Redes de poder e disputas por prestígio na formação do historiador no Império

Ilda Renata Andreata Sesquim, Editora de Mídias e Comunicação da Revista História da Historiografia, doutoranda e mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.

Logo do periódico História da HistoriografiaO artigo Ser-historiador no Rio de Janeiro imperial: cotidiano e ofício no diário íntimo de José Ignacio de Abreu e Lima, 1843-44, de Paulo Montini de Assis Souza Júnior, publicado no periódico História da Historiografia (vol. 18, 2025), investiga como se construía a identidade de historiador no Brasil oitocentista através da experiência cotidiana e das redes de sociabilidade. A partir do diário pessoal de José Ignacio de Abreu e Lima, o estudo revela que o reconhecimento no campo historiográfico estava profundamente ligado a articulações políticas, relações sociais e estratégias de legitimação pública.

A pesquisa analisa o diário escrito entre 1843 e 1845, com foco no período em que Abreu e Lima viveu no Rio de Janeiro, então capital do Império. Desenvolvido por meio de análise documental qualitativa, o estudo cruza as anotações íntimas do autor com outras fontes da época, como jornais e registros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. O recorte temporal concentra-se nos anos de 1843 e 1844, buscando compreender como um personagem com trajetória política controversa buscou se afirmar como homem de letras e historiador. A motivação central é problematizar o que significava “fazer-se historiador” no século XIX, conectando essa experiência ao cotidiano e às dinâmicas sociais da época.

 

 

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, com financiamento da CAPES, o autor propõe uma leitura do diário como um “teatro íntimo da história”, em que se articulam dimensões públicas e privadas da escrita. A metodologia privilegia a análise das redes de sociabilidade e da retórica historiográfica, explorando o diário como um gênero híbrido, situado entre autobiografia e crônica, capaz de revelar os bastidores da produção histórica no Brasil imperial.

Os resultados mostram que Abreu e Lima mobilizou suas relações com figuras influentes, incluindo Dom Pedro II, para legitimar suas obras, como o Compendio da História do Brasil. O diário também evidencia conflitos com membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), como Francisco Adolfo de Varnhagen e Januário da Cunha Barbosa, e indica que as disputas historiográficas estavam atravessadas por rivalidades políticas. O estudo contribui para a história da historiografia ao desmistificar a figura do historiador como um intelectual isolado, destacando o papel das redes de poder na construção da “história pátria” e oferecendo uma leitura mais crítica sobre a formação da narrativa nacional.

Como conclusão, o artigo demonstra que ser historiador no Brasil imperial implicava uma constante negociação por prestígio e reconhecimento junto às elites políticas e intelectuais. A pesquisa aponta que a escrita da história era inseparável das dinâmicas sociais e institucionais do período. Como desdobramento, abre caminhos para novas investigações sobre a trajetória de Abreu e Lima, especialmente sua atuação em Pernambuco, e para estudos mais amplos sobre as relações entre história, política e sociabilidade no século XIX.

Para ler o artigo, acesse

JÚNIOR, P.M.A.S. Ser-historiador no Rio de Janeiro imperial: cotidiano e ofício no diário íntimo de José Ignacio de Abreu e Lima, 1843-44. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography [online]. 2026, vol. 18, pp. 1–27 [viewed 13 May 2026]. https://doi.org/10.15848/hh.v18.2271. Available from: https://www.scielo.br/j/hh/a/PN73dzZXJtgkHL8vstBfnTn/

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

SESQUIM, I.R.A. Redes de poder e disputas por prestígio na formação do historiador no Império [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/05/13/redes-de-poder-e-disputas-por-prestigio-na-formacao-do-historiador-no-imperio/

 

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