Objetos externos como coleções de qualidades sensíveis espaciais

Wesley Ribeiro Ferreira dos Santos, Professor do Departamento de Humanidades da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Campo Mourão, Paraná, Brasil.

Logo do periódico TransformaçãoA pesquisa de Wesley Ribeiro Ferreira dos Santos, intitulada Objetos externos em Hume: a espacialidade como critério de distinção entre a noção comum e a noção filosófica de corpo, publicada no periódico Trans/Form/Ação (vol. 48, no. 6, 2025), pretende oferecer uma contribuição original para o debate sobre os objetos externos na filosofia de David Hume. O autor propõe que há um critério, a noção de espaço, com o qual o filósofo escocês empreende uma crítica da noção comum e, assim, faz emergir seu próprio conceito de corpo, que não coincide, nem com a concepção comum, nem com a da filosofia da dupla existência – as quais parecem ter sido vistas até agora como as únicas candidatas a representar a noção sustentada filosoficamente por Hume.

O artigo parte da análise de uma passagem do Tratado da Natureza Humana em que o filósofo examina a questão da compatibilidade ou incompatibilidade das diversas qualidades sensíveis com a noção de lugar. Hume (2009) conclui que muitas qualidades são incompatíveis com a atribuição de lugar e, portanto, existem sem ter nenhum lugar, sem “ocupar” nenhum lugar. Desse modo, fica demonstrado o absurdo da concepção comum de corpo, que atribui, aos objetos externos, qualidades como o cheiro, o sabor e o som, incompatíveis com a espacialidade. Wesley R. F. dos Santos defende que, na passagem em debate, Hume adota um critério que lhe permite conceber filosoficamente os corpos como os objetos do tato e da visão, os únicos compatíveis com a noção de espaço.

No entanto, o autor chama a atenção para o fato de que essa noção humiana de corpo é diferente da noção comum que o filósofo expõe na seção “Do ceticismo quanto aos sentidos” de sua obra Tratado da Natureza Humana. Embora o senso comum atribua, aos objetos externos, além da cor e da solidez, qualidades como o cheiro, o sabor e o som, é preciso distinguir, de um ponto de vista filosófico, as qualidades compatíveis das incompatíveis com a noção de espaço. Desse modo, os corpos são, para Hume, conjuntos de qualidades táteis ou visíveis, aos quais não se pode atribuir qualidades como o cheiro, o sabor e o som.

 

 

Além disso, Wesley R. F. dos Santos defende que essa noção humiana de corpo é uma noção adequada à filosofia natural do período e original. Original, porque não se reduz, nem a uma concepção cartesiana, nem a uma concepção newtoniana. Adequada à filosofia natural moderna, porque se trata de uma noção permanentemente aberta a incorporar toda qualidade descoberta experimentalmente e que atenda ao critério da compatibilidade com a noção de espaço. Assim, se, por um lado, não se pode, de um ponto de vista filosófico, atribuir qualidades como o cheiro e o sabor aos próprios objetos externos, por outro, deve-se atribuir qualidades como o peso, a inércia etc., que são qualidades descobertas experimentalmente e compatíveis com a espacialidade.

Para ler o artigo, acesse

SANTOS, W.R.F. Objetos externos em Hume: a espacialidade como critério de distinção entre a noção comum e a noção filosófica de corpo. Trans/Form/Ação [online]. 2025, vol. 48, e025151 [viewed 15 January 2026].  https://doi.org/10.1590/0101-3173.2025.v48.n6.e025151. Available from: https://www.scielo.br/j/trans/a/yN3MLmrF3Pjs5xCYdbnrtqx/

Referências

HUME, D. Tratado da Natureza Humana. Tradução de Déborah Danowski. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2009.

Links externos

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Trans/Form/Ação – TRANS

 

Sobre Wesley Ribeiro Ferreira dos Santos

É doutor em filosofia pela Universidade Federal do Paraná e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SANTOS, W.R.F. Objetos externos como coleções de qualidades sensíveis espaciais [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/01/15/objetos-externos-como-colecoes-de-qualidades-sensiveis-espaciais/

 

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