Existirá um robô professor?

Vânia Gomes Zuin, Professora associada da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil, e professora visitante das Universidades de York (UK) e Leuphana, Alemanha.

Antônio Álvaro Soares Zuin, Professor titular do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil e professor-visitante da Goethe-Universität, Frankfurt, Alemanha.

O artigo “A autoridade pedagógica diante da tecnologia algorítmica de reconhecimento facial e vigilância”, publicado no periódico Educação & Sociedade (vol. 41), trata das formas pelas quais o professor, como autoridade pedagógica, torna-se elemento chave para a formação (Bildung) dos alunos. É necessário refletir sobre o conceito de autoridade em sala de aula em tempos de cultura digital, vigilância e controle, fundamentado nos dados obtidos pelas tecnologias algorítmicas de reconhecimento facial e corporal, que nos incita a questionar onde, quem ou o que é detentor desta autoridade pedagógica nos dias atuais.

Atualmente já é possível encontrar práticas de substituição das “funções” do professor por máquinas que corrigem testes ou exames em universidades, nas modalidades cada vez mais flexibilizadas de ensino presencial, semipresencial e a distância. Além disso, a criação de aplicativo que vem sendo chamado de “professor uber”, permite que os professores trabalhem no regime de horas, sendo remunerados conforme a aula entregue. Olhando esse cenário, até onde isso tudo é benéfico ou prejudicial ao processo de ensino-aprendizagem e formação do aluno?

Os robôs também podem ser usados para diversos propósitos, como a tecnologia algorítmica de busca e filtragem e a classificação de informações, aplicando-se nas mais diversas áreas do conhecimento. No que pertence à esfera educacional, não há como negar o potencial pedagógico derivado das ações dos softwares, cujos algoritmos permitem fazer com que informações e imagens sobre quaisquer assuntos sejam obtidas num tempo provavelmente inferior a um segundo. Sendo assim, as quantidades de insights, que podem eclodir imediatamente das relações estabelecidas nas salas de aula entre professores e alunos, não poderão ser jamais desprezadas.

O ser humano, como ser social, e as tecnologias algorítmicas precisam caminhar juntos e focados no processo de busca e discussão das informações e imagens digitalmente obtidas. A tecnologia será sim auxiliar a função do professor, mas jamais substituirá o ato de ensinar. Passaremos a um novo patamar nas relações professor-aluno/ aluno-professor, como forma atualizada de autoridade pedagógica. O trabalho do professor exige que os profissionais tenham níveis de empatia e organização “quase sobre-humanos”, sendo assim, seria um grande desafio a criação de professores robotizados. O que precisa ser reforçado é que as relações irão mudar, mas o professor jamais será substituído por um robô.

O podcast apresenta discussão ampliada do assunto incluindo questões atuais e perspectivas de futuro.

Referências

KÜMMERER, K.; CLARK, J. H.; ZUIN, V. G. Rethinking chemistry for a circular economy. Science [online]. 2020, vol. 367, no. 6476, pp. 369-37024, ISSN: 1095-9203 [viewed 26 May 2020]. DOI: 10.1126/science.aba4979. Avaliable from: https://science.sciencemag.org/content/367/6476/369

ZUIN, V.G. and BORGONOVE, C.M. Environmental education in distance learning in Environmental Engineering at Federal University of São Carlos, Brazil: potentialities and limitations towards a critical techno-scientific education. Brazilian Journal of Science and Technology [online]. 2016, vol. 3, pp. 1-14, e-ISSN: 2196-288X [viewed 26 May 2020]. DOI: 10.1186/s40552-016-0020-9. Avaliable from: https://bit.ly/2YLY0Qf

ZUIN, V.G. and ZUIN, A.A.S. A formação no tempo e no espaço da internet das coisas. Educ. Soc. [online]. 2016, vol. 37, no. 136, pp. 757-773, ISSN: 1678-4626 [viewed 26 May 2020]. DOI: 10.1590/es0101-73302016167198. Available from: http://ref.scielo.org/mrgk8t

ZUIN, A.A.S. Cyberbullying contra professores: dilemas da autoridade dos educadores na era da concentração dispersa. São Paulo: Edições Loyola, 2017.

ZUIN, V.G. Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future. São Carlos: EdUFSCar, 2018. v. 1.

Para ler o artigo, acesse

ZUIN, V.G. and ZUIN, A.Á.S. A autoridade pedagógica diante da tecnologia algorítmica de reconhecimento facial e vigilância. Educ. Soc. [online]. 2020, vol. 41, e233820. ISSN: 1678-4626 [viewed 5 June2020].  DOI: 10.1590/es.233820. Avalaible from: http://ref.scielo.org/9tv4n3

Links externos

Educação & Sociedade – ES: www.scielo.br/es

Cursos online

https://cursos.poca.ufscar.br/course/view.php?id=64

https://cursos.poca.ufscar.br/course/view.php?id=25

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ZUIN, V. G. and ZUIN, A. A. S. Existirá um robô professor? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/06/18/existira-um-robo-professor/

 

One Thought on “Existirá um robô professor?

  1. Texto muito bem escrito. Bem pertinente essa discussão nos tempos de hoje. O professor jamais será substituído pelo robô.

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