Trans/Form/Ação inaugura novas práticas de avaliação e revisão de manuscritos e democratização do conhecimento

Marcos Antonio Alves, Editor da Trans/Form/Ação: revista de Filosofia da Unesp, Docente no Departamento de Filosofia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marília, SP, Brasil.

Sobre o periódico

Foto do autor.

A Trans/Form/Ação foi criada em 1974 com objetivo inicial de integrar o Departamento de Filosofia da UNESP a outros departamentos congêneres do país. Entre 1976 e 1979, ocorreu a interrupção de sua publicação, mas, desde então, manteve-se um padrão regular com várias mudanças de periodicidade para atender as demandas e exigências de indexação e internacionalização. O público-alvo é formado por docentes, pesquisadores e estudantes da área de Filosofia e áreas congêneres, das universidades brasileiras e estrangeiras, bem como demais interessados, regulares ou não, nos temas abordados. 

Foi o primeiro periódico da área de Filosofia a ser indexada na SciELO, em 2005, e desde 2010, está também indexada pelo ISI Web of Science. Atualmente, é classificado no Qualis/CAPES A2. De livre acesso, busca a democratização e socialização do conhecimento, irrestrito e universal, conforme objetivos da Ciência Aberta (PACKER; SANTOS, 2019b). Para ampliar sua comunicação com seus leitores, passou a publicar regularmente notícias em sua página, também enviadas por e-mail aos cadastrados.

Processo avaliativo: novas práticas em busca da transparência e revisão de manuscritos 

Os manuscritos submetidos para publicação devem ser encaminhados on-line pela plataforma do SEER, já no formato de “avaliação cega”. São aceitos trabalhos redigidos em português, espanhol, italiano, francês e inglês. Nesta primeira fase, os manuscritos passam ainda por processo de análise de plágio via Turnitin.

Uma vez passados da primeira fase, os trabalhos já no formato de “avaliação cega” são direcionados para um avaliador da área de Filosofia, a fim de checar a pertinência de sua possível publicação, bem como a adequação de seu formato, para posteriormente ser encaminhado aos pareceristas. O artigo é enviado para avaliação apenas se satisfizer os requisitos de originalidade e adequação.

Na fase de avaliação, o manuscrito, seja no formato de artigo, seja tradução de algum texto filosófico ou ainda resenha de livros filosóficos, é submetido ao exame “duplo-cego”, em média por três pareceristas das áreas do periódico. Entende-se que esta avaliação cega é importante para a manutenção da transparência nos processos de avaliação de manuscritos por pares envolvendo relações e interações entre autores, editores e pareceristas, conforme objetivo da Ciência Aberta (PACKER; SANTOS, 2019a).

Quando aprovado, o artigo passa por revisão gramatical e normalização por profissionais contratados. Os autores deverão novamente observar as sugestões e realizar as correções necessárias. Feito isso, o artigo passa à fase de edição, realizada pelo Laboratório Editorial da Unesp e posterior publicação.

Agilidade na avaliação e publicação

No ano de 2020, houve uma diminuição drástica do tempo de avaliação dos manuscritos, um esforço do corpo editorial para diminuir o processo avaliativo a uma média de quatro meses. Entende-se a importância de uma avaliação rápida, principalmente em respeito aos autores dos manuscritos.

Entretanto, não é interessante deixar textos aprovados distantes do alcance dos leitores por muito tempo. Ainda que, na filosofia ou em áreas afins, o conhecimento não “envelheça”, torna-se fundamental a socialização do conhecimento com agilidade. Para diminuir este prazo entre a aprovação e publicação, são organizados números especiais, agrupando artigos por conteúdo, linha temática, períodos históricos.

Em outra frente, o periódico pretende disponibilizar uma modalidade de Preprints, no sentido da rapidez e transparência na comunicação das pesquisas, conforme objetivos da Ciência Aberta (PACKER; SANTOS, 2019a). Uma vez aprovados os textos para publicação, eles seriam pré-publicados, em seção especial na página do periódico, abrindo-o para comentários, críticas, observações. Também seria possível aos autores realizar alterações no texto antes da versão final para publicação e responder aos comentários ao texto feitos neste ambiente, por certo período, até o momento da editoração final do artigo para publicação. A implementação desta prática ainda exige certa estrutura, tanto física quanto virtual, além de viabilidade econômica para ser implementada. Espera-se iniciar esta prática no segundo semestre de 2020.

A modalidade de comentário

Conforme descrito em sua página, a Trans/Form/Ação tem como objetivo a socialização do conhecimento, buscando promover o debate e a interlocução de ideias. Em vista disso, inaugura-se, em 2020, uma nova modalidade de textos, a qual consiste de comentários de artigos aprovados, consentidos previamente pelos autores destes.

Anexados ao artigo original, são mini artigos, em torno de quatro páginas, produzidos e assinados, em princípio, pelos pareceristas do manuscrito submetido. Apenas depois de o artigo passar por todo o processo avaliativo e de revisões solicitadas, tendo sido aprovado para publicação pela comissão editorial, passando para a fase de edição, conforme as normas do periódico, solicita-se o comentário aos pareceristas. A estes, considerando a condição de comentador, não mais de parecerista, é facultativo o aceite do convite a esta atividade, agora como autor de um texto produzido sobre a submissão da qual foi um dos avaliadores.

Trata-se da publicação de uma crítica construtiva, não mais da qualidade do artigo, uma vez que o processo avaliativo já foi ultrapassado. O autor do comentário pode expor possíveis discordâncias de ideias, comparação de conceitos entre autores, perspectivas ou sistemas filosóficos, diferenças hermenêuticas, metodológicas, epistemológicas. É possível também construir uma ampliação, explicitação ou mesmo a inserção de algum conceito importante para a compreensão da linha argumentativa do artigo comentado, notas explicativas relevantes ou a posição do comentador a respeito da tese exposta. Nesse sentido, procura-se promover um diálogo entre ambos os textos, almejando o aprofundamento e a ampliação do conhecimento.

Os comentários também são uma forma de valorizar formalmente o trabalho dos avaliadores do periódico, oferecendo-lhes oportunidade de publicação de suas ideias e reflexões que podem, inclusive, ter tido origem a partir da análise do manuscrito avaliado. A política de avaliação do periódico, no entanto, continua sendo por pares duplo-cega. Os resultados vêm sendo bastante satisfatórios, tanto pela adesão dos convidados a comentador, quanto pela leitura dos textos publicados, quanto pela sua qualidade.

Referências

PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte I [online]. SciELO em Perspectiva, 2019a [viewed 16 May 2020]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i/

PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte II [online]. SciELO em Perspectiva, 2019b [viewed 16 May 2020]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-ii/

Links externos

Trans/Form/Ação – Trans: www.scielo.br/trans

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ALVES, M. A. Trans/Form/Ação inaugura novas práticas de avaliação e revisão de manuscritos e democratização do conhecimento [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/06/02/trans-form-acao-inaugura-novas-praticas-de-avaliacao-e-revisao-de-manuscritos-e-democratizacao-do-conhecimento/

 

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