Que fatores favorecem ou não o aproveitamento e a permanência no Ensino Superior?

Rosângela Gavioli Prieto e Emerson de Pietri, Editores do periódico Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Educação e Pesquisa publica, em seu volume contínuo, no ano de 2018, seção temática em que se reúnem artigos voltados à investigação do desempenho acadêmico de estudantes universitários de baixa renda; das políticas públicas de financiamento estudantil; das (re)configurações curriculares em cursos de graduação presenciais e à distância; das características de programas de formação acadêmica voltados a públicos específicos, como os mestrados profissionais ou a universidade aberta à terceira idade.

Dos artigos que compõem a seção temática até este momento, destacamos três que se voltam especificamente a questões de rendimento acadêmico e permanência/evasão, em suas relações com os perfis socioeconômicos dos estudantes que ingressam na universidade em decorrência de políticas públicas para a ampliação do acesso ao ensino superior. Além desses, o leitor encontrará nesta seção temática artigos voltados a diferentes temas, o que evidencia a produtividade e a diversidade de interesses que essa área tem suscitado.

Em “Políticas de inclusão no ensino superior: avaliação do desempenho dos alunos baseado no Enade de 2012 a 2014”, Jacques Wainer e Tatiana Melguizo compararam aproveitamentos de alunos que ingressaram no ensino superior por intermédio de cotas. Definidas as variáveis que permitissem realizar a comparação de modo equivalente entre aproveitamento de alunos cotistas e não-cotistas, a investigação mostrou que o desempenho de ambos os grupos é equivalente, equivalência que pode também ser observada em relação aos alunos que recebem empréstimo do FIES. Os resultados evidenciaram, ainda, que bolsistas do PROUNI têm desempenho superior aos de seus colegas de classe.

Os efeitos da ampliação do acesso ao ensino superior no Chile é tema do artigo de autoria de Rosa Arancibia Carvajal e Carmen Trigueros Cervantes. Em “Aproximaciones a la deserción universitaria en Chile”, as pesquisadoras observaram os fatores determinantes do abandono escolar por estudantes universitários de cursos noturnos, dada a taxa de evasão que nesse contexto se mostra acima da média do registrado para o país. Os resultados da pesquisa mostraram que as causas da desistência se relacionam principalmente a condições e características pessoais; a capital e desempenho acadêmico; a imprevistos e circunstâncias adversas; ou aos tipos de experiência com a instituição.

A evasão no nível superior é também objeto de investigação no artigo de autoria de Pedro Rodrigues de Oliveira, Silvia Aparecida Oesterreich e Vera Luci de Almeida. “Evasão na pós-graduação a distância: evidências de um estudo no interior do Brasil” apresenta resultados que reafirmam as causas de abandono de cursos de pós-graduação à distância já evidenciadas por outros estudos: desmotivação (NEVES, 2006); falta de companheiros presenciais (LONGO, 2009); falta de tempo (COMARELLA, 2009); problemas familiares (ALMEIDA, 2008); questão financeira (RAMMINGER, 2006); dentre outros. No caso observado, os autores mostram que um dos fatores principais para a desistência do curso está relacionado à maior idade dos estudantes que nele se matriculam, os quais teriam, portanto, que dedicar seu tempo também a outras responsabilidades, como trabalho, família e filhos.

Outro importante conjunto de artigos que compõem a seção temática Ensino Superior reúne trabalhos em que se discutem mais especificamente a organização curricular e suas relações com a formação acadêmica. São eles: “Objetivos educacionais de um mestrado profissional em saúde coletiva: avaliação conforme a taxonomia de Bloom”, de Walner Mamede e Gardênia S. Abbad; “Formação superior rizomática: flexibilidade curricular proposta pela UFABC”, de Allan Moreira Xavier e Leonardo José Steil; “Forças e fraquezas do curso de Gestão Ambiental da Universidade de Brasília”, de Alexandre Nascimento de Almeida; e “Quadrimestre ideal: dispositivo de controle de tempo no currículo da UFABC”, de Allan Moreira Xavier e Leonardo José Steil.

Convidamos assim os leitores de Educação e Pesquisa a visitar o volume contínuo de 2018 do periódico, e, nele, a seção em que se reúnem trabalhos em que se discutem questões relacionadas ao Ensino Superior.

Referências

ALMEIDA, O. C. S. Evasão em cursos a distância: análise dos motivos de desistência. In: Associação Brasileira de Educação a Distância. 14° Congresso Internacional ABED de Educação a Distância – “Mapeando o Impacto da EAD na Cultura do Ensino-Aprendizagem”. Anais… Santos, Brasil: ABED, 2008. Disponível em: Acesso em: 20 mar. 2015.

COMARELLA, R. L. Educação superior a distância: evasão discente. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão do Conhecimento) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

LONGO, C. R. J. A EAD na pós-graduação. In: LITTO, F., FORMIGA, M. (Org.). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson, 2009. p. 215-222.

NEVES, Y. P. C. S. Evasão nos cursos a distância: curso de extensão TV na Escola e os desafios de hoje. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira) – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2006.

RAMMINGER, S. Do encontro ao desencontro: fatores relacionados a procura de cursos de EaD em Psicologia e posterior evasão. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

Para ler os artigos, acesse

Educ. Pesqui. vol.44  São Paulo  2018

Link externo

Educação e Pesquisa – EP: www.scielo.br/ep

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PRIETO, R. G. and PIETRI, E. Que fatores favorecem ou não o aproveitamento e a permanência no Ensino Superior? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/05/16/que-fatores-favorecem-ou-nao-o-aproveitamento-e-a-permanencia-no-ensino-superior/

 

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