A presença de docentes LGBTQIA+ nas salas de aula é uma lição de resistência

Rosa Emilia Moraes, Jornalista científica para Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil.

Logo do periódico Educação & SociedadeSe a educação não é neutra, como ensina Paulo Freire, o docente também não. E nem deveria ser. Um docente é alguém com a vocação de ensinar, e tem o dever de fazer de si um exemplo. Infelizmente a sociedade impõe regras, muitas vezes silenciosas e até em desacordo com a lei, visando coagir os exemplos que consideram fora de seus padrões.

O Professor Janivaldo Pacheco Cordeiro, do Instituto Federal do Espírito Santo, introduz o conceito de “corpo-território” em sua pesquisa de doutorado, para trazer o entendimento de que o corpo é também um espaço político e social, marcado pela História e regido por relações de poder, disputa e lutas identitárias.

Dessa pesquisa, conduzida entre 2019 e 2022, nasceu o artigo “Como professor, a gente sente a maldade”: o que atravessa as imagens narrativas de docentes LGBTQIA+?, publicado pelo periódico Educação & Sociedade (vol. 47, 2026).

Nele, o Professor traz uma análise, sob a perspectiva do filósofo francês Michel Foucault, da trajetória de seis docentes que atuam na Educação Básica do estado da Bahia.

 

 

Através de narrativas autobiográficas, esses professores e professoras projetam suas vozes (negras, indígenas e transexuais) em relatos de discriminação e preconceito, mostrando como tais experiências contribuíram para gerar um sentimento de autovigilância exacerbada, que os obriga a reprimir e reconfigurar suas identidades, dentro e fora da sala de aula.

O artigo é um manifesto sensível da carga de estresse e desgaste emocional desses profissionais, que passam a buscar a excelência técnica não por vocação, mas como um mecanismo de defesa, para manterem seus empregos e sua legitimidade no ambiente escolar.

O autor, que possui forte atuação em temas ligados a gênero, sexualidade e representatividade LGBTQIA+ na docência, une sua voz a dos entrevistados, reconhecendo a existência da tentativa de controle social dos corpos, contra a qual dá seu grito de resistência, demonstrando como os sistemas de exclusão acabam por impulsionar esses docentes a reafirmar suas presenças como sujeitos políticos e agentes pedagógicos importantes na formação de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.

Para ler o artigo, acesse

CORDEIRO, J.P. “Como professor, a gente sente a maldade”: o que atravessa as imagens narrativas de docentes LGBTQIA+?. Educação & Sociedade [online]. 2026, vol. 47, e301017 [viewed 11 May 2026]. https://doi.org/10.1590/ES.301017 Available from: https://www.scielo.br/j/es/a/3VKSWnRHzHDHRQqsr5qyxFx/

Referências

CORDEIRO, J.P. Corpo-território-LGBT+: imagens e narrativas de professores/as transviados/as na educação básica. 2022. 257 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade, Departamento de Educação, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, BA, Brasil, 2022 [viewed 11 May 2026]. Available from: https://repositorio.ifes.edu.br/items/d360eff6-5cc4-4b32-817d-241cc8601e9e

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

MORAES, R.E. A presença de docentes LGBTQIA+ nas salas de aula é uma lição de resistência [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/05/11/a-presenca-de-docentes-lgbtqia-nas-salas-de-aula-e-uma-licao-de-resistencia/

 

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