Mulheres Exaustas e os Incômodos de se fazer Ciência na Contemporaneidade

Dra. Ludmila de Vasconcelos Guimarães, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Administração do CEFET-MG e do Centro de Pesquisas e Pós-Graduação em Administração da UFMG, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Dra. Luiza Farnese Lana Sarayed-Din, professora e pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Administração da UniHorizontes, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

1Logo da Revista de Administração ContemporâneaO que cansa as mulheres na produção da ciência? O artigo Mulheres Exaustas: Sobre Incômodos e o Fazer Ciência na Contemporaneidade (vol. 27, no. 5, 2023) fruto da edição especial da Revista de Administração Contemporânea (RAC) “Mulheres Exaustas na Contemporaneidade”, convida os leitores a refletirem sobre as raízes da exaustão feminina no ambiente acadêmico. A condução da discussão mostra que o cansaço vai além da carga horária de trabalho e está diretamente ligado a uma lógica que privilegia tempos e modos de produção masculinos, ignorando as responsabilidades domésticas e de cuidado que recaem historicamente sobre as mulheres.

Editorada por pesquisadoras do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fundação Getulio Vargas (FGV) e de outras instituições, a edição especial contou com a colaboração exclusiva de mulheres em todas as etapas: editoria, autoria e avaliação. O objetivo foi criar um espaço de resistência a um sistema que, como apontam dados da Capes e do CNPq, concentra bolsas de produtividade e posições de destaque com homens, enquanto as mulheres, que representam a maioria na pós-graduação, permanecem sub-representadas em cargos de poder e decisão na ciência.

 

 

A pesquisa evidencia como o controle do tempo editorial, as métricas de produtividade e a lógica de publicação ignoram a realidade de mulheres que dedicam o dobro de tempo ao trabalho reprodutivo. Esta estrutura não só invisibiliza o trabalho feminino, como também o penaliza, transformando a busca por igualdade em uma jornada desgastante e solitária.

O caminho para um futuro mais justo na ciência passa por uma autorreflexão coletiva e pela desconstrução dos padrões de opressão. A discussão proposta nessa edição não se limitou às páginas da revista: lives, debates em redes sociais e um painel do Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Enanpad) foram realizados para ampliar o debate. O desafio que se coloca é como transformar esses incômodos em ações concretas que priorizem outras formas de fazer ciência, onde o cuidado e a diversidade de tempos sejam, de fato, considerados.

 

 

Para ler o artigo, acesse

GUIMARÂES, L.V.M. Mulheres Exaustas: Sobre Incômodos e o Fazer Ciência na Contemporaneidade. Revista de Administração Contemporânea [online]. 2023, vol. 27, no. 5, e230201 [viewed 17 June 2026]. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2023230201.por. Available from: https://www.scielo.br/j/rac/a/W7ZXtL46GXqdjssr3JxNzsJ/abstract/

Nota

1. A inteligência artificial DeepSeek foi utilizada para organizar a redação deste texto.

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

GUIMARÃES, L.V. and SARAYED-DIN, L.F.L Mulheres Exaustas e os Incômodos de se fazer Ciência na Contemporaneidade [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/06/17/mulheres-exaustas-e-os-incomodos-de-se-fazer-ciencia-na-contemporaneidade/

 

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