Desenvolvimento do bebê e a depressão materna — a culpa não é da mãe

Rafaela de Almeida Schiavo, Doutora em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Fundadora do Instituto MaterOnline, Agudos, São Paulo, SP, Brasil.

Imagem: Rafaela de Almeida Schiavo

O artigo “Desenvolvimento infantil, depressão materna e fatores associados: um estudo longitudinal”, publicado no periódico Paidéia (Ribeirão Preto) (vol. 30), visou avaliar e comparar, sintoma depressivo materno ao desenvolvimento de bebês, aos seis e 14 meses. O estudo foi realizado no doutorado da autora entre os anos de 2012 a 2015, numa investigação longitudinal onde participaram 139 mulheres e seus bebês, desde a gestação até o primeiro ano de vida da criança.

Para Schiavo, após anos de dedicação à psicologia perinatal, foi possível perceber que o senso comum acredita que a gestação é o período de maior alegria na vida de uma mulher, mas dados científicos apontam que o período perinatal é potencial gerador de crise e a frequência de sintomas de depressão é alta durante o período gestacional. Fato que contradiz alguns estudos antigos de que sintomas de depressão são mais frequentes no pós-parto. Em nossa sociedade, os cuidados com o bebê são atribuídos exclusivamente às mães, e uma boa parte delas está apresentando sintomas de depressão, que retira delas a energia para oferecer cuidados e estimulação ao bebê, desta forma, o bebê pode apresentar atrasos no desenvolvimento por não estar recebendo os estímulos necessários.

Os resultados revelaram que 22% das gestantes estavam com sintomas de depressão, 17% aos seis meses e 12% aos quatorze meses pós-parto, reforçando aos estudiosos da área que o período da gestação é mais crítico que o pós-parto para manifestação desses sintomas. Os dados também indicaram que aos seis e 14 meses pós-parto a maioria das mulheres que apresentavam sintomas de depressão já apresentava, desde a gestação. O que revela ao psicólogo a importância de atuar na prevenção primária, logo no início da gestação. O número de bebês com atraso no desenvolvimento aos seis e 14 meses foi alto, 40% e 31%, entretanto, o atraso no desenvolvimento global não foi associado aos sintomas de depressão materna em nenhum momento, mas quando dividido por área, encontrou-se associação.

Desta forma, é preciso que os profissionais da saúde, em especial o psicólogo, tenham conhecimento específico sobre a chamada psicologia perinatal que estuda os fenômenos psicológicos envolvidos na gravidez, parto e pós-parto e suas consequências para o desenvolvimento infantil. Essa é uma área ainda pouco explorada e de grande necessidade de acompanhamento. O psicólogo perinatal pode oferecer atenção psicológica às gestantes para prevenção de sintomas de depressão tanto na gravidez quanto no pós-parto, bem como orientar sobre as ações que a rede de apoio dessa mulher consegue exercer. A rede de apoio bem preparada ajuda na prevenção da depressão no período perinatal como também na estimulação dos bebês, diminuindo assim, o número de mulheres com sintomatologias depressivas e atrasos no desenvolvimento infantil.

No podcast abaixo, Rafaela de Almeida Schiavo amplia a discussão sobre a pesquisa.

Referências

ARRAIS, A. da R.; ARAÚJO, T. C. C. F. de and SCHIAVO, R. de A. Depressão e ansiedade gestacionais relacionadas à depressão pós-parto e o papel preventivo do pré-natal psicológico. Rev. Psicol. Saúde [online]. 2019, vol. 11, no. 2, pp. 23-34, ISSN: 2177-093X [viewed 8 July 2020]. DOI: 10.20435/pssa.v0i0.706. Available from: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2177-093X2019000200003&lng=pt&nrm=iso

ARRAIS, A. da R.; ARAUJO, T. C. C. F. de and SCHIAVO, R. de A. Fatores de risco e proteção associados à depressão pós-parto no pré-natal psicológico. Psicol. cienc. prof. [online]. 2018, vol. 38, no. 4, pp. 711-729, ISSN: 1982-3703 [viewed 8 July 2020]. DOI: 10.1590/1982-3703003342016. Available from: http://ref.scielo.org/7k8w83

Para ler o artigo, acesse

SCHIAVO, R. de A. and PEROSA, G. B. Child development, maternal depression and associated factors: a longitudinal study. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2020, vol. 30, e3012. ISSN: 1982-4327 [viewed 8 July 2020]. DOI: 10.1590/1982-4327e3012. Available from: http://ref.scielo.org/bvk2qs

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SCHIAVO, R. A. Desenvolvimento do bebê e a depressão materna — a culpa não é da mãe [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/07/23/desenvolvimento-do-bebe-e-a-depressao-materna-a-culpa-nao-e-da-mae/

 

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