E quando as dificuldades de meus pais não me ensinam a controlar a minha raiva

Mariana Rodrigues Machado, Doutoranda, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, Brasil.

Há muito se investiga o impacto tanto positivo como negativo do ambiente familiar no desenvolvimento dos filhos. A forma como ocorrem as interações entre pai e mãe visando a educação e formação dos filhos também contribui para este desenvolvimento. No artigo “Coparental conflict and triangulation, emotion regulation, and externalizing problems in adolescents: direct and indirect relationships”, publicado no periódico Paidéia (Ribeirão Preto) (vol. 30) é analisado as especificidades no exercício da coparentalidade e a implicação para dificuldades de regulação emocional e posteriormente desenvolvimento de sintomas externalizantes em adolescentes.

O estudo foi realizado no ano de 2015 integrando o mestrado da Mariana Machado no grupo de pesquisa – NECAF – Núcleo de Estudos em Casais e Famílias, coordenado pela professora doutora Clarisse Mosmann na Unisinos. O grupo, atualmente, estuda impactos da coparentalidade nos filhos.  A coparentalidade relaciona-se com o envolvimento dos pais na educação dos filhos e as dificuldades nesse processo geram conflito e a triangulação coparental. A pesquisa investigou a percepção de 229 adolescentes de 11 a 18 anos sobre as suas dificuldades emocionais e comportamentais, e as dificuldades dos seus pais quanto a sua criação. A avaliação, ocorreu em apenas um encontro, e considerou sintomas emocionais e comportamentais, as principais dificuldades que os adolescentes encontram em regular as suas emoções e uma avaliação pela perspectiva do adolescente sobre a coparentalidade dos pais.

Os processos negativos de triangulação e conflito coparental impactam na capacidade dos adolescentes regular as suas emoções, bem como diretamente em sintomas externalizantes. Destaque pode ser dado à triangulação que é o ato de envolver a prole na discussão. Estudos anteriores mostram que este processo possuía ligação mais forte com sintomas internalizantes, contrastando com os resultados deste estudo. Entretanto, a maioria dos estudos anteriores foram realizados com crianças menores e poucos sob a ótima da prole. Conjetura-se que na adolescência aumente o entendimento de quando ocorre a triangulação, uma vez que há maiores capacidades cognitivas e de sensibilidade. Além de que nesta faixa etária a expressão ocorra também através de sintomas externalizantes.

Nesse contexto, a regulação emocional e dificuldades no exercício da coparentalidade são processos que influenciam na expressão desses comportamentos em maior ou menor grau. Reconhecer as maneiras como cada um desses fatores interfere na formação e manutenção da agressividade propicia a intervenção e a prevenção de formas mais saudáveis de lidar com as adversidades, especialmente familiares. Propostas de tratamento devem incluir intervenções que propiciem maiores níveis de apoio e cooperação e menores índices de conflito e especialmente triangulação, assumindo a consequente diminuição de problemas de comportamento e aumento de bem-estar nos adolescentes.

Para ler o artigo, acesse

MACHADO, M. R. and MOSMANN, C. P. Coparental conflict and triangulation, emotion regulation, and externalizing problems in adolescents: direct and indirect relationships. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2020, vol.3 0, e3004, ISSN: 1982-4327 [viewed 13 August 2020]. DOI: 10.1590/1982-4327e3004. Available from: http://ref.scielo.org/57jncd

Links externos

Paidéia (Ribeirão Preto) – PAIDEIA: www.scielo.br/paideia

http://www.revistas.usp.br/paideia/

https://www.facebook.com/necafunisinos/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MACHADO, M. R. E quando as dificuldades de meus pais não me ensinam a controlar a minha raiva [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/09/22/e-quando-as-dificuldades-de-meus-pais-nao-me-ensinam-a-controlar-a-minha-raiva/

 

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