Luiz Eduardo Oliveira, professor titular da Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE, Brasil.
A alfabetização, muitas vezes associada a um processo neutro de ensino das “primeiras letras”, desempenhou papel central na colonização promovida pelo Império português. É o que demonstra o artigo Entre cartinhas e catecismos: o alfabeto a serviço do Império (1502–1798), de autoria de Luiz Eduardo Oliveira, professor titular da Universidade Federal de Sergipe, publicado na Revista Brasileira de História da Educação (vol. 25, 2025).
O estudo evidencia como o ensino da leitura e da escrita em língua portuguesa esteve intrinsecamente ligado a um projeto de dominação cultural, linguística e religiosa. Para isso, o autor examina compêndios pedagógicos utilizados na época — as Cartinhas (ou Cartilhas) e os Catecismos — relacionando seus elementos pré-textuais à legislação e à historiografia educacional, linguística e cultural.
A pesquisa mostra que esses materiais didáticos acompanharam três fases da expansão imperial portuguesa:
- Português na África e na Ásia (1502–1563) – distribuição de Cartinhas e Catecismos impressos como instrumentos de propagação da fé cristã e da língua portuguesa.
- Colonização das línguas indígenas e africanas (1563–1757) – missionários produziram gramáticas e catecismos bilíngues para converter populações locais em suas próprias línguas, impondo o alfabeto latino.
- “Civilização” dos povos indígenas (1757–1798) – com as reformas pombalinas, o Estado impôs o ensino da “língua do príncipe” (português), vinculando alfabetização a disciplina social e integração forçada.
Segundo Oliveira, a alfabetização nesse contexto não foi apenas uma prática educativa, mas um instrumento de colonização que articulava religião, poder político e expansão territorial. As Cartinhas e Catecismos, mais do que manuais de leitura ou doutrina cristã, foram ferramentas de controle cultural que contribuíram para consolidar o português como língua oficial em vastos territórios.
“A alfabetização, concebida como ensino do alfabeto, foi utilizada como estratégia para converter e submeter povos, inserindo-os em uma lógica colonial e cristã que moldava novas formas de viver e de se relacionar com o mundo”, afirma o autor.
Ao recuperar essa trajetória, o artigo contribui para compreender as origens da relação entre alfabetização, religião e poder político na formação da lusofonia, hoje com cerca de 250 milhões de falantes da língua portuguesa no mundo.
Para ler o artigo, acesse
OLIVEIRA, L.E. Entre cartinhas e catecismos: o alfabeto a serviço do Império (1502-1798). Revista Brasileira de História da Educação [online]. 2025, vol 25, e381 [viewed 30 January 2026]. https://doi.org/10.4025/rbhe.v25.2025.e381. Available from: https://www.scielo.br/j/rbhe/a/GvRhH36G7GfFM89PqJSzfVy/
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