Profa. Dra. Fabiana Serralha Miranda, pós-doutoranda em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professora e gestora da Faculdade de Tecnologia do Ipiranga “Pastor Enéas Tognini”, do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CPS), São Paulo, SP, Brasil.
Profa. Dra. Maria das Graças Gonçalves Vieira Guerra, professora titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), vinculada ao PPGE e ao PPGAVE, pós-doutora pela Universidade do Porto, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível C, João Pessoa, PB, Brasil.
Profa. Dra. Maria do Carmo Romeiro, professora titular da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), doutora pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Pró-Reitora de Pesquisa, Extensão e Inovação da USCS, São Caetano do Sul, SP, Brasil.
Avaliar não basta. Nas instituições de ensino superior brasileiras, a autoavaliação institucional, prevista no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), instituído pela Lei nº 10.861/2004 é uma prática consolidada, dados são coletados, indicadores são analisados e relatórios são produzidos, ou seja, os preceitos legais são cumpridos. Ainda assim, uma questão persiste: por que esses resultados têm pouco impacto na gestão? O estudo Autoavaliação institucional em instituições de educação superior: compreensões, usos e sentidos atribuídos por gestores educacionais, publicado pelo periódico Educação e Pesquisa (vol. 52, 2026), investiga como gestores compreendem, utilizam e atribuem valor à autoavaliação, evidenciando que o principal desafio não está na produção de dados, mas em sua transformação em decisões estratégicas.
A pesquisa foi desenvolvida por estudiosas da área de educação e gestão, com base em uma abordagem qualitativa e em estudo de múltiplos casos. Foram analisadas três instituições de ensino superior com diferentes naturezas jurídico-administrativas, a partir de entrevistas com diretores e coordenadores de curso e da análise de relatórios institucionais. O objetivo foi compreender como a avaliação é vivenciada no cotidiano da gestão e quais sentidos lhe são atribuídos.

Imagem: Via Magnific
Os resultados revelam um cenário heterogêneo. Em algumas instituições, a autoavaliação ainda se mantém como um procedimento formal, com baixa participação da comunidade acadêmica e pouca articulação com o planejamento. Em outras, entretanto, observa-se um uso mais consistente dos resultados, que passam a orientar decisões, subsidiar melhorias e fortalecer a gestão institucional. Esses achados reforçam que o impacto da avaliação depende diretamente de sua integração aos processos decisórios, que só ocorrem quando há clareza da gestão quanto ao valor da autoavaliação para o planejamento e desenvolvimento institucional.
Mais do que produzir diagnósticos, avaliar implica gerar ação. O estudo aponta que o valor da autoavaliação institucional está em sua capacidade de mobilizar decisões, promover aprendizagem organizacional e fortalecer a cultura avaliativa. Entre os desafios, destacam-se a ampliação da participação, a qualificação das devolutivas e a incorporação sistemática dos resultados à gestão. Avançar nessa direção é essencial para que a avaliação cumpra seu papel como instrumento de melhoria contínua no ensino superior.
Para ler o artigo, acesse
MIRANDA, F.S.; GUERRA, M.G.G.V. and ROMEIRO, M.C. Autoavaliação institucional e seus limites na gestão das instituições de ensino superior. Educação e Pesquisa [online]. 2026, vol. 52, e300750 [viewed 25 May 2026]. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202652300750por. Available from: https://www.scielo.br/j/ep/a/8BPR55S8VfBzRvYx9DBvgPv/
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