Organizar o conhecimento da humanidade é fundamental para a sobrevivência da sociedade

Rodrigo de Sales, Professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Departamento de Ciência da Informação, Florianópolis, SC, Brasil

José Augusto Guimarães, Livre Docente na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências, Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil

Daniel Martínez-Ávila, Professor na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências, Departamento de Ciência da Informação, Marília, SP, Brasil

A organização do conhecimento é uma área de estudos que tem origem na Antiguidade Clássica, com a organização dos documentos em bibliotecas e arquivos na Mesopotâmia e em Alexandria. Ao longo da História, esse tema passou a ser uma preocupação cada vez maior da ciência e da filosofia pois a crescente produção de conhecimentos técnicos e científicos necessitava uma forma de organização, para que não se perdesse e para que a sociedade pudesse ter acesso a esses avanços (MARTÍNEZ-ÁVILA; GUIMARÃES, 2015). Mas foi principalmente a partir do século XIX, com o grande avanço industrial, que a organização do conhecimento produzido e socializado pela sociedade, por meio de documentos, passou a receber uma atenção mais específica, com o desenvolvimento de metodologias para extrair o conteúdo dos documentos e representa-los de forma sistematizada.

Surgem assim, em um primeiro momento, os sistemas de classificação, que sistematizam os assuntos em uma ordem lógica para permitir a consulta e a pesquisa em documentos. Mais tarde, principalmente a partir da segunda metade do século XX (SALES; PIRES, 2018), os estudos se dirigiram mais especificamente para as formas verbais de representação desses assuntos, de modo a que a busca pelo conhecimento pudesse se fazer de forma ágil e direta a partir de termos representativos, sem ambiguidades, dando origem à indexação. Nessa trajetória, diferentes instrumentos de representação do conhecimento registrado tiveram seu desenvolvimento, como é o caso dos sistemas de classificação, das listas de cabeçalhos de assunto, dos tesauros e das ontologias no sentido de permitir que a pesquisa possa ser feita da forma rápida e eficiente, com menos dispêndio de tempo pelo usuário.

Desse modo, os pesquisadores Daniel Martínez-Ávila e José Augusto Chaves Guimarães, do Departamento de Ciência da Informação da Unesp – Marília, e Rodrigo de Sales, do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina, no artigo intitulado “Dialogical elements in Harris, Dewey, Cutter, Otlet, Kaiser, and Ranganathan: theoretical convergences in the history of Knowledge Organization” estabelecem uma linha de diálogo entre esses teóricos da organização do conhecimento dos Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica e Índia, entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, no sentido de buscar elementos de convergência e de complementaridade entre os sistemas de organização e de representação do conhecimento por eles idealizados. Em todos eles percebe-se uma preocupação comum no sentido de que a representação do conhecimento se faça por meio de um processo consecutivo de análise de elementos constituintes seguida de uma síntese que possa sistematizar essa representação.

Outro aspecto a destacar é a preocupação em representar os assuntos dos documentos em sua especificidade máxima, contemplando os diferentes contextos possíveis. Para tanto, a ideia de faceta de abordagem, tal como o espaço, o tempo, as ações, os sujeitos, e outros são fundamentais para que um assunto possa ser representado de forma contextualizada e com maior profundidade.

O estudo revelou que os diálogos entre os pesquisadores analisados se fizeram, historicamente, pelo fato de Harris, Dewey e Cutter terem se dedicado à idealização de sistemas descritivos de classificação; Cutter e Kaiser se voltaram para a definição de regras de padronização da representação de assuntos; Kaiser e Otlet estabeleceram padrões de análise a partir de elementos constitutivos; e Kaiser e Ranganathan desenvolveram o método analítico-sintético para análise e representação de assuntos.

Referências

MARTÍNEZ-ÁVILA, D. and GUIMARÃES, J. A. La construcción de la Biblioteconomía como ciencia y su relación con la clasificación. In: CONGRESO INTERNATIONAL SOCIETY FOR KNOWLEDGE ORGANIZATION, 12., 2015, ESPAÑA Y CONGRESO INTERNATIONAL SOCIETY FOR KNOWLEDGE ORGANIZATION, 2., 2015, Portugal. Organización del conocimiento: sistemas de información abiertos. Actas… Murcia: Universidad de Murcia, 2015. p. 533-543. Available from: http://www.iskoiberico.org/wp-content/uploads/2015/11/39_Martinez-Avila.pdf.

SALES, R. and PIRES, T. B. The classification of Harris: Influences of Bacon and Hegel in the universe of library classification. In: NORTH AMERICAN SYMPOSIUM ON KNOWLEDGE ORGANIZATION 6., 2017, Champaign. Proceedings… Champaign: University of Illinois, 2017. v. 6. p. 1-11.

Para ler o artigo, acesse

SALES, R, MARTINEZ-AVILA, D. and GUIMARAES, J. A. Dialogical elements in Harris, Dewey, Cutter, Otlet, Kaiser, and Ranganathan: Theoretical convergences in the history of Knowledge Organization. Transinformação [online]. 2018, vol.30, n.3, pp.348-362. ISSN 0103-3786. [viewed 28 January 2019]. DOI: 10.1590/2318-08892018000300007. Available from: http://ref.scielo.org/y7q7t7

Link externo

Transinformação – TINF: www.scielo.br/tinf

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SALES, R, MARTINEZ-AVILA, D. and GUIMARAES, J. A. Organizar o conhecimento da humanidade é fundamental para a sobrevivência da sociedade [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2019 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/01/28/organizar-o-conhecimento-da-humanidade-e-fundamental-para-a-sobrevivencia-da-sociedade/

 

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