Michelly Setlik, professora dos anos iniciais do ensino fundamental da rede pública municipal da cidade de Araucária (PR), Araucária, Paraná, Brasil
Pura Lúcia Oliver Martins, professora doutora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba, Paraná, Brasil
O artigo Criança “dentro e fora da caixa”: práticas pedagógicas no retorno às atividades presenciais na Educação Infantil, fruto da pesquisa de mestrado de Michelly Greice Setlik (2024), publicado no periódico Educação em Revista (vol. 41, 2025), mostra que práticas pedagógicas sensíveis implementadas pelos professores no retorno presencial favoreceram a expressão, a autonomia e a reinvenção de rotinas das crianças após o ensino remoto. A investigação destaca transformações concretas nas práticas docentes que atuaram diretamente no acolhimento e no bem-estar infantil.
A pesquisa, realizada pela pesquisadora vinculada à rede municipal de Araucária (PR), focaliza as iniciativas dos docentes durante o retorno presencial pós-pandemia. O estudo se baseou em entrevistas semiestruturadas com oito professoras da Educação Infantil, aplicadas entre 2023–2024, com objetivo de compreender como os profissionais redesenharam práticas para responder às lacunas deixadas pelo período remoto. A escolha pela entrevista buscou captar narrativas, decisões pedagógicas e sentidos atribuídos pelos próprios educadores às suas ações.

Imagem: congerdesign via Pixabay
O estudo foi desenvolvido na Rede Municipal de Educação de Araucária e adotou entrevistas semiestruturadas como principal instrumento de coleta, com oito professoras identificadas por pseudônimos. As entrevistas foram realizadas presencialmente ou pelo Google Meet, analisadas por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (2016) e codificadas no software Atlas.ti. A fundamentação dialoga com autores como Fochi e Barbosa (2015), defendendo práticas investigativas, estéticas e expressivas que valorizam a participação ativa das crianças
Os achados indicam que os professores remodelaram o planejamento e as rotinas, adotando estratégias centradas na escuta e no protagonismo infantil: contação de histórias com participação ativa, rodas de conversa, brincadeiras dirigidas e reconfiguração de espaços. Essas práticas atuaram na superação de lacunas apontadas (especialmente em oralidade, socialização, motricidade e autonomia) e fortaleceram a cooperação entre pares, a expressão simbólica e a curiosidade. Além disso, o uso crítico de tecnologias e o envolvimento das famílias ampliaram o reconhecimento social do trabalho docente.
As conclusões mostram que o retorno presencial exigiu dos professores ações sensíveis e intencionais para acolher as crianças no pós-pandemia. Para avançar nesse debate, estudos futuros devem ouvir as próprias crianças, entendendo como elas viveram e ajudaram a reconstruir a rotina escolar nesse período. Uma limitação do estudo é ter sido realizado apenas em uma rede municipal, o que indica a necessidade de ampliar investigações, incluindo análises ao longo do tempo e comparações entre escolas públicas e privadas. Essas abordagens podem oferecer uma visão mais completa dos impactos pedagógicos e emocionais desse momento de transição.
Para ler o artigo, acesse
SETLIK. M. and MARTINS, P.L.O. Criança “dentro e fora da caixa”: práticas pedagógicas no retorno às atividades presenciais na Educação Infantil. Educação em Revista [online]. 2025, vol. 41, e60472 [viewed 25 March 2026]. https://doi.org/10.1590/0102-469860472. Available from: https://www.scielo.br/j/edur/a/FVQcPPSYVwgV5x6bXc9s9tf/
Referências
BARBOSA, M.C.S. and FOCHI, P.S. Os bebês no berçário: identidades, cuidado e educação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2015.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
FOCHI, P.S. Ludicidade, continuidade e significatividade na Educação Infantil. Revista Leitura Crítica. In: Campos de experiências na escola da infância: contribuições italianas para inventar um currículo de educação infantil brasileiro. Porto Alegre: Edições Leitura Crítica, 2015, p. 221–232.
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