Ken Hirschkop propõe bases bakhtinianas para um debate com os cognitivistas

Maria Helena Cruz Pistori, Editora executiva da Bakhtiniana, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil

bak_logoKen Hirschkop é profundo conhecedor da obra bakhtiniana, professor e pesquisador de Língua e Literatura Inglesa (Universidade de Waterloo, Ontario, Canadá), Crítica cultural e História e Teoria da Comunicação. Poucos de seus artigos têm tradução para o português e talvez sua obra mais conhecida seja ainda Mikhaïl Bakhtin: an aesthetic for democracy, fruto de sua tese de doutorado, com foco na teoria da linguagem bakhtiniana. No artigo “Bakhtin against the darwinists and cognitivists”, publicado no volume 11, número 1, da Bakhtiniana, o modo como propõe o debate aponta o possível confronto entre a linguística estruturalista, que se elevou ao nível da ciência positiva, e os estudos do discurso.

Num texto por vezes irônico e, em muitos pontos, quase informal (e combativo), Ken Hirschkop principalmente o livro de Pinker—“The Instinct of Language”, para analisar e contrapor à perspectiva bakhtiniana. O autor defende, antes de tudo, um posicionamento ante a ciência cognitiva: se hoje ela avança em direção a áreas anteriormente apenas exploradas pelas ciências humanas — linguística, sociologia, psicologia, filosofia —, é preciso compreendê-la em profundidade e, sobretudo, apontar os limites de seu alcance. E, contrapondo-se a elas, Hirschkop apresenta ao leitor pitadas da teoria da linguagem da obra bakhtiniana. Isto é, o autor problematiza, com propriedade e com argumentos circunstanciados, os limites de uma concepção cognitivista de linguagem, tendo como contraponto a visão dialógico-polifônica de Bakhtin.

Destaco aqui, dois de seus argumentos. Quanto a um possível idealismo da posição cognitivista, ele afirma:

“[…] não importa o quanto a ciência cognitiva alardeie suas credenciais científicas, ela permanece teimosamente idealista quando se trata da linguagem. Ela não consegue imaginar a fala como outra coisa a não ser uma conversa entre duas máquinas computacionais sem corpos, que registram elementos do mundo físico terrestre ao transformá-los em informação para serem processadas” (p. 182).

E, quanto ao materialismo da posição bakhtiniana, segundo ele mais convincente do que o cognitivista, afirma: “E se alguém ainda estiver desejoso de posicionar-se em favor de Bakhtin uma vez mais, terá que ser porque o nosso filósofo solitário — aquele que fala sem receios da diferença irrevogável que Cristo fez ao mundo — é, de certa forma, mais materialista, ou, pelo menos, materialista de uma maneira mais convincente do que os pinkerianos e dawkinianos deste mundo” (p. 175).

Sem dúvida, para conhecermos e entendermos melhor a posição de Ken Hirschkop, é necessária a leitura do artigo. E, então, poderemos com ele dialogar, questionando, inclusive, se, como o autor afirma em outro momento, Bakhtin ainda pode falar para nós, se lhe fizermos as questões corretas.

Para ler o artigo, acesse

HIRSCHKOP, K. Bakhtin Against the Darwinists and Cognitivists. Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso[online]. 2016, vol.11, n.1, pp.173-186. [viewed 31th March 2016]. ISSN 2176-4573. DOI: 10.1590/2176-457324722. Available from: http://ref.scielo.org/jt7fx3

Link externo

Bakhtiniana – BAK: www.scielo.br/bak

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PISTORI, M. H. C. Ken Hirschkop propõe bases bakhtinianas para um debate com os cognitivistas [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/04/28/ken-hirschkop-propoe-bases-bakhtinianas-para-um-debate-com-os-cognitivistas/

 

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