Precarização do trabalho médico no SUS

Luiz Gonzaga Chiavegato Filho, Professor adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João Del-Rei, São João Del-Rei, MG, Brasil

estpsi_logoA tese de doutoramento do Prof. Luiz Gonzaga Chiavegato Filho da Universidade Federal de São João Del-Rei, desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, abordou a prática médica no Sistema Único de Saúde de Jaguariúna/SP. Trata-se de um estudo que procurou conhecer mais de perto as condições e a organização de trabalho dos médicos, visando identificar os possíveis impactos na saúde, bem como os aspectos que poderiam contrariar ou impedir o desenvolvimento individual e coletivo desses profissionais. Os resultados e conclusões desse estudo estão publicados no primeiro número de 2017 do periódico Estudos de Psicologia (Campinas) sob o título “A prática médica no Sistema Único de Saúde: quando uma atividade de trabalho pede socorro”. Os dados levantados revelaram a degradação da atividade de trabalho desses profissionais, motivada pela ausência de um coletivo de trabalho, pelo empobrecimento da identidade profissional e pela vivência de uma atividade contrariada. Entre os principais problemas de saúde associados identificou-se a hipertensão e os transtornos mentais comuns. Em situações de trabalho como esta, mais do que cuidar das pessoas é preciso cuidar do trabalho para se obter avanços na saúde dos trabalhadores e desenvolver a capacidade de ação desses profissionais sobre a própria atividade.

Neste estudo, foram entrevistados, em duas etapas, 15 médicos das Unidades Básicas de Saúde de Jaguariúna/SP, de diferentes especialidades, e dois gestores da Secretaria de Saúde. Na primeira etapa, foram feitas entrevistas individuais e abertas com os 15 médicos e os dois gestores. Na segunda etapa, cinco médicos que já haviam participado da primeira etapa do estudo, foram novamente entrevistados. Porém, neta etapa, as entrevistas foram baseadas em técnicas de autoconfrontação, propostas pela Clínica da Atividade.

Estudos anteriores sobre o trabalho médico, já apontavam para a elevada sobrecarga psicológica e alta incidência de transtornos mentais comuns. Além disso, indicavam que mudanças na organização do trabalho desse profissional, ocorridas nas últimas décadas, repercutiram na autonomia profissional, na remuneração, nos múltiplos vínculos empregatícios e precarização do trabalho. Reconhecer a importância da vitalidade do ofício talvez seja o primeiro passo para o desenvolvimento de políticas públicas que orientem a gestão de serviços de saúde no sentido de combater a precarização e a degradação da atividade de trabalho. Isso significa evidenciar a importância de se reconhecer a heterogeneidade da ação dos funcionários nos ambientes de trabalho e o seu papel ativo na organização e desenvolvimento das atividades.

Para ler o artigo, acesse

CHIAVEGATO FILHO, L. G. A prática médica no Sistema Único de Saúde: quando uma atividade de trabalho pede socorro. Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2017, vol.34, n.1, pp.63-73, ISSN 1982-0275 [viewed 22March 2017]. DOI: 10.1590/1982-02752017000100007. Available from: http://ref.scielo.org/92jdvz.

Link externo

Estudos de Psicologia (Campinas) – ESTPSI – www.scielo.br/estpsi

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

CHIAVEGATO FILHO, L. G. Precarização do trabalho médico no SUS [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/04/03/precarizacao-do-trabalho-medico-no-sus/

 

One Thought on “Precarização do trabalho médico no SUS

  1. Precarização é a palavra mais sensata quando se refere ao SUS. Infelizmente a corrupção exacerbada que desvia as verbas constitucionais, que deveriam ser aplicadas ao SUS, são desviadas para contas de partidos políticos, fazendo com que o contribuinte que já paga muitos impostos, não tenha recursos para um plano de saúde privado que também além de caríssimo, ainda é falho. Basta ir ao um pronto socorro, para se deparar com a triste e medíocre realidade, pessoas lançadas ao acaso, com varias moléstias e enfermidades, com médicos sobrecarregados e estressados receitando qualquer medicamento e diagnosticando sempre viroses para qualquer sintoma, ainda que seja grave. Quantos são os morrem sem serem atendidos. Vou baixar o trabalho, pois deve ser muito interessante.

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