Parâmetros de qualidade para sistema cicloviário

Fernanda Cantarim, doutoranda no Programa de Gestão Urbana na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e membro do corpo auxiliar da urbe, Curitiba, PR, Brasil

O autor Vinicius Tischer, da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), desenvolveu o IM Ciclo (Índice de Mobilidade Cicloviária) como uma forma de quantificar a qualidade dos sistemas cicloviários — e os resultados da aplicação deste são apresentados no artigo “Validação de sistema de parâmetros técnicos de mobilidade urbana aplicados para sistema cicloviário”, publicado no periódico urbe (v. 9, n. 3). O IM Ciclo foi testado em duas cidades: Balneário Camboriú; e Itajaí. Os resultados obtidos demonstram que os indicadores utilizados e criados foram eficazes em demonstrar a qualidade do sistema cicloviário de ambas as cidades — podendo futuramente ser utilizado como forma de embasamento para políticas urbanas relacionadas com modalidades alternativas de transporte.

A metodologia utilizada por Tischer seguiu uma série de etapas até o desenvolvimento final do índice IM Ciclo. Primeiramente, o autor realizou uma análise da literatura existente em busca de parâmetros quantitativos aplicáveis para a criação, monitoramento e planejamento da infraestrutura cicloviária (PATUELLI et al., 2010; PILDES, 2014; SCHONER, 2012; TRESIDDER, 2005); sendo selecionados aqueles com valor técnico para se mensurar a conectividade do sistema. Em um segundo momento, Tischer criou índices complementares para identificar os níveis de fragmentação e cobertura do sistema cicloviário. Por último, aplicou-se o IM Ciclo em duas cidades do estado de Santa Catarina: Balneário Camboriú e Itajaí. Em ambos os casos o autor procurou as informações necessárias junto às prefeituras, grupos de ciclismo e bibliografias técnicas — e posteriormente esses dados foram transformados em material em Sistema de Informações Geográficas (SIG) e planilhas eletrônicas.

Os meios alternativos de transporte, especialmente o uso de bicicletas, vem ganhando mais espaço como forma de deslocamento nas cidades brasileiras — como demonstra a inclusão do modal no Plano Nacional de Mobilidade Urbana (BRASIL, 2012). Apesar disso, o investimento nos sistemas cicloviários ainda é insuficiente, o que desestimula o uso de bicicletas devido à baixa qualidade da rede. Na análise realizada por Tischer em Balneário Camboriú e em Itajaí, foi constatado que ambos os sistemas são defasados quando a extensão e nível de conectividade.

Referências

BRASIL. Lei n. 12.587, de 3 de janeiro de 2012. Institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Diário Oficial da União, Brasília, 3 janeiro 2017. Available from: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12587.htm

PATUELLI, R. et al. The evolution of the commuting network in Germany: Spatial and connectivity patterns. Journal of Transport and Land Use, 2009, v. 2, n. 3/4, p. 5-37. [viewed 06 October 2017]. ISSN: 1938-7849. DOI: 10.5198/jtlu.v2i3.23. Avaliable from: https://www.jtlu.org/index.php/jtlu/article/view/23

PILDES, R. Connectivity and accessibility of UIUC campus bike paths quantitative measures for bicycle infrastructure. Illinois: University of Illinois, Urbana Campaign, Department of Geography and GIS, 2014.

SCHONER, J. E. The missing link: bicycle infrastructure networks and ridership in 74 US cities. Minneapolis: University of Minnesota. Department of Civil Engineering & Humphrey School of Public Affairs, 2012.

TRESIDDER, M. Using GIS to measure connectivity: An exploration of issues. Field Area Paper. School of Urban Studies and Planning. Portland State University, 2005.

Para ler o artigo, acesse

TISCHER, V. Validação de sistema de parâmetros técnicos de mobilidade urbana aplicados para sistema cicloviário. urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana [online]. 2017, vol.9, n.3, pp.587-604. [viewed 19 October 2016]. ISSN 2175-3369. DOI: 10.1590/2175-3369.009.003.ao15. Available from: http://ref.scielo.org/zhjxyy

Links externos

urbe: Revista Brasileira de Gestão Urbana – URBE: www.scielo.br/urbe

Facebook da urbe: https://www.facebook.com/Revista-Urbe-542269092554837/

Canal de YouTube da urbe: https://www.youtube.com/channel/UCpS_AbnvUS7wb-jVBshmwmQ

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

CANTARIM, F. Parâmetros de qualidade para sistema cicloviário [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2017 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/10/26/parametros-de-qualidade-para-sistema-cicloviario/

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post Navigation