urbe traz discussões sobre meio social e espaço urbano, mobilidade e transportes, gestão e percepção ambiental

Demian Barcellos, doutorando no Programa de Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e membro do corpo auxiliar da urbe, Curitiba, PR, Brasil

O primeiro grupo de artigos é da temática mais abrangente nesta edição referentes ao tema “meio social e espaço urbano”, formado por sete artigos. Em “A disfunção socioespacial dos grandes conjuntos residenciais na Argélia: técnica de análise de percurso pelo método “movement traces” e análise morfológica (sintaxe espacial) usando o programa “depthmap””, de Hima, Tacherift e Abdellaoui, foi identificado “que a maioria dos pedestres preferem estradas diretas e eixos mais curtos, com uma forte sintaxe de visibilidade e acessibilidade (integração, conectividade e inteligibilidade), na direção da periferia (adjacente) em meio às cidades. Essas rotas têm um impacto direto sobre as transformações das fachadas e a apropriação dos espaços exteriores” (HIMA; TACHERIFT; ABDELLAOUI, 2018, p. 268). O estudo de caso foi realizado em Argélia na África do Norte com 1.000 habitações em Biskra e 500 habitações de M’sila. Cruzando os resultados das técnicas da sintaxe espacial de visibilidade (Visibility Graph Analysis – VGA) e acessibilidade (All Line Analysis – ALA) por software DepthMap© (UCL, Londres) e a análise da disfunção wayfinding do método de “traço de movimento”.

No artigo “Os mobilizadores precários: base social e luta pela moradia popular nas cidades de Recife e Jaboatão dos Guararapes, PE”, de Silva são discutidas as transformações político-econômicas ocasionadas pela reestruturação do capitalismo e sua repercussão nos espaços urbanos. Enquanto em “Cidade e interação: o papel do espaço urbano na organização social” de Netto, Meirelles e Ribeiro busca responder à pergunta: como ações pessoais, caóticas, podem gerar os imensos sistemas de interações em que vivemos. Sugerindo que a cidade tem forçantes na forma de coordenar nossas ações.

Ainda dentro da temática de “meio social e espaço urbano” o estudo “Processos participativos para elaboração de Planos Diretores Municipais: inovações em experiências recentes” de Freitas e Bueno “apresenta métodos de trabalho nos processos participativos implementados que possam inspirar profissionais envolvidos com a democratização das cidades. São discutidos os casos dos municípios de Jundiaí e de Vinhedo, no Estado de São Paulo, que, com a introdução de inovadora metodologia participativa e com base em diferentes instrumentos de pesquisa, conseguiram resultados em leis que refletem um projeto de cidades mais democráticas e inclusivas” (FREITAS; BUENO, 2018, p. 304).  No artigo de Oliveira, Lopes e Sousa, “Direito à participação nas políticas urbanísticas: avanços após 15 anos de estatuto da cidade” discutem-se elementos referentes ao direito e à participação popular nas políticas públicas urbanísticas.

Finalizando esta temática, a edição ainda apresenta mais dois artigos. Em “Construções penais e o diálogo com a cidade: a (não) política de implantação de equipamentos penais no meio urbano” de autoria de Tenório Filho e Lima é discutida a relação espacial entre o espaço penal e a cidade, onde a proximidade de instalações penais e uma instituição de ensino superior criou um cenário de relação conflituosas em Arapiraca, Alagoas. E o artigo “Influência das transformações urbanas no conforto acústico: estudo-piloto da cidade universitária da UFRJ” de autoria de Magioli e Torres, apresenta uma metodologia analítica para mensurar a influência das transformações urbanas no conforto acústico.

O próximo grupo de artigos são aqueles que discutem “mobilidade e transportes”, composto por dois artigos. De Lima, Freire e Ojima “Mobilidade e rendimento escolar dos estudantes de ensino médio em Natal (RN, Brasil)” explora o perfil dos comutadores, neste caso estudantes, a partir de um recorte político-administrativo intramunicipal. Enquanto no trabalho de Flórez, Portugal e Escobar “Estratégias para incentivar o transporte não motorizado em megaeventos esportivos: o caso do estádio do Maracanã, Rio de Janeiro” são definidas e avaliadas estratégias para a promoção do transporte não motorizado, principalmente caminhadas, no caso do estádio do Maracanã e outras instalações esportivas utilizadas para os megaeventos no Rio de Janeiro.

Dentro da temática “gestão e percepção ambiental”, apresentam-se três artigos.  De Corrêa, Vazquez e Vanzela o artigo “Projeto estratégico de ocupação do fundo de vale do córrego da Aldeia no perímetro urbano de Fernandópolis/SP” trata sobre os aspectos negativos e positivos dos projetos estratégicos de ocupação do fundo de vale do córrego Aldeia. O artigo “A paisagem do Ribeirão Fortaleza em Blumenau-SC: percepção da população para a sua recuperação e valorização” de Rudolpho, Karnopp e Santiago, apresenta os resultados de uma pesquisa de abordagem qualitativa com o objetivo compreender o que a população que vive nas margens do Ribeirão Fortaleza pensa e sente sobre a paisagem local. E o último artigo desta temática, “Altitude, variáveis climáticas e tempo de permanência de pessoas em praças do Equador”, é de autoria de Basantes e García e discuti a relação entre permanência no espaço público com as variáveis climáticas.

Os demais estudos possuem focos mais específicos, como é o caso do “Demolições, debates e tentativas de preservação: aproximações a partir dos casos de Salvador e Recife (1910-1930)”, de Assunção e Dantas. Nele os autores abordam “casos de demolição em Recife e Salvador dos anos 1910, considerando, por um lado, o contexto mais amplo das reformas urbanas e, por outro, os esforços de criação dos serviços estaduais de proteção aos monumentos nos anos 1920” (ASSUNÇÃO; DANTAS, 2018, p. 387). Já Prado Júnior, Amaral e Barbosa, em “Epistemologia do território: a prostituição masculina em Goiânia”, analisam interações entre os diferentes territórios de prostituição masculina em Goiânia sob a luz dos conceitos basilares referentes ao assunto. E, finalizando, o artigo “A ocupação urbana no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Brasil, e suas implicações no turismo de segunda residência”, de autoria de Lopes, Ruiz e Anjos que analisa e identifica períodos de ocupação, do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e sua relação com o turismo de segunda residência.

Para ler os artigos, acesse

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.10 no.2 Curitiba May/Aug. 2018

Link externo

urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana – URBE: www.scielo.br/urbe

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BARCELLOS, D. urbe traz discussões sobre meio social e espaço urbano, mobilidade e transportes, gestão e percepção ambiental [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/08/07/urbe-traz-discussoes-sobre-meio-social-e-espaco-urbano-mobilidade-e-transportes-gestao-e-percepcao-ambiental/

 

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