, este estudo alerta que a apatia no trabalho não se resume à preguiça, mas é uma resposta a um contexto de precarização e erosão dos vínculos.

O artigo conclui que compreender o quiet quitting como sintoma social reforça a relevância de abordagens psicanalíticas e críticas para a análise da saúde mental no trabalho pós-pandemia. As reflexões aqui construídas, a partir do material clínico, nos aponta de que a recuperação do sujeito silenciado está relacionada à insistência do desejo e numa ética que não faz concessão ao gozo exigido pelo discurso capitalista.

O trabalho como criação é insistência e persistência diante do encontro com o real. Por fim, repensar as organizações exige não mais estratégias de reengajamento motivacional, mas a abertura para que o trabalho volte a ser um espaço de desejo, de produção de conhecimento irredutível e de encontro ético com o inesperado – algo que o quiet quitting, justamente por ser sintoma, denuncia como ausente.

Para ler o artigo, acesse

ORRADO, I., et al. Quiet Quitting: A Resignação do Sujeito e os Efeitos do Confinamento no Trabalho. Revista de Administração Contemporânea [online]. 2026, vol. 30, no. 2, e260057 [viewed 3o June 2026]. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2026260057.en. Available from: https://www.scielo.br/j/rac/a/cg57zHfXsQN5mq5hXTNhSZS/

Nota

1. A inteligência artificial DeepSeek foi utilizada para organizar a redação deste texto.

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

GUIMARÃES, L.V. O Quiet Quitting como face do esgotamento no Trabalho [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/06/30/o-quiet-quitting-como-face-do-esgotamento-no-trabalho/

 

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