Marxismo e filosofia da linguagem, 37 anos depois da primeira tradução brasileira

Maria Helena Cruz Pistori, Editora associada de Bakhtiniana, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil

bak_logoAdail Sobral, professor e pesquisador da Universidade Católica de Pelotas, e Karina Giacomelli, da Universidade Federal de Pelotas, ambos do Rio Grande do Sul, propõem novos diálogos com a obra de Voloshinov no artigo “MFL em contexto: algumas questões”. Motivados inicialmente pela publicação de nova tradução da obra no francês, numa edição bilíngue preparada por Patrick Sériot e Inna Tylkowski-Ageeva (2010), e pela tradução para o português do Prefácio de Sériot por Marcos Bagno (2015), os autores refletem tanto sobre os sentidos que uma retradução pode trazer/acrescentar/implicar/rebater, ecoando ou implicitamente questionando a primeira, como sobre os critérios da própria retradução: “Uma tradução legítima, como o provam os modernos estudos de tradução, deve respeitar tanto o contexto da obra traduzida como o contexto da tradução, o que constitui sempre um desafio” (p. 157), afirmam.

No artigo, Sobral e Giacomelli inicialmente tratam das relações entre tradução e interpretação, tomando o trabalho de Sériot e Tylkowski-Ageeva como um exemplo de nova interpretação de MFL, com o qual nem sempre concordam. No entanto, enriquecendo o texto, os autores fogem do simples discurso citado do linguista francês, e vão dialogando com ele, acrescentando e discutindo aspectos da obra e da tradução, expondo e aprofundando para o leitor uma leitura responsiva ampla e ativa dos textos primeiros: a obra original, suas traduções e as anotações da nova edição francesa.

O artigo trata do espaço-tempo dos autores russos, daquele da primeira tradução francesa, da atual e ainda do espaço-tempo brasileiro contemporâneo. Os autores destacam o “amplo e isento levantamento” realizado pelo linguista francês em relação à questão da paternidade da obra (e mesmo da existência do “Círculo de Bakhtin”) e, em seguida, o “importante esboço biográfico” de Voloshinov. Mas o texto não se furta de abordar outras questões levantadas não só pelo Prefácio mas também pela própria obra, como o questionamento acerca de seu comprometimento com a filosofia marxista; sobre a noção de signo linguístico e a “rejeição total” de Voloshinov a Saussure, segundo Sériot; sobre diferenças entre língua e discurso em MFL; seu diálogo com Humboldt e Vossler entre outros. Sobral e Giacomelli consideram que “Voloshinov estava apontando os limites da proposta de Saussure de seu ponto de vista, igualmente legítimo, não no âmbito do universo saussuriano” (p. 168).

Enfim, o artigo comprova que MFL e sua noções continua atual e merece ainda estas e muitas outras reflexões. Por isso, convidamos nosso leitor para o profícuo diálogo que a leitura do texto proporciona. Boa leitura!

Para ler o artigo, acesse

SOBRAL, A. and GIACOMELLI, K. MPL in Context: Some Questions. Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso [online]. 2016, vol.11, n.3, pp.154-173. [viewed 24th November 2016]. ISSN 2176-4573. DOI: 10.1590/2176-457323023. Available from: http://ref.scielo.org/cdntxt

Link externo

Bakhtiniana – BAK: www.scielo.br/bak

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PISTORI, M. H. C. Marxismo e filosofia da linguagem, 37 anos depois da primeira tradução brasileira [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/01/13/marxismo-e-filosofia-da-linguagem-37-anos-depois-da-primeira-traducao-brasileira/

 

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