A escola está preparada para os ritmos juvenis?

Alexandre Barbosa Pereira, professor na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Santos, SP, Brasil

edreal_logoO artigo de Alexandre Barbosa Pereira para a Educação & Realidade explora as muitas formas como as experiências estudantil e juvenil influenciam-se e modificam-se mutuamente. Por meio de pesquisa etnográfica em quatro escolas públicas de bairros da periferia de São Paulo, o autor analisa a relação entre tempo e espaço mediada pelo corpo no cotidiano escolar.  Ele se propõe a escutar e sentir o pulsar da escola para captar as atividades rotineiras e as que rompem com as rotinas preestabelecidas. A investigação revela como as instituições de ensino reverberariam ritmos cíclicos e lineares em sua organização e em sua perspectiva de formação dos estudantes, mas se encontram cada vez mais influenciadas por outros movimentos, que consideram estranhos e, mesmo, ameaçadores.

No artigo, os ritmos que se destacam são os desenvolvidos pelos estudantes a desafiar e mesmo criar rupturas na lógica disciplinar das escolas. Uma ação importante, que os alunos denominam como zoeiras, ocorria por meio de relações jocosas e lúdicas que se contrapõem ao tempo escolar, sério e disciplinado. As zoeiras mobilizam fundamentalmente aspectos corporais dos estudantes entre si e dos professores como forma de caricaturar e gozar dos colegas e dos docentes.

O pesquisador demonstra como as novas mídias potencializam as zoeiras e proporcionam aos alunos a conexão com muitos outros dispositivos. Eles são o público de atividades culturais diversificadas, como o funk, os quadrinhos, os games ou os programas de humor na televisão. De certo modo, todas essas influências passam a ditar os ritmos escolares, pois, pelo telefone celular, podem, mesmo dentro da escola, estabelecer contato com domínios alheios a esta.

Quase sempre restam aos professores reclamarem de que não conseguem mais dar aulas para os alunos da geração atual. O que demonstra o quanto a questão da educação contemporânea, particularmente na modalidade do ensino médio, tem se apresentado fundamentalmente como uma questão de juventude. Isso acontece em grande medida porque se naturaliza a condição de estudante, como se, ao adentrar a instituição escolar, a conversão do jovem em aluno fosse automática. O artigo conclui que o maior desafio da escola está em tentar estabelecer algum tipo de diálogo com esse estudante atual que participa de muitas outras atividades culturais. A realidade escolar tem de ser capaz de articular-se com os movimentos das práticas culturais juvenis.

Para ler o artigo, acesse

PEREIRA, A. B. Other Rhythms in Schools on the Outskirts of São Paulo. Educ. Real. [online]. 2016, vol.41, n.1, pp.217-237. [viewed 22th March 2016]. ISSN 2175-6236. DOI: 10.1590/2175-623654713. Available from: http://ref.scielo.org/khcqgj

Link externo

Educação & Realidade – EDREAL: www.scielo.br/edreal

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PEREIRA, A. B. A escola está preparada para os ritmos juvenis? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/04/12/a-escola-esta-preparada-para-os-ritmos-juvenis/

 

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